Em um cenário global marcado por surtos crescentes de dengue, uma droga experimental abandonada por sua desenvolvedora gera esperança para combater o vírus. O antiviral mosnodenvir, originalmente criado pela farmacêutica Johnson & Johnson (J&J), demonstrou resultados positivos em testes clínicos recentes, mas teve seu desenvolvimento interrompido após uma mudança estratégica da empresa. Segundo reportagem da revista Science, o mosnodenvir demonstrou ser eficaz na prevenção da infecção por dengue em um ensaio clínico do tipo challenge trial, em que voluntários são deliberadamente expostos ao vírus. O estudo envolveu 31 participantes que receberam doses variadas do medicamento antes de serem infectados por uma cepa de dengue de baixa virulência. Os resultados revelaram uma resposta significativa na dose mais alta: seis dos dez voluntários desse grupo não desenvolveram a doença, e os demais apresentaram níveis baixos de vírus no sangue. Nos grupos de dose média e baixa, a eficácia foi menor, mas ainda assim houve um pequeno atraso no início da infecção. A pesquisa, liderada pela especialista Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, não identificou efeitos colaterais relevantes, reforçando o potencial da substância. Interrupção inesperada e repercussão no meio científico Apesar do avanço científico, a J&J anunciou em 2024 que deixaria de atuar na área de doenças infecciosas para focar em doenças crônicas e câncer. Com isso, o desenvolvimento do mosnodenvir foi interrompido, incluindo um grande estudo de campo iniciado em 2023, com mais de 1.600 participantes na América do Sul e Ásia. O ensaio buscava avaliar a eficácia do antiviral em pessoas que tiveram contato próximo com pacientes diagnosticados com dengue. Os dados preliminares desse estudo, publicados no portal ClinicalTrials.gov, mostraram que entre os 265 participantes que receberam a dose alta do medicamento, nenhum desenvolveu sintomas da doença. Dois casos assintomáticos foram identificados nesse grupo, contrastando com três infecções sintomáticas no grupo que recebeu placebo. A decisão da J&J gerou frustração entre especialistas. Sophie Yacoub, pesquisadora da Universidade de Oxford, afirmou à Science que acompanhou o desenvolvimento do medicamento por mais de uma década e classificou o cancelamento como decepcionante. Ela ressaltou, no entanto, que as negociações para que outra empresa assuma a produção estão em andamento, e se disse otimista: "Não é o fim. Veremos esse medicamento novamente". Oportunidades e limitações do uso emergencial A eficácia do mosnodenvir frente aos quatro sorotipos do vírus da dengue abre possibilidades importantes, especialmente em contextos emergenciais. Embora o uso em campanhas de larga escala durante epidemias seja considerado economicamente inviável, o medicamento pode ser estratégico para conter surtos localizados ou proteger viajantes que se dirigem a regiões endêmicas. Eng Eong Ooi, pesquisador da Duke–National University of Singapore Medical School, acredita que a aplicação rápida do antiviral em áreas onde surgem clusters da doença pode reduzir significativamente o número de infecções. Outro benefício é o fato de o mosnodenvir ser administrado por via oral e não conter vírus vivo, o que amplia sua segurança para públicos vulneráveis, como gestantes e pessoas imunocomprometidas — restrição comum nas vacinas atuais. Atualmente, há três vacinas contra a dengue disponíveis, mas com diferentes níveis de aprovação e limitações. A vacina da Sanofi enfrentou problemas de segurança e foi retirada do mercado. A japonesa Takeda lançou em 2022 uma versão em duas doses, aprovada em 41 países, mas ainda não licenciada nos Estados Unidos e com produção abaixo da demanda global. Mais recentemente, o Instituto Butantan, no Brasil, obteve aprovação para uma vacina de dose única, embora ainda haja incertezas quanto à capacidade de produção e distribuição em larga escala. Mais Lidas Em um cenário global marcado por surtos crescentes de dengue, uma droga experimental abandonada por sua desenvolvedora gera esperança para combater o vírus. O antiviral mosnodenvir, originalmente criado pela farmacêutica Johnson & Johnson (J&J), demonstrou resultados positivos em testes clínicos recentes, mas teve seu desenvolvimento interrompido após uma mudança estratégica da empresa. Segundo reportagem da revista Science, o mosnodenvir demonstrou ser eficaz na prevenção da infecção por dengue em um ensaio clínico do tipo challenge trial, em que voluntários são deliberadamente expostos ao vírus. O estudo envolveu 31 participantes que receberam doses variadas do medicamento antes de serem infectados por uma cepa de dengue de baixa virulência. Os resultados revelaram uma resposta significativa na dose mais alta: seis dos dez voluntários desse grupo não desenvolveram a doença, e os demais apresentaram níveis baixos de vírus no sangue. Nos grupos de dose média e baixa, a eficácia foi menor, mas ainda assim houve um pequeno atraso no início da infecção. A pesquisa, liderada pela especialista Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, não identificou efeitos colaterais relevantes, reforçando o potencial da substância. Interrupção inesperada e repercussão no meio científico Apesar do avanço científico, a J&J anunciou em 2024 que deixaria de atuar na área de doenças infecciosas para focar em doenças crônicas e câncer. Com isso, o desenvolvimento do mosnodenvir foi interrompido, incluindo um grande estudo de campo iniciado em 2023, com mais de 1.600 participantes na América do Sul e Ásia. O ensaio buscava avaliar a eficácia do antiviral em pessoas que tiveram contato próximo com pacientes diagnosticados com dengue. Os dados preliminares desse estudo, publicados no portal ClinicalTrials.gov, mostraram que entre os 265 participantes que receberam a dose alta do medicamento, nenhum desenvolveu sintomas da doença. Dois casos assintomáticos foram identificados nesse grupo, contrastando com três infecções sintomáticas no grupo que recebeu placebo. A decisão da J&J gerou frustração entre especialistas. Sophie Yacoub, pesquisadora da Universidade de Oxford, afirmou à Science que acompanhou o desenvolvimento do medicamento por mais de uma década e classificou o cancelamento como decepcionante. Ela ressaltou, no entanto, que as negociações para que outra empresa assuma a produção estão em andamento, e se disse otimista: "Não é o fim. Veremos esse medicamento novamente". Oportunidades e limitações do uso emergencial A eficácia do mosnodenvir frente aos quatro sorotipos do vírus da dengue abre possibilidades importantes, especialmente em contextos emergenciais. Embora o uso em campanhas de larga escala durante epidemias seja considerado economicamente inviável, o medicamento pode ser estratégico para conter surtos localizados ou proteger viajantes que se dirigem a regiões endêmicas. Eng Eong Ooi, pesquisador da Duke–National University of Singapore Medical School, acredita que a aplicação rápida do antiviral em áreas onde surgem clusters da doença pode reduzir significativamente o número de infecções. Outro benefício é o fato de o mosnodenvir ser administrado por via oral e não conter vírus vivo, o que amplia sua segurança para públicos vulneráveis, como gestantes e pessoas imunocomprometidas — restrição comum nas vacinas atuais. Atualmente, há três vacinas contra a dengue disponíveis, mas com diferentes níveis de aprovação e limitações. A vacina da Sanofi enfrentou problemas de segurança e foi retirada do mercado. A japonesa Takeda lançou em 2022 uma versão em duas doses, aprovada em 41 países, mas ainda não licenciada nos Estados Unidos e com produção abaixo da demanda global. Mais recentemente, o Instituto Butantan, no Brasil, obteve aprovação para uma vacina de dose única, embora ainda haja incertezas quanto à capacidade de produção e distribuição em larga escala. Mais Lidas
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