Inteligência artificial — Foto: Bussarin Rinchumrus/Getty Images
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ligeiramente sua projeção para o crescimento global neste ano, mas alertou que uma possível bolha de inteligência artificial, assim como tensões comerciais e geopolíticas são riscos para a economia mundial. A instituição agora espera crescimento global de 3,3% neste ano, acima dos 3,1% previstos em outubro. Na contramão, o Brasil teve sua expansão revisada para baixo, de 1,9% para 1,6%.
As estimativas estão no relatório Perspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook), publicado nesta segunda-feira. O documento foi elaborado antes das ameaças do presidente americano, Donald Trump, de taxar países europeus que não concordam com a ideia dos EUA anexarem a Groenlândia. Uma eventual nova guerra tarifária deve provocar mais instabilidade nos planos político e econômico em 2026.
O FMI destaca o aumento dos gastos com tecnologia, como a inteligência artificial, especialmente nos EUA e na Ásia, como um motor de crescimento. No entanto, se os ganhos de produtividade esperados não se concretizarem, isso poderá desencadear uma queda “abrupta” nos mercados, que poderia se espalhar para outros setores e corroer a riqueza das famílias, alertou o Fundo.
“O crescimento global tem se mostrado impressionantemente resiliente em meio às disrupções comerciais, mas isso mascara fragilidades subjacentes ligadas à concentração de investimentos no setor de tecnologia”, afirmaram o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, e o consultor financeiro do Fundo Tobias Adrian.
O Brasil foi um dos poucos países que estão entre as principais economias do mundo, entre nações ricas e emergentes, que teve o Produto Interno Bruto (PIB, coma de bens e serviços produzidos) de 2026 revisto para baixo pelo FMI.
Países ricos, como Estados Unidos, França e Alemanha devem crescer um pouco mais que o previsto. Entre os emergentes, China e Índia também vão avançar mais. A exceção é a Rússia, que está em guerra com a Ucrânia há quase quatro anos. O país deve crescer 0,8% em 2026, prevê o FMI. No relatório anterior, a estimativa era de avanço de 1%.
No caso da China, que divulgou hoje ter crescido 5% no ano passado, a expectativa é de desaceleração em 2026, para 4,5%. Ainda assim, o país vai crescer mais que o previsto pelo Fundo em outubro.
Para 2027, a estimativa para o crescimento global foi mantida em 3,2%. No caso brasileiro, a economia deve voltar a crescer com mais força, avançando 2,3% (0,1% mais que o previsto anteriormente), segundo o FMI. A instituição não explica o que motivou as revisões para a economia brasileira.
No ano passado, o Brasil cresceu 2,5%, de acordo o Fundo. Nas projeções do mercado brasileiro, o PIB avançou 2,26%. Para 2026, a previsão do mercado é de 1,8%, de acordo com o Boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central.
No relatório, o FMI afirmou que o impacto do tarifaço de Donald Trump deveria diminuir neste ano e no próximo, mas que novas disputas comerciais podem surgir e mais países podem adotar uma “postura protecionista”.
A avaliação foi feita antes das novas ameaças do presidente americano à Europa. Trump ameaçou impor tarifas a oito países europeus — incluindo França, Alemanha e Reino Unido — que se opõem ao seu plano de tomada da Groenlândia.
As tarifas de 10% entrarão em vigor em 1º de fevereiro, segundo o presidente americano, e subirão para 25% em junho. Líderes europeus estão discutindo várias opções de resposta, incluindo tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos americanos.


