Dois dias antes das eleições gerais de 15 de janeiro no Uganda, o governo ordenou que as redes móveis e os fornecedores de serviços de internet (ISPs) suspendessem o acesso público à internet, bloqueassem novos registos de cartões SIM e interrompessem as chamadas em roaming.
Numa carta datada de 13 de janeiro vista pela TechCabal, a Comissão de Comunicações do Uganda (UCC) afirmou que as medidas entrariam em vigor a partir das 18:00, hora local, de terça-feira e permaneceriam em vigor até novo aviso. As restrições abrangem redes sociais, navegação na web, streaming de vídeo, aplicações de mensagens e outros serviços online. O roaming de dados móveis também é afetado.
A diretiva segue uma tendência crescente em África, onde os governos bloqueiam temporariamente o acesso à internet durante as eleições, perturbando a vida quotidiana de milhões de pessoas que dependem dela para informação, comunicação e serviços essenciais, como pagamentos móveis.
"A suspensão aplica-se à banda larga móvel, fibra ótica, linhas dedicadas, acesso sem fios fixo, ligações de rádio por micro-ondas e serviços de internet via satélite", afirmou o diretor executivo da UCC, Nyombi Thembo, na carta.
A UCC afirma que a medida irá prevenir a desinformação e garantir a segurança durante o período eleitoral. Apenas serviços essenciais, como hospitais, sistemas bancários, plataformas de pagamento governamentais e sistemas eleitorais seguros, poderão operar através de intervalos de IP dedicados, VPNs ou circuitos privados, afirmou a comissão.
Esta não é a primeira vez que o Uganda restringe o acesso à internet durante eleições. Em 2021, o governo encerrou a internet por mais de 100 horas. Segundo a Reuters, a Netblocks estimou que o encerramento de quase cinco dias custou à economia ugandesa cerca de 9 milhões de dólares.
O Presidente Yoweri Museveni, de 81 anos, procura a reeleição contra sete desafiantes, incluindo a estrela pop Robert Kyagulanyi, popularmente conhecido como Bobi Wine. Museveni está no poder desde 1986.
Restrições de internet semelhantes ocorreram no ano passado na Tanzânia. Durante as eleições gerais de 2025, o acesso à internet, redes sociais e aplicações de mensagens foi temporariamente encerrado, bloqueando milhões de pessoas do acesso a redes bancárias e de pagamento móvel como a NALA.


