Vídeos de alimentos e objetos criados com IA combinam humor e dicas práticas nas redes sociais — Foto: Reprodução/Redes sociais
Bananas indignadas, geladeiras irritadas e cebolas reclamando do tratamento inadequado. Esses são alguns dos protagonistas de uma nova onda de vídeos que domina o Instagram e o TikTok no início de 2026. A tendência transforma alimentos e objetos do cotidiano em personagens animados que, com expressões carrancudas e voz alterada, oferecem dicas sobre como devem ser manuseados, conservados ou utilizados.
A mecânica é simples: ferramentas de inteligência artificial, principalmente o ChatGPT e o Flow (desenvolvido pelo Google), criam animações tridimensionais no estilo Pixar, dando vida a produtos que "brigam" com seus donos por erros de armazenamento ou uso. A criação dos vídeos exige apenas descrições textuais detalhadas e o upload das imagens geradas para plataformas que transformam fotos estáticas em animações com áudio.
O fenômeno já acumula centenas de publicações sob as hashtags #alimentosfalantes e #objetosfalantes. Os vídeos combinam humor ácido com informações aparentemente úteis: um pão de forma reclama por ter sido colocado na geladeira, onde fica "duro e sem graça", enquanto uma casca de banana pede para ser transformada em adubo em vez de ir direto para o lixo.
A estética e a abordagem dos vídeos dialogam diretamente com o conceito de "brain rot", expressão que descreve o desgaste cognitivo provocado pelo consumo excessivo de conteúdo superficial nas redes sociais. O termo, eleito palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford após 130 mil buscas, refere-se a vídeos curtos e repetitivos que prendem a atenção sem oferecer profundidade.
A mecânica de produção, é acessível mesmo para usuários sem conhecimento técnico avançado. O processo envolve:
Alternativas como o Grok Imagine também podem ser utilizadas para a criação das imagens. A ferramenta Flow, do Google, oferece um mês gratuito e permite a conversão de imagens estáticas em vídeos animados com voz sincronizada.


