O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos registrou crescimento anualizado de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, conforme aponta a segunda estimativa divulgada pelo Departamento de Comércio norte-americano nesta quinta-feira (22).
O resultado veio acima dos 4,3% apurados na leitura anterior e também superou levemente a alta de 4,3% estimada por parte dos analistas.
O crescimento do PIB também acelerou em relação ao segundo trimestre, quando a economia avançou 3,8%, impactado pelo efeito das tarifas sobre as importações, apontam especialistas.
Em relação à estimativa inicial, divulgada em 23 de dezembro, houve uma revisão positiva de 0,01 ponto percentual, representando o maior crescimento da economia norte-americana em dois anos.
Segundo o relatório, o crescimento do PIB no terceiro trimestre refletiu a expansão do consumo, das exportações, dos gastos do governo e dos investimentos. As importações, que são subtraídas no cálculo do PIB, diminuíram no período.
A revisão positiva de 0,1 ponto percentual em relação à leitura anterior ocorreu principalmente em função de revisões para cima nas exportações e nos investimentos.
Esse movimento foi parcialmente compensado por uma revisão para baixo no consumo. As importações também foram revisadas para cima, segundo o Departamento de Comércio.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que “uma revisão ainda mais para cima desse terceiro trimestre mostrou um crescimento saudável, com os gastos do consumidor americano crescendo 3,5% entre julho e setembro”.
O estrategista destaca que os investimentos empresariais também permaneceram elevados, especialmente em equipamentos de hardware e software, que se mantiveram muito fortes, refletindo o crescimento do apetite por tecnologia, especialmente inteligência artificial.
Alves avalia que a leitura geral indica um período de forte expansão da economia americana. Ao detalhar a composição do consumo, observa diferenças entre setores. “Quando a gente olha alguns serviços específicos, os gastos com health care (saúde) cresceram 3,6%, um pouco acima dos gastos com compra de produtos, que foi 3%”.
Ele também chama atenção para o setor externo. Segundo o especialista, fatores comerciais podem ter influenciado esse movimento. “As tarifas têm um impacto que não pode ser desprezado, afinal de contas ficou mais caro importar, então acaba importando menos.”
Por fim, Alves ressalta o papel do câmbio. “Como você continua mantendo exportações e o dólar fraco ajuda nesse sentido, isso acaba ajudando o PIB também”, concluiu.
As vendas finais reais a compradores privados domésticos (indicador que corresponde à soma do consumo e do investimento fixo privado, usado para medir a demanda interna) cresceram 2,9% no terceiro trimestre.
Esse resultado foi revisado para baixo em 0,1 ponto percentual em relação à estimativa anterior.
O Departamento de Comércio informou que, devido à recente paralisação do governo dos Estados Unidos, este relatório atualizado do terceiro trimestre de 2025 substitui a divulgação da terceira estimativa, que estava originalmente prevista para 19 de dezembro de 2025.
A primeira leitura, publicada em dezembro após o shutdown, apontava crescimento de 4,3% no período. À época, analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam o mesmo avanço de 4,3% para a segunda leitura.
Alves chama atenção para o fato de que ainda vai demorar um mês para ter o dado do PIB do quarto trimestre, negativamente influenciado pelo shutdown de 43 dias. Em geral, aponta o especialista, o mercado espera uma desaceleração da economia americana.
Segundo o estrategista, os resultados divulgados trazem números bons, revelando uma economia forte, a despeito de todos os riscos e receios discutidos em relação à economia americana.
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