O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou em um discurso nesta 3ª feira (2.nov.2025) o termo “judiar”, considerado pejorativo por estar ligado a uma aversão aos judeus. O petista falava sobre a escalada de violência contra as mulheres quando declarou que é preciso haver um movimento nacional contra os “animais que batem, judiam e maltratam as mulheres” .
“Essa não é uma tarefa só das escolas, é uma tarefa nossa, homens. É preciso que haja um movimento nacional dos homens que batem, que maltratam e que judiam das mulheres”, disse o presidente.
A declaração foi dada em Ipojuca (PE) em uma cerimônia para ampliação da capacidade operacional na Refinaria Abreu e Lima.
Pouco depois da publicação do trecho nas redes sociais do governo, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) apagou o post e publicou uma nova versão em que a fala do presidente foi editada e o trecho com o termo “judiar” foi omitido. Não há nenhum tipo de aviso na publicação de que a declaração original foi alterada.
Embora o termo judiar signifique “maltratar” ou “fazer sofrer”, linguistas e especialistas em estudos culturais apontam que seu uso carrega uma carga histórica ligada ao antissemitismo.
Originalmente, a palavra descreve a violência ou o tratamento cruel imposto a judeus ao longo da história, assumindo depois o sentido generalizado de causar sofrimento a qualquer pessoa.
Ao longo de séculos, judeus foram alvo de perseguições, discriminações e acusações em diversos países. O governo nazista de Adolf Hitler (1889-1945) promoveu um extermínio de cerca de 6 milhões de judeus na Alemanha durante o período que ficou conhecido como Holocausto (1941-1945)
Lula afirmou que o comentário sobre violência contra a mulher foi motivado pela primeira-dama. “Lula, assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher“, relatou.


