Mercados americanos operam em queda com pressão da Intel e tensões globais.
Os futuros das bolsas dos Estados Unidos operam em queda nesta sexta-feira (23), pressionados pelo forte recuo das ações da Intel após projeções abaixo do esperado e pela manutenção das incertezas geopolíticas envolvendo declarações do presidente Donald Trump. O movimento deixa o S&P 500 e o Nasdaq a caminho da segunda semana consecutiva de perdas.
Na manhã desta sexta, investidores também aguardam dados econômicos relevantes, como os índices de atividade (PMI) de janeiro, que podem trazer pistas adicionais sobre o ritmo da economia americana e os próximos passos do Federal Reserve.
Por volta das 6h57 (horário de Nova York), os principais índices futuros operavam no vermelho:
O movimento ocorre após dois pregões de recuperação, que sucederam a forte liquidação observada no início da semana.
O principal destaque negativo do dia é a Intel, cujas ações caíam cerca de 12,8% no pré-mercado. A fabricante de semicondutores divulgou projeções de receita e lucro para o próximo trimestre abaixo das estimativas do mercado.
Segundo a companhia, a demanda por seus chips voltados a data centers e inteligência artificial ficou aquém do esperado, ampliando preocupações sobre sua capacidade de competir com rivais em um dos segmentos mais estratégicos do setor de tecnologia.
Apesar da forte queda desta sexta-feira, os papéis da Intel ainda acumulam alta próxima de 50% no ano, o que contribuiu para uma reação mais dura dos investidores ao guidance frustrante.
Intel caindo muito no pré mercado em Wall Street
O apetite ao risco segue limitado após declarações recentes do presidente Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a aliados europeus caso os Estados Unidos não fossem autorizados a comprar a Groenlândia.
Embora Trump tenha posteriormente suavizado o discurso — afastando a possibilidade de uso da força —, o episódio reforçou o ambiente de incerteza global. Como consequência, ativos de proteção seguem valorizados.
O ouro renovou máximas históricas, caminhando para sua melhor semana em quase seis anos, reflexo direto da busca por segurança diante do cenário geopolítico instável.
A próxima semana promete ser decisiva para Wall Street, com a divulgação dos resultados de diversas empresas do grupo conhecido como “Magnificent Seven”, entre elas:
Devido ao peso dessas companhias nos índices, seus balanços e projeções serão fundamentais para avaliar se o crescimento atual ainda justifica os níveis elevados de valuation observados no mercado americano.
Na contramão do mau humor do setor, a Nvidia avançava 1,3%, após a Bloomberg noticiar que autoridades chinesas teriam autorizado empresas como Alibaba, Tencent e ByteDance a se prepararem para encomendas do chip H200, voltado a aplicações de inteligência artificial.
A notícia reforça a resiliência da demanda global por soluções de IA, mesmo em um ambiente regulatório e geopolítico mais desafiador.
O foco do mercado também se volta para a próxima reunião do Federal Reserve, na qual a expectativa majoritária é de manutenção dos juros na faixa de 3,5% a 3,75%.
Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, os investidores seguem precificando o primeiro corte de juros para junho. Ainda assim, o tom do comunicado e as falas do presidente do Fed, Jerome Powell, serão analisados com atenção em busca de sinais sobre o ritmo e a intensidade do ciclo de afrouxamento monetário.
Trump, que voltou a criticar Powell por demorar a reduzir os juros, afirmou que deve anunciar em breve sua escolha para o próximo presidente do banco central.
Além da Intel, outros papéis chamaram a atenção no pré-mercado:


