O supervisor bancário da União Europeia (UE) abordou as preocupações sobre os riscos das stablecoins de outros importantes reguladores regionais após o recente impulso para regulamentações mais rigorosas de criptomoedas no bloco.
Na quarta-feira, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) abordou as preocupações do Banco Central Europeu (BCE) e do Conselho Europeu de Risco Sistémico (ESRB) sobre o risco de instabilidade financeira relacionado com stablecoins.
De acordo com a Reuters, o supervisor bancário da região afirmou que o Regulamento de Mercados de Criptoativos (MiCA) do bloco, a estrutura abrangente da UE para criptomoedas, já possui salvaguardas contra os riscos apresentados pelas stablecoins.
Conforme relatado pelo Bitcoinist, o BCE está pressionando por regulamentações mais rigorosas, incluindo a proibição de stablecoins de múltipla emissão no bloco e em outras jurisdições. A medida segue a recomendação do ESRB de proibir stablecoins emitidas conjuntamente, o que poderia impactar como emissores como a Circle operam além-fronteiras.
A orientação, embora não seja legalmente vinculativa, deverá pressionar as autoridades da UE a implementar as restrições ou "explicar como a estabilidade financeira pode ser preservada na ausência delas".
Um porta-voz da EBA disse à Reuters que as preocupações do ESRB refletem "os riscos inerentes relacionados a potenciais pedidos massivos de resgate". No entanto, a gravidade dependerá do "modelo de negócio e escala da stablecoin".
"Com base nesses elementos, salvaguardas necessárias seguindo o MiCA devem ser implementadas para mitigar o risco", continuou o porta-voz, mas observou que está aguardando esclarecimentos da Comissão Europeia (CE) sobre se a múltipla emissão é permitida sob o MiCA.
Judith Arnal, pesquisadora sênior associada do Centro de Pesquisa de Crédito Europeu (ECRI) e membro do conselho do Banco da Espanha, afirmou anteriormente que as stablecoins de múltipla emissão seriam o primeiro "teste real de credibilidade" do MiCA.
Arnal argumentou que "este impasse institucional criou uma paralisia regulatória com consequências de longo alcance", o que arrisca "minar a credibilidade do MiCA como uma estrutura regulatória coerente e globalmente influente".
Segundo relatos, dois reguladores nacionais compartilham as preocupações do BCE e do ESRB. Pessoas familiarizadas com o assunto disseram ao veículo de comunicação que os reguladores estavam "preocupados que os EUA pudessem impedir a transferência de reservas para a Europa para atender aos pedidos de resgate".
No entanto, Luis del Olmo, especialista sênior da EBA, afirmou que "Do ponto de vista de liquidez, os emissores precisam manter uma quantidade de ativos líquidos para atender a potenciais pedidos de resgate. E isso deve funcionar em nível global".
Como observou a Reuters, a Comissão Europeia sinalizou que não vê necessidade de grandes mudanças no MiCA.
Vale ressaltar que o panorama regulatório europeu poderá em breve ver mudanças significativas, já que a UE está supostamente explorando a transferência da supervisão de mercados financeiros importantes, incluindo cripto, das autoridades nacionais para uma autoridade supervisora centralizada.
No mês passado, Verena Ross, presidente da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), revelou que a regulamentação das bolsas de valores, empresas de criptomoedas e câmaras de compensação no bloco provavelmente será transferida para o órgão de vigilância do mercado regional.
Em uma entrevista, Ross detalhou que a CE está preparando novas regras que transfeririam a supervisão de várias áreas dos mercados financeiros das autoridades nacionais para a ESMA. A medida visa impulsionar "um mercado de capitais na Europa que seja mais integrado e globalmente competitivo" e "criar mais um mercado único de capitais na Europa".
No entanto, o plano enfrentou reações negativas de nações menores da UE, como Luxemburgo, Irlanda e Malta. Essas nações questionaram a capacidade da ESMA de supervisionar o mercado de criptomoedas em rápido crescimento, temendo que isso possa minar seus florescentes setores financeiros.
Alguns reguladores argumentaram que um único regulador financeiro, como a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), poderia se tornar um "monstro".

