Brasília - Todo o esforço do BRB nos próximos seis meses será para tentar executar o plano de recuperação entregue ao Banco Central na sexta-feira, 6 de fevereiro, para tentar evitar um aporte de qualquer valor do Governo do Distrito Federal (GDF).

Mas caso a missão fracasse ou não seja de todo bem-sucedida, internamente no banco público de Brasília não está descartada a possibilidade mais drástica que seria um aporte total do governo local, que pode chegar a até R$ 6 bilhões, disse reservadamente uma fonte do banco ao NeoFeed.

Esse montante, que varia de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões, seria o tamanho do rombo que o BC identificou e vem sendo guardado em segredo até pelo presidente do BRB, Nelson de Souza. O GDF é controlador do BRB.

A ideia é que o plano do BRB - no mínimo - diminua o tamanho de um eventual aporte do governo local ao banco. Caso aconteça, essa opção causaria um enorme desgaste tanto fiscal como político para a gestão do atual governador Ibaneis Rocha (MDB), cuja candidatura ao Senado já é dada como cada vez mais improvável em Brasília.

Isso implicaria injetar no banco dinheiro público - do orçamento distrital (do GDF), que envolve recursos para outras áreas. Ou seja, tudo o que Ibaneis e aliados não querem.

O plano que Souza entregou pessoalmente ao BC envolve: venda de ativos adquiridos do Banco Master (como prédios, carteiras de crédito como consignado, etc); um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC); um empréstimo por meio de um consórcio de bancos privados que está sendo formado; e a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) formado por imóveis do GDF.

Todas essas medidas ainda precisam passar pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Por lá, Ibaneis tem uma base aliada de deputados distritais que forma maioria de deputados distritais, que aprovariam o plano com tranquilidade. A questão é executar o plano junto ao mercado.

Há obstáculos possíveis para a execução do plano que vão depender das negociações feita pela equipe do presidente do BRB. Não há certeza, por exemplo, se haverá adesão do FGC ou se a venda de ativos será totalmente bem-sucedida ou será suficiente para cobrir o rombo, que ainda vem sendo avaliado.

“Nem todas as carteiras que o BRB adquiriu do Master são podres. Algumas carteiras existem. Então, o banco tem valores a receber do liquidante”, afirma a fonte. “Quanto mais ele demora, mais ele dificulta o contingenciamento da liquidez do BRB.”

Há uma avaliação de pessoas do BRB a par das negociações de que, após a liquidação do Master pelo BC, em 18 de novembro, vem havendo certa demora pelo liquidante em ressarcir o credor BRB.

Investidores que tinham títulos do Master junto ao FGC já conseguiram reaver suas aplicações, mas o BRB em si ainda não recebeu tudo a que tem direito.

Ao BC, o BRB também se comprometeu com medidas para melhorar sua governança corporativa. O NeoFeed mostrou que a governança é uma das fragilidades do banco público, que ficaram expostas após a crise com o Master.

Um dia após o atual presidente do BRB tomar posse, no fim de novembro do ano passado, o banco tentou aumentar o limite máximo de transações permitidas a altos executivos, conselheiros e até ao próprio presidente (partes relacionadas).

Além do plano que o BRB apresentou ao BC, há também outras alternativas cogitadas internamente no banco, que incluem a venda de parte de suas ações para empresas estatais distritais (do governo do DF).

Em nota, o BRB explicou que o plano constitui um “conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”. E que os eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento.

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