O Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 68,79 bilhões nas transações correntes, o equivalente a 3,03% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26).
Na comparação histórica, trata-se do maior déficit nessa proporção desde 2014, quando o resultado negativo somou US$ 110,49 bilhões, ou 4,50% do PIB.
Em dezembro, a conta corrente apresentou déficit de US$ 3,36 bilhões, enquanto as projeções do mercado indicavam resultado negativo, variando de US$ 12,21 bilhões a US$ 4,2 bilhões.
No acumulado do ano, o déficit também ficou abaixo da projeção do próprio Banco Central, que indicava déficit de US$ 76 bilhões para 2025.
Segundo o BC, o déficit em transações correntes de dezembro foi o menor para o mês desde 2015, quando houve superávit de US$ 80,8 milhões. Em dezembro de 2024, o saldo negativo era de US$ 10,23 bilhões.
De acordo com o Banco Central, o aumento de US$ 2,6 bilhões no déficit na comparação anual está relacionado principalmente à redução de US$ 5,9 bilhões no superávit da balança comercial.
Esse movimento foi parcialmente compensado pela redução de US$ 2,2 bilhões no déficit da conta de serviços. Também contribuiu para o resultado o aumento de US$ 1 bilhão no superávit da renda secundária.
No acumulado de 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 60 bilhões, queda de 8,9% em relação a 2024.
De janeiro a dezembro, as exportações de bens somaram US$ 350,9 bilhões, com alta de 3,2%, enquanto as importações totalizaram US$ 290,9 bilhões, avanço de 6,2%, em níveis recordes.
Considerando a metodologia do Banco Central, o superávit comercial no acumulado do ano foi de US$ 59,95 bilhões, acima da estimativa do BC, que apontava US$ 52 bilhões.
O déficit da conta de serviços somou US$ 52,94 bilhões em 2025, redução de 4,1% em relação ao déficit de US$ 55,2 bilhões registrado em 2024.
A conta de renda primária, que inclui remessas de lucros, dividendos e pagamento de juros ao exterior, apresentou déficit de US$ 81,347 bilhões no acumulado do ano. E a conta financeira teve déficit de US$ 65,06 bilhões em 2025.
Somente em dezembro, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 3,4 bilhões, ante déficit de US$ 10,2 bilhões no mesmo período de 2024.
A balança comercial foi superavitária em US$ 8,81 bilhões no mês, segundo a metodologia do Banco Central. As exportações de bens alcançaram US$ 31,2 bilhões, com crescimento de 24,3% na comparação anual. As importações somaram US$ 22,4 bilhões, alta de 6,7%.
A conta de serviços apresentou déficit de US$ 3,81 bilhões em dezembro de 2025, ante déficit de US$ 5 bilhões em dezembro de 2024.
No período, as despesas líquidas com viagens internacionais atingiram US$ 1,2 bilhão, alta de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A conta de renda primária registrou déficit de US$ 9,22 bilhões em dezembro, redução de 8,4% frente ao déficit de US$ 10,1 bilhões observado em dezembro de 2024. A conta financeira teve resultado negativo de US$ 2,23 bilhões no mês.
No relatório, o Banco Central aponta que o Brasil registrou saída líquida de US$ 5,24 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) em dezembro. Na comparação anual, em dezembro de 2024, o IDP havia apresentado ingresso líquido de US$ 160 milhões.
Já no acumulado de 2025, a entrada de recursos via IDP somou US$ 77,67 bilhões, equivalente a 3,41% do PIB e acima dos US$ 74,1 bilhões registrados em 2024 (3,39% do PIB).
Fazem parte do IDP os recursos destinados à participação no capital de empresas, além de empréstimos diretos concedidos por matrizes de multinacionais às suas filiais no país e vice-versa. O retorno de investimentos brasileiros no exterior também integra essas estatísticas.
O Banco Central projetava IDP de US$ 75 bilhões para 2025. Para 2026, a estimativa é de ingresso de US$ 70 bilhões.
Os investimentos estrangeiros em carteira registraram entrada líquida de US$ 4,39 bilhões em dezembro de 2025, enquanto no mesmo intervalo de 2024 houve saída líquida de US$ 7,57 bilhões e no acumulado do ano o ingresso líquido de recursos por meio de investimentos em carteira somou US$ 15,14 bilhões.
No mercado de renda fixa, houve entrada líquida de US$ 5,8 bilhões em dezembro e de US$ 20,09 bilhões em todo o ano. Considerando apenas as negociações realizadas no mercado doméstico de renda fixa em dezembro, o resultado foi positivo em US$ 5,28 bilhões. No mercado externo, o saldo positivo foi de US$ 526 milhões.
Já os investimentos estrangeiros em ações resultaram em saída líquida de US$ 1,96 bilhão em dezembro, considerando operações tanto na bolsa brasileira quanto na Bolsa de Nova York. Em 2025 como um todo, o fluxo de investimentos estrangeiros em ações apresentou saída líquida de US$ 4,64 bilhões.
Para 2025, o Banco Central projetava ingresso líquido de US$ 10 bilhões em investimentos em carteira, conforme o Relatório de Política Monetária. Para 2026, a estimativa é de entrada líquida de US$ 5 bilhões.
O Banco Central projeta que as transações correntes terão déficit de US$ 60 bilhões em 2026, equivalente a 2,4% do PIB.
A estimativa considera superávit comercial de US$ 64 bilhões, além de déficits de US$ 51 bilhões na conta de serviços e de US$ 78 bilhões na conta de renda primária.
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