O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um dos seus mais fortes alertas até agora sobre o rápido crescimento dos mercados tokenizados, argumentando que a tecnologia poderia remodelar as finanças globais de maneiras imprevisíveis.
Num novo vídeo explicativo publicado na sua conta X, o FMI afirmou que a tokenização oferece benefícios claros, como infraestrutura de mercado mais barata e rápida.
Mas advertiu que as mesmas características que impulsionam a eficiência também poderiam introduzir novas formas de volatilidade, incluindo eventos de tipo fechamento instantâneo ativados por liquidação automática e instantânea.
O vídeo enquadra a tokenização como o próximo grande passo na evolução do dinheiro, comparando tokens digitais programáveis com marcos anteriores como conchas, moedas, notas bancárias e os pagamentos digitais atuais.
De acordo com os pesquisadores do FMI, os modelos iniciais mostram "economias significativas de custos", com liquidação quase instantânea reduzindo as despesas de gestão de ativos em até 20%, ecoando estimativas de instituições como o J.P. Morgan.
No entanto, a velocidade traz riscos. O FMI apontou para o crash instantâneo de 2010 que eliminou quase 1 trilhão de dólares em minutos, alertando que os mercados tokenizados, impulsionados por contratos inteligentes e execução automatizada, poderiam amplificar choques semelhantes.
Contratos interconectados, disse, podem comportar-se "como dominós a cair" durante períodos de stress, transformando perturbações localizadas em eventos sistémicos mais amplos.
O FMI também alerta para a fragmentação se múltiplas plataformas tokenizadas surgirem sem interoperabilidade, enfraquecendo a liquidez e limitando as eficiências da tokenização.
O FMI argumenta que a coordenação e sistemas abertos são essenciais para prevenir ecossistemas isolados que não podem negociar ou liquidar entre si.
A instituição também lembra que os governos nunca se afastaram durante grandes mudanças no sistema monetário.
Desde a reestruturação de Bretton Woods em 1944 até ao colapso do padrão ouro três décadas depois, as instituições públicas remodelaram repetidamente as finanças globais quando novos modelos criaram novas pressões.
"Se a história servir de guia", disse o FMI, os governos poderiam assumir "um papel mais ativo" à medida que a tokenização se expande.
O lembrete do FMI sobre estes pontos de viragem sugere que a tokenização poderia estar a dirigir-se para uma era semelhante de envolvimento estatal mais profundo.
As autoridades visam construir estruturas legais e operacionais que gerem o risco em vez de restringir a tokenização diretamente.
Reguladores em todo o mundo, incluindo a UE, Singapura, o Reino Unido e os Estados Unidos, estão a clarificar como os ativos reais tokenizados devem ser tratados, com a maioria esperada a cair sob regras de valores mobiliários.
Novos requisitos focam-se na proteção do investidor e padrões de segurança atualizados para plataformas que operam sistemas baseados em contratos inteligentes.
Espera-se que o impulso para regras mais claras acelere a adoção institucional e aprofunde as ligações entre mercados tokenizados e finanças tradicionais.
Os governos também estão a tornar-se participantes, com iniciativas como os ensaios de Singapura de títulos governamentais tokenizados e transações CBDC por grosso.
Reguladores em todo o mundo já estão a preparar-se para essa mudança. Em agosto, a Federação Mundial de Bolsas instou a SEC dos EUA, a ESMA europeia e a IOSCO a apertar a supervisão de ações tokenizadas, alertando que muitas ofertas "imitam" ações sem oferecer direitos de acionista ou salvaguardas de mercado.
A Europa, um dos centros de crescimento mais rápido para ativos tokenizados de rendimento fixo, também levantou preocupações. A Diretora Executiva da ESMA, Natasha Cazenave, disse recentemente que a tokenização poderia transformar os mercados da região, mas apenas se as proteções ao investidor, regras de liquidação e estruturas legais evoluírem com ela.
A Europa agora acolhe mais de metade da emissão global tokenizada de rendimento fixo, e os funcionários estão a testar novas estruturas, incluindo dívida tokenizada apoiada pelo estado e modelos que ligam plataformas de ledger distribuido a sistemas de bancos centrais.
As expectativas do setor privado também estão a aumentar. Em outubro, o ex-presidente da TD Ameritrade, Joe Moglia, previu que "todos os ativos financeiros" serão tokenizados dentro de cinco anos.


