Em dezembro, pistas e rampas de esqui em Livigno usavam canhões de neve para preparar o espaço para as competições Mattia Ozbot/Getty Images Os Jogos de In Em dezembro, pistas e rampas de esqui em Livigno usavam canhões de neve para preparar o espaço para as competições Mattia Ozbot/Getty Images Os Jogos de In

Como surgiu a neve artificial e por que ela se tornou essencial para a realização dos Jogos de Inverno

2026/02/06 17:00
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Em dezembro, pistas e rampas de esqui em Livigno usavam canhões de neve para preparar o espaço para as competições — Foto: Mattia Ozbot/Getty Images Em dezembro, pistas e rampas de esqui em Livigno usavam canhões de neve para preparar o espaço para as competições — Foto: Mattia Ozbot/Getty Images

Os Jogos de Inverno começam oficialmente nesta sexta-feira (6), em Milão-Cortina, na Itália. Mas, devido ao aquecimento global, a neve natural do norte do país e dos Alpes não será suficiente para cobrir as pistas das competições. Para resolver a questão e garantir as condições ideais para a disputa, entra em cena a neve artificial.

A solução não é exclusiva desta edição. Outros Jogos de Inverno e competições internacionais já recorreram à técnica para assegurar pistas adequadas aos atletas. A neve artificial é mais densa e resistente que a natural, o que a torna adequada para competições de alta performance.

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A neve foi produzida pela primeira vez pelo homem na década de 1940 - uma realização do cientista Ray Ringer, do Canadá, e de sua equipe. Segundo informações do Guinness World Record, a descoberta foi acidental, durante uma pesquisa sobre a formação de gelo em motores a jato.

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Eles borrifaram água em um túnel de vento de baixa temperatura, diante de um motor a jato, que acabou expelindo neve pela parte traseira. A quantidade de neve produzida foi tanta que o túnel de vento e o motor precisaram ser desligados regularmente para que a neve fosse removida.

Neve artificial — Foto: Arte/EN Neve artificial — Foto: Arte/EN

Apesar da descoberta, Ringer não teve interesse em explorar uma aplicação comercial para a neve criada, mas publicou seus conhecimentos para que pudessem ser compartilhados com toda a comunidade científica.

Isso foi o suficiente para inspirar outros inventores. Nos EUA, em 1950, os engenheiros Wayne Pierce, Art Hunt e Dave Richey, de Connecticut, enfrentavam um inverno sem neve que ameaçava seu negócio de esquis. Eles tiveram a ideia de combinar uma mangueira de jardim com um compressor de ar. Ao borrifar a água no ar congelante, eles criaram a primeira máquina prática de neve artificial para uso em pistas.

A máquina só seria patenteada nos EUA em 1954 - depois de ser usada, dois anos antes, no Grossinger’s Catskill Resort Hotel, no estado de Nova York. No início, os equipamentos eram improvisados, gastavam muita energia e produziam neve de qualidade irregular. Mas, com o tempo, foram surgindo canhões de neve mais eficientes.

A tecnologia foi adotada por resorts e empresas e se tornou o ponto de partida da indústria moderna de produção de neve. Hoje, boa parte das estações de esqui dependem fortemente dela para garantir a temporada.

1.000 piscinas de neve artificial

A neve artificial é feita basicamente a partir de água e ar, usando máquinas que imitam o processo natural de formação da neve. A água é bombeada em alta pressão para “canhões de neve”. Dentro da máquina, é misturada com ar comprimido e pulverizada em gotículas bem pequenas. Quando essas gotículas são lançadas no ar frio, elas congelam, virando cristais de gelo, ou “neve”.

Nesta edição dos Jogos, serão necessários cerca de 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, o suficiente para encher quase 1.000 piscinas olímpicas, segundo relatou a Bloomberg.

Canhões de neve começaram a ser usados nos Jogos de Inverno de 1980 em Lake Placid, em Nova York. Mais recentemente, em 2022, Pequim contou com quase 100% de neve produzida por máquinas. Para se ter uma ideia do tamanho deste negócio, a produção de neve artificial se tornou um mercado global de € 380 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões), segundo informou à Bloomberg Nemanja Dogo, gerente executivo de vendas da TechnoAlpin.

A empresa equipou a região principal das competições com uma fábrica de neve que bombeia água de reservatórios para compressores, que por sua vez a alimentam em uma vasta rede de bombas, ventiladores, canhões e lanças.

Os canhões de neve da TechnoAlpin são controlados por computador e capazes de iniciar e parar rapidamente para aproveitar as condições climáticas ideais, informou a Bloomberg. Isso significa que uma pista típica pode ser preenchida com neve artificial em 50 horas, em vez das 150 horas anteriores, atendendo às exigências cada vez maiores das estações de esqui.

A tecnologia é criticada por organizações ambientais. Apesar da utilização de água do degelo e energia renovável no processo, a quantidade de água para sua criação de neve é enorme, e muitas vem de rios ou lagos locais, o que pode prejudicar a fauna aquática.

Além disso, manter os canhões funcionando consome muita energia. Há quem destaque também que a neve artificial é diferente da natural e isso pode alterar o ecossistema. Como ela é mais densa, demora mais para derreter, o que pode atrasar o ciclo de crescimento de plantas e flores.

Já as estações de esqui se defendem dizendo que a neve artificial ajuda a manter viva a economia local de regiões de montanha.

Banner da série Invenções — Foto: Clayton Rodrigues Banner da série Invenções — Foto: Clayton Rodrigues
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