As rodadas de investimento da semana mostraram interesse por negócios baseados em inteligência artificial em diferentes setores — de educação e foodservice a gestão hospitalar e infraestrutura de áudio.
A BeConfident, que usa IA para ensino de inglês, atraiu o maior aporte, que veio da Prosus Ventures.
E a Rivio, que procura aumentar a eficiência da operação de hospitais com uso da tecnologia, reforçou o caixa com US$ 1 milhão da Positive Ventures.
Veja as principais rodadas da semana:
Com um modelo de ensino de inglês pelo WhatsApp, a BeConfident captou R$ 85 milhões em rodada Série A liderada pela Prosus Ventures, veículo da holding de investimentos Prosus, controladora do iFood. A edtech foi avaliada em R$ 530 milhões após o aporte.
Fundada e comandada por Robson Amorim (CEO), a startup desenvolveu uma plataforma de IA para ensino de idiomas e diz ter encerrado 2025 com uma base de 3 milhões de usuários e 160 mil alunos pagantes entre WhatsApp e aplicativo.
A metodologia combina “mentores” de IA hiper-realistas com sotaques nativos, capazes de interagir em tempo real por texto, áudio e vídeo, simulando situações cotidianas e oferecendo feedback imediato.
Recentemente, a startup criou o BeConfident Labs, instituto dedicado ao desenvolvimento de modelos avançados de IA com pesquisadores de universidades como Stanford.
Com a rodada, a BeConfident projeta crescer cinco vezes o faturamento em 2026, saindo de R$ 60 milhões em 2025 para R$ 300 milhões.
Os recursos serão usados para expandir as operações nos EUA, na Europa e na Ásia, buscando chegar a 90% de alunos pagantes desses mercados.
A capixaba Takeat, com um SaaS (Software-as-a-Service) para restaurantes que integra múltiplas ferramentas de IA em uma única plataforma, levantou R$ 15 milhões em uma Série A liderada pelo DGF, com follow-on da Quartzo Capital via Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses 1).
Os recursos serão direcionados para expansão comercial, marketing, tecnologia e parcerias estratégicas, com o objetivo de triplicar a base de clientes e ampliar presença nacional.
Fundada em 2020 por Miguel Carvalho, ex-garçom e engenheiro civil, a startup nasceu de um TCC, soma mais de 3.000 clientes e cresceu 200% nos últimos 15 meses, segundo a empresa.
A tese da startup é atuar como um “HubSpot dos restaurantes”, unificando soluções hoje dispersas — de gestão financeira a aquisição de clientes.
No DGF, esse é o quarto investimento do fundo DGF 8, lançado em 2025 com mais de R$ 200 milhões, mantendo a estratégia histórica da gestora de apostar em softwares B2B com forte aplicação de IA.
A rodada ocorre em meio a mudanças no mercado de delivery no Brasil, com a entrada de concorrentes como 99Food, Keeta e Rappi, que buscam desafiar o domínio de mercado do iFood.
A Rivio captou US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) da Positive Ventures, fundo de venture capital focado em projetos de impacto.
O investimento ocorre apenas dois meses após a startup ter anunciado uma rodada de US$ 20 milhões em dezembro de 2025, liderada por Valor Capital e Monashees, além da Endeavor Catalyst.
Fundada há pouco mais de oito meses por Silvio Frison (CEO) e Ricardo Salles, a startup utiliza inteligência artificial para aumentar a eficiência da operação de hospitais.
A Rivio opera em mais de 80 unidades hospitalares no Brasil, com receita contratada que ultrapassa R$ 100 milhões.
A startup diz ter transacionado mais de R$ 3 bilhões por sua plataforma e, segundo dados internos, aumenta a eficiência hospitalar entre 4% e 5% no curto prazo, impacto que pode chegar a 8% a 10% em alguns casos.
A plataforma utiliza agentes de IA para identificar inconsistências que geram perdas financeiras aos hospitais, desde medicamentos que não são lançados no sistema até procedimentos não realizados que podem levar à glosa - recusa, total ou parcial, do pagamento de procedimentos - por operadoras de saúde.
A Rivio assume a gestão financeira e administrativa de hospitais clientes e garante a receita dos estabelecimentos, mesmo em caso de inadimplência pelos planos de saúde.
A remuneração vem de um take rate sobre o faturamento total do hospital. Com valuation de aproximadamente R$ 500 milhões e quase 100 funcionários divididos entre São Paulo e Blumenau (SC), a startup pretende utilizar os recursos em desenvolvimento de IA e contratação de pessoas.
A ElevenLabs captou US$ 500 milhões em rodada Série D que avaliou a startup em US$ 11 bilhões, montante três vezes superior ao valuation anterior.
Desde sua fundação em 2022, a empresa de pesquisa e produtos de áudio com inteligência artificial acumula US$ 781 milhões em captações.
A rodada foi liderada pela Sequoia Capital, com a entrada de Andrew Reed no conselho. Investidores atuais como Andreessen Horowitz (a16z) e ICONIQ ampliaram suas participações.
Lightspeed Venture Partners, Evantic Capital e BOND são os novatos no cap table.
Fundada por Mati Staniszewski e Piotr Dąbkowski, a ElevenLabs encerrou 2025 com mais de US$ 330 milhões em receita recorrente anual (ARR), impulsionada pela adoção de suas soluções por organizações como Deutsche Telekom, Square, Governo da Ucrânia e Revolut.
As tecnologias da empresa são utilizadas em atendimento ao cliente, comércio conversacional, engajamento cidadão, treinamentos internos e vendas inbound.
Com o novo aporte, a ElevenLabs pretende acelerar o desenvolvimento de sua plataforma corporativa, expandir a pesquisa em modelos conversacionais emocionais, dublagem, música e inteligência geral de áudio.
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