O filme “Pecadores”, dirigido por Ryan Coogler, lidera as indicações ao Oscar 2026 com 16 nomeações. O longa se tornou o mais indicado da história do prêmio. A lista completa com os nomeados foi divulgada nesta 5ª feira (22.jan.2026).
O filme brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, 57 anos, e protagonizado por Wagner Moura, 49 anos, também foi destaque. A obra foi indicada ao Oscar 2026 em 4 categorias —igualando o recorde histórico de indicações para um longa nacional, alcançado também por “Cidade de Deus” em 2004. São elas:
A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada em Los Angeles (EUA), em 15 de março.
Outros longas que se destacaram são: “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, com 13 indicações; “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, com 9 indicações (principal concorrente de “O Agente Secreto” na categoria Melhor Filme Internacional); e “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao, com 8 indicações.
Os indicados são escolhidos por votação dos integrantes da Academia, que incluem profissionais de diversas áreas do cinema, como diretores, roteiristas, atores, produtores e técnicos. Cada categoria tem regras próprias: por exemplo, todos votam para eleger o Melhor Filme, enquanto só profissionais de cada área votam em categorias técnicas específicas, como fotografia ou efeitos visuais.
Eis a lista completa dos indicados:
Melhor Atriz Coadjuvante
Melhor Maquiagem e Penteados
Melhor Trilha Sonora Original
Melhor Curta-Metragem em Live Action
Melhor Curta-Metragem de Animação
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Direção de Elenco
Melhor Figurino
Melhor Documentário de Curta-Metragem
Melhor Documentário
Melhor Canção Original
Melhor Filme Internacional
Melhor Animação
Melhor Design de Produção
Melhor Montagem
Melhor Som
Melhores Efeitos Visuais
Melhor Fotografia
Melhor Ator
Melhor Atriz
Melhor Direção
Melhor Filme
O favorito ao prêmio de Melhor Filme é “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson. O longa venceu a categoria principal em 2 importantes termômetros do Oscar: Globo de Ouro e Critics Choice Awards. Embora ambos os prêmios televisionados não influam diretamente no Oscar, são importantes, pois dão visibilidade e ajudam nas campanhas.
O filme de PTA aborda um ex-revolucionário a procura de sua filha, capturada por um inimigo do passado. A obra toca em temas sensíveis dos Estados Unidos de hoje: imigração e ação de forças policiais.
“Pecadores” desponta com força na competição, depois de se tornar o longa mais indicado da história do Oscar. O filme é ambientado na década de 30, no Delta do Mississípi, e aborda memória e cultura negra em uma surpreendente trama de horror.
“Valor Sentimental” é o filme estrangeiro com mais indicações, e deve se confirmar como o oponente direto de “O Agente Secreto” na busca pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. Em caso de vitória brasileira, seria o 2º ano seguido que uma obra nacional vence a categoria, depois de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles.
A disputa para Melhor Ator é também concorrida. Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, tem pela frente Timothée Chalamet, 30 anos, que angaria sua 3ª indicação ao Oscar na categoria. Ethan Hawke, um ator querido pela indústria hollywoodiana, também pode crescer na disputa.
A produção é ambientada em 1977 e tem como pano de fundo a ditadura militar (1964-1985). Wagner Moura interpreta Marcelo (ou Armando), um ex-professor universitário que tenta recomeçar a vida depois de se envolver em um conflito perigoso com um empresário ligado ao governo. Ele retorna para sua cidade natal, Recife, em busca de paz, mas logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procurava.
O filme, cheio de reviravoltas, humor e referências à cultura pernambucana, estreou nos cinemas brasileiros em novembro.
O diretor de “Bacurau” e “Aquarius”, Kleber Mendonça Filho, disse, em entrevista ao Poder360, que “O Agente Secreto” faz uma “constatação dolorida” da relação do Brasil com a história.
“Eu escrevi ‘O Agente Secreto’ para Wagner, pensando em todos os grandes papéis que ele já tinha feito no teatro, televisão e cinema. Por tê-lo conhecido como pessoa também. E eu escrevi especificamente para ele. Acho que ele tem um carisma extremamente cinematográfico que é muito bom para esse filme, e era isso que eu queria trabalhar com ele“, afirmou o diretor.
Esta reportagem foi produzida pelo estagiário de jornalismo João Lucas Casanova sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.


