Estudo conduzido por grupo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) analisou 282 milhões de tweetsEstudo conduzido por grupo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) analisou 282 milhões de tweets

Discurso de ódio contra nordestinos cresceu 821% nas eleições de 2022

2026/01/25 04:55
Leu 3 min
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Um estudo desenvolvido pelo grupo Interfaces da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) observou que a xenofobia contra nordestinos nas redes sociais cresceu 821% na última eleição presidencial, em 2022, apontando padrões de discurso de ódio recorrentes.

A pesquisa quantificou, com métodos computacionais, o fenômeno do preconceito regional nas redes sociais, analisando 282 milhões de tweets postados de julho a dezembro de 2022.

O estudo revelou que, à medida que o pleito eleitoral se aproximava, termos pejorativos passaram a aparecer cada vez mais associados à palavra “nordestino” nas publicações do Twitter (atual X). No mês de outubro, quando foram realizados os 2 turnos da eleição, a proporção de postagens mencionando o Nordeste triplicou em relação aos meses anteriores.

O trabalho contou com financiamento da Fapesp e foi publicado em artigo na revista científica GEMInIS.

Padrões “invisíveis” ao olho humano

Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisa utilizou técnicas avançadas de PLN (processamento de linguagem natural), um ramo da inteligência artificial que permite aos computadores entender e analisar grandes volumes de texto.

Ao todo, os pesquisadores empregaram 4 técnicas computacionais complementares. A principal delas foi o algoritmo Word2Vec, que funciona como um mapeador de proximidade entre palavras. “Esse algoritmo classifica uma associação entre 2 termos de 0% [nenhuma associação] a 100% [significado semântico igual]”, explicaram os autores do artigo à assessoria de imprensa do Interfaces.

O método permite identificar quais palavras aparecem frequentemente juntas no mesmo contexto. Se alguém escreve regularmente “nordestino” próximo a “ingrato”, por exemplo, o algoritmo detecta a associação e a quantifica. É uma técnica neutra que apenas mapeia padrões existentes nos textos, sem fazer julgamentos sobre seu conteúdo.

Os dados mostraram uma progressão temporal clara: em julho de 2022, início do período analisado, palavras neutras ou geográficas predominavam nas menções ao Nordeste, termos como “sertão”, “interior” e nomes de Estados. Em setembro, a palavra “pobre” saltou de uma associação de 57% para 67% com “nordestino”. Em outubro, mês das eleições, surgiram pela 1ª vez as palavras “ingrato” (64% de associação) e “analfabeto” (59%).

Um detalhe metodológico importante é que as palavras pejorativas não foram pré-selecionadas pelos pesquisadores, mas surgiram da análise computacional dos dados. “Isso é uma evidência de que os textos coletados sob as condições dessa pesquisa contêm sentenças que associam nordestinos e o Nordeste brasileiro às ideias associadas com tais palavras-chave”, afirmaram os cientistas.

Padrão histórico

Os dados coletados pelos pesquisadores corroboram estatísticas da ONG Safernet, que opera em cooperação com o Ministério Público Federal. Segundo a organização, 2022 foi o 3º ano eleitoral consecutivo com crescimento expressivo de crimes de ódio on-line. Além da xenofobia, que liderou o ranking com aumento de 821%, também cresceram os casos de intolerância religiosa (522%) e misoginia (184%).

“O preconceito regional no Brasil, especificamente contra o nordestino, se constitui em uma forma de xenofobia moderna”, escreveram os pesquisadores. Eles explicam que esses discursos se ancoram em estereótipos históricos que remontam ao fim do século 19, relacionados a questões climáticas, econômicas e migratórias.

Do ponto de vista legal, os pesquisadores observam que a aplicação da Lei 7.716/1989 (Lei Antirracismo) aos casos de xenofobia regional permanece limitada no Brasil. O estudo fornece evidências quantitativas que podem subsidiar discussões sobre regulação de plataformas digitais e políticas de moderação de conteúdo.

Os pesquisadores apontam que as plataformas digitais possuem tecnologia para detectar conteúdos problemáticos –similar à usada para identificar violações de direitos autorais–, mas sua aplicação para combater discursos de ódio depende de decisões corporativas e regulatórias.


Com informações da Agência Fapesp.

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