O Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA) comprometeu capital com o Fundo de Infraestruturas Resilientes ao Clima (ICRF) de 750 milhões de dólares da Africa Finance Corporation (AFC), assinalando um momento decisivo para o financiamento de infraestruturas resilientes ao clima em todo o continente. O acordo foi anunciado em finais de abril e, conforme relatado em reportagens recentes sobre o compromisso do DBSA com o ICRF, sinaliza um aprofundamento do alinhamento institucional entre os agentes africanos de financiamento ao desenvolvimento para mobilizar capital em escala para a adaptação.
O momento reflete uma urgência aguda. África perde anualmente entre 2% e 5% do PIB devido a choques climáticos, ao passo que as necessidades de adaptação atingem 50 mil milhões de dólares por ano. O financiamento tradicional de infraestruturas tem falhado na incorporação de medidas de resiliência desde a fase de conceção até à operação. O ICRF altera essa equação ao combinar capital concessionário e comercial para superar as barreiras de longa data ao investimento em adaptação climática.
A arquitetura do fundo é relevante. Ao combinar capital público e privado em camadas, o ICRF resolve o que nenhum dos setores consegue alcançar sozinho. O Banco Europeu de Investimento apoiou o ICRF de 750 milhões de dólares; os compromissos específicos do Fundo Verde para o Clima e de outros requerem verificação adicional além das fontes disponíveis. A AFC Capital Partners, a subsidiária de gestão de ativos que gere o veículo, prevê mobilizar até 3,7 mil milhões de dólares em financiamento total.
Esta estrutura mista reduz o risco dos investimentos de adaptação climática que, de outra forma, teriam dificuldade em atrair capital privado. Cada projeto é submetido a uma rigorosa triagem de risco climático que abrange riscos físicos, como condições meteorológicas extremas, e riscos de transição associados a emissões e governação. O fundo tem como alvo as energias renováveis, os transportes e logística, as infraestruturas digitais e o desenvolvimento industrial — setores centrais para o crescimento económico de baixo carbono.
A entrada do DBSA reforça a posição do ICRF como um veículo pioneiro para infraestruturas resilientes ao clima enquanto classe de ativos distinta e investível. O fundo está a construir um portefólio diversificado de 10 a 12 projetos de infraestruturas em todo o continente. Para os investidores institucionais, isto representa exposição a ativos de elevado impacto que combinam mandatos de desenvolvimento público com retornos comerciais.
Samaila Zubairu, Presidente e Diretor Executivo da AFC, enquadrou o desafio de forma clara: garantir que as infraestruturas de África resistam ao agravamento dos impactos climáticos. Boitumelo Mosako, Diretora Executiva do DBSA, sublinhou que as instituições de financiamento ao desenvolvimento devem agregar mandatos e capital para alcançar o que nenhuma delas consegue sozinha.
O surgimento do fundo reflete uma mudança estratégica. As infraestruturas resilientes ao clima já não são uma preocupação de nicho — estão agora no centro da estratégia institucional africana. À medida que as lacunas no financiamento da adaptação se alargam e os choques climáticos se aceleram, o ICRF posiciona-se como o principal veículo do continente para canalizar tanto capital concessionário como comercial para infraestruturas resilientes e transformadoras.
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