Dominância do dólar segue forte apesar do avanço do Bitcoin Modelos do FMI projetam mudança apenas após 2046 Bitcoin cresce como ativo, mas ainda não como moedaDominância do dólar segue forte apesar do avanço do Bitcoin Modelos do FMI projetam mudança apenas após 2046 Bitcoin cresce como ativo, mas ainda não como moeda

Bitcoin fora do trono? FMI prevê domínio do dólar até 2046

2026/01/24 19:00
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  • Dominância do dólar segue forte apesar do avanço do Bitcoin
  • Modelos do FMI projetam mudança apenas após 2046
  • Bitcoin cresce como ativo, mas ainda não como moeda global

Os debates sobre o futuro das moedas globais continuam a ganhar força, mas o FMI mantém uma posição clara, o dólar seguirá dominante até meados de 2046. A previsão surge em meio ao crescimento da adoção institucional do Bitcoin, mas também reflete restrições estruturais que mudam muito lentamente no sistema financeiro internacional.

Embora o interesse por criptomoedas avance com rapidez, os dados das reservas globais mostram outro cenário. No segundo trimestre de 2025, as reservas cambiais alcançaram US$ 12,94 trilhões, e o dólar ainda respondia por 56,32% desse total. Assim, os modelos do FMI sugerem que qualquer mudança profunda exige décadas, não anos.

O relatório do primeiro trimestre de 2025 reforçou essa lentidão. O dólar representava 57,74% das reservas alocadas, seguido pelo euro com 20,06% e pelo renminbi com 2,12%. Esses números definem a base das carteiras oficiais, que operam com ativos considerados seguros e altamente líquidos.

Novo impulso ao dólar nos mercados globais

Os fluxos de financiamento e hedge também sustentam o domínio americano. Em abril de 2022, o dólar apareceu em 88% das transações cambiais globais, uma marca que evidencia sua função central. Além disso, os títulos do Tesouro dos EUA continuam como o núcleo colateral da rede financeira global. Em janeiro de 2026, havia cerca de US$ 30,3 trilhões em títulos em circulação.

Esse longo alcance colateral revela por que muitos analistas afirmam que o Bitcoin enfrenta dois desafios diferentes. O primeiro envolve torná-lo um ativo de reserva complementar, aceito em pequenas proporções por bancos centrais. O segundo, muito mais complexo, exige transformar o BTC em moeda de reserva dominante, usada em contratos, faturamentos e liquidações internacionais.

No entanto, as práticas de precificação globais se mostram resistentes a rupturas rápidas. As convenções contábeis, os mecanismos de financiamento e o comportamento em crises reforçam a continuidade do dólar, conforme descrito na nota “Moedas Dominantes e Ajuste Externo”, do próprio FMI.

Infraestrutura tokenizada pode fortalecer ainda mais o dólar

Os projetos emergentes indicam um futuro onde a tecnologia muda, mas as moedas centrais permanecem. O BIS vem testando plataformas de pagamentos programáveis por meio do Projeto Agorá, que envolve depósitos tokenizados e dinheiro de bancos centrais. Esse esforço tende a expandir o uso do dólar, não substituí-lo.

As previsões corporativas também mostram essa tendência. O Citi estima que as stablecoins podem atingir até US$ 4 trilhões em emissão até 2030, enquanto a McKinsey prevê até US$ 4 trilhões em ativos do mundo real tokenizados no mesmo período. Nada disso altera a moeda de referência: o dólar continua no centro.

Apesar disso, o acesso regulado ao Bitcoin cresce. A aprovação dos ETPs de BTC pela SEC em 2024 padronizou a entrada de investidores institucionais. Hoje, os ETFs de Bitcoin à vista já superam US$ 117 bilhões em ativos sob gestão, com volumes acumulados acima de US$ 2 trilhões. Mas esses avanços mexem apenas na adoção como ativo, não na posição do BTC como moeda global.

Enquanto isso, bancos centrais reforçam suas reservas de ouro, não de Bitcoin. Em 2024, eles compraram cerca de 1.045 toneladas, marcando o terceiro ano acima de 1.000 toneladas. O ouro permanece como principal alternativa de diversificação, dentro de regras contábeis já consolidadas.

Diante desses fatores, o modelo de cenário do FMI indica que a “janela plausível mais cedo” para uma primazia do Bitcoin como moeda de reserva se situa por volta de 2046. Até lá, o BTC pode avançar como garantia e ativo de liquidez, mas o dólar seguirá comandando pagamentos internacionais, reservas cambiais e mercados globais.

No curto prazo, a grande questão é outra, o Bitcoin conseguirá consolidar um papel relevante em carteiras oficiais, tornando-se um componente viável em momentos de crise? Essa resposta pode definir seu verdadeiro caminho até 2046.

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