Cartões de crédito revolucionaram os meios de pagamento — Foto: Arte/EN
A cena já virou mais do que comum no dia a dia: entrar em uma loja, escolher os itens que quer levar, ir ao caixa e, em vez de entregar o dinheiro, usar um cartão de crédito para pagar, seja físico ou pelo celular. Mas como é que os cartões de crédito surgiram?
Para entender essa história, é preciso voltar a 1949. Naquele ano, o empresário norte-americano Frank McNamara jantava com clientes no Major's Cabin Grill, em Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos. Ao receber a conta, ele percebeu que havia esquecido a carteira. A situação fez o executivo idealizar uma forma universal de pagamento, sem dinheiro em espécie e sem cheques.
Frank McNamara — Foto: Reprodução Diners Club
McNamara, então, se uniu ao seu advogado, Ralph Schneider, e desenvolveu a ideia de uma conta de crédito para empresários. Em 8 de fevereiro de 1950, eles retornaram ao Major's Cabin Grill e pagaram com um protótipo do cartão Diners Club, que marcou o primeiro pagamento com um cartão de crédito que não era restrito a um único banco nem uma só localidade.
Propaganda da Diners' Club — Foto: Reprodução Diners' Club
A história é contada pela própria Diners Club, uma marca global de cartões de crédito premium e que existe até hoje. Segundo a empresa, no ano seguinte ao lançamento do cartão de crédito, o número de membros já estava em 42 mil. Em 1953, a empresa diz ter se tornado o primeiro cartão de crédito internacionalmente aceito no Reino Unido, no Canadá, em Cuba e no México, e anos mais tarde estendeu-se muitos outros países.
Cartão da Diners Club — Foto: Reprodução Diners Club
Embora McNamara seja considerado o “pai” do cartão de crédito moderno, a invenção teve um processo gradual. Antes mesmo de 1950, grandes lojas de departamento, postos de combustíveis e hotéis já ofereciam seus “cartões”. Mas eles funcionavam apenas para aqueles estabelecimentos.
Vale citar também o banqueiro norte-americano John Biggins. Ele era um executivo do Flatbush National Bank, no Brooklyn, em Nova York, e em 1946 criou o chamado “Charg-It”, considerado por alguns o primeiro sistema bancário de cartão de crédito. Nesse caso, o cliente comprava em uma loja usando o Charg-It, o comerciante levava o comprovante no banco, o banco pagava o lojista e, posteriormente, o valor era debitado da conta do cliente. O Charg-It, porém, só funcionava localmente, em um raio de dois quarteirões, mas foi um marco ao usar o banco como intermediário.
Os cartões, tanto de crédito quanto de débito, são amplamente utilizados no Brasil. Mas os sistemas de pagamento foram mudando ao longo do tempo e até o cartão físico está movendo para o digital.
E pensar que o cartão sugerido por McNamara começou em papel cartão mesmo com informações do cliente, que eram anotadas pelo comerciante. Depois, passaram a ser de metal, principalmente para cliente mais premium, para então chegar ao cartão de plástico em 1959 pela American Express.
Há quem se lembre ainda que os cartões tinham números em alto-relevo e passaram a ser usados em máquinas manuais. O comerciante colocava o cartão e um formulário com papel carbono na máquina, deslizava o rolo e os dados eram prensados e transferidos para o papel, evitando erros de escrita manual. Foi nos anos de 1970 que as tarjas magnéticas começaram a aparecer, com as primeiras leituras eletrônicas e transações automatizadas.
Nos anos seguintes, começou um processo de combate às fraudes, com a possibilidade de verificação em tempo real, com máquinas de ponto de vendas que se conectavam via linha telefônica. Nos anos 1990 e 2000 chegam os chips, um microprocessador, para adicionar mais segurança aos cartões de crédito e para combater as clonagens, comuns nas tarjas magnéticas.
Não muito tempo atrás surgem os pagamentos por aproximação, chamados NFC, que ganharam mais notoriedade nos anos 2010 com a chegada das carteiras digitais em smartphones. Hoje em dia, além de pagar pelo celular, dá até para quitar uma conta com relógios inteligentes e anéis, tudo isso sem a necessidade de um cartão físico.
Pagamento por aproximação — Foto: Pexels
Banner da série Invenções — Foto: Clayton Rodrigues


