Para Alexandre Magno, que comanda a maior varejista de vinho do Brasil, acordo de livre comércio deve ter impacto mais relevante na qualidade da bebida consumidPara Alexandre Magno, que comanda a maior varejista de vinho do Brasil, acordo de livre comércio deve ter impacto mais relevante na qualidade da bebida consumid

Preço do vinho poderá cair 20% com acordo Mercosul-UE. Mas não agora, diz CEO da Wine

2026/01/13 20:49

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve levar a uma queda real do preço dos vinhos importados no Brasil, mas o efeito não será imediato.

Segundo Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine, maior varejista de vinhos do Brasil, a redução deve ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos anos e tende a exercer um impacto mais relevante na qualidade do vinho consumido pelos brasileiros do que no curto prazo do ponto de vista de preços nas prateleiras.

“Pelas nossas contas, deve haver uma queda em torno de 20% no preço dos vinhos europeus. Quando houver alíquota zero de verdade, o preço tende a diminuir, sim”, disse Magno em entrevista à Bloomberg Línea.

O executivo ressaltou, porém, que o cronograma é longo e exige cautela na leitura dos efeitos do acordo.

Magno explicou que o acordo entre os dois blocos é visto como uma mudança estrutural relevante para o setor. Segundo ele, o vinho importado chega ao Brasil com uma estrutura de custos elevada, que vai além do imposto de importação.

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“O consumidor às vezes vai ao supermercado na Espanha e fala ‘vinho aqui custa 5 euros’, e esquece que os 5 euros já viram quase R$ 40. Aí tem imposto, custo de transporte e uma alíquota muito alta no Brasil, quase 40%, somando IPI, PIS, Cofins e ICMS”, explicou o executivo.

Nesse contexto, “o acordo como um todo deve ser celebrado. Foram 25 anos de negociação e, para setores específicos como o vinho, o consumidor tende a ganhar muito”, afirmou Magno.

A principal mudança, segundo ele, está na possibilidade de os vinhos europeus competirem em condições mais próximas às dos produtos da América do Sul. Hoje, explicou, o Chile lidera com folga o mercado brasileiro de vinhos importados, em grande parte por não pagar imposto de importação e dispor de custos logísticos mais baixos.

“Um dos motivos de o Chile ser líder da categoria no Brasil é que não tem imposto de importação e os custos de transporte são muito melhores. Trazendo Portugal e Espanha em condições mais equivalentes, passaremos a ter uma briga de escala de verdade”, disse.

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Apesar do otimismo com o impacto de longo prazo, Magno destacou que o consumidor não deve esperar uma redução imediata nos preços.

O acordo firmado agora funciona como um “guarda-chuva” e ainda depende de negociações setoriais e de um cronograma específico de redução tarifária.

“A expectativa que o Ministério do Desenvolvimento nos passou é que seja possível zerar o imposto entre oito e doze anos”, afirmou. Segundo ele, a redução efetiva do imposto de importação deve começar apenas daqui a dois ou três anos. “O consumidor não vai sentir um impacto imediato”, disse.

Quando a redução começar a ser sentida, o efeito também não será homogêneo em todas as faixas de preço. Vinhos mais baratos tendem a ter variações pequenas na gôndola, enquanto rótulos de maior valor devem concentrar os maiores ganhos.

“No produto barato, a variação vai ser de R$ 5 ou R$ 6 na gôndola. Mas quando você fala de um vinho que chega aqui por R$ 200, ele pode passar a custar R$ 150”, afirmou o executivo.

Essa dinâmica, na avaliação de Magno, pode acelerar um processo já em curso no mercado brasileiro, de migração gradual para vinhos de melhor qualidade.

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“Já vemos um movimento de premiumização, com o consumidor passando para vinhos de qualidade um pouco maior”, disse.

Para ele, a queda mais expressiva nos preços dos vinhos de maior valor tende a estimular esse movimento. “Pode acelerar esse processo porque o produto mais caro é o que vai sofrer mais redução de preço.”

O impacto do acordo também deve provocar ajustes na estratégia de produtores sul-americanos.

Segundo Magno, muitos vinhos de entrada da região já operam próximos ao piso de preço. “Pode ser que os vinhos de entrada da América do Sul fiquem mal posicionados e as vinícolas tentem se reposicionar em uma categoria média, com produtos melhores”, afirmou, destacando que se trata de uma leitura com base em conversas com fornecedores, e não de uma certeza de mercado.

Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine: acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia deve se refletir em mais qualidade do vinho consumido no Brasil

Menos LatAm e mais Europa

No caso da Wine, a empresa já vem se posicionando para esse novo cenário.

Hoje, 37% dos vinhos vendidos pelo grupo são de origem europeia, acima da média de 32% do mercado brasileiro, disse Magno.

Para o executivo, o principal desafio estrutural do mercado brasileiro de vinhos sempre foi esclarecer a percepção de custo-benefício. O preço médio de venda ao consumidor final gira em torno de R$ 45 por garrafa, com cerca de 60% do volume concentrado até essa faixa.

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“O vinho começou a ser importado no Brasil de uma maneira ‘meio torta’ e foi posicionado como um produto premium. Muito consumidor tem receio de comprar um vinho de R$ 40 ou R$ 50 achando que vai errar”, disse.

Na avaliação dele, acordos comerciais que reduzam custos e permitam repasse ao consumidor são fundamentais para ampliar o engajamento com a categoria.

A redução dos preços, quando ocorrer, deve ser menos sobre reduzir o vinho no curto prazo e mais sobre mudar o padrão de consumo no país. Para Magno, o efeito mais duradouro do acordo tende a ser a melhora do vinho que chega ao copo do brasileiro, ainda que isso leve tempo para se materializar.

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