O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), retomou o ritmo de alta e atingiu nesta quarta-feira (11) a marca inédita dos 190 mil pontos. No final do dia, o índice registrou forte alta de 2,03%, aos 189.699,12 pontos, seu 11º recorde de fechamento em 2026.
O impulso do Ibovespa foi motivado pela rotação global de recursos, com parte dos investidores reduzindo exposição aos Estados Unidos e buscando oportunidades em mercados emergentes. Outro fator que favoreceu a alta foi a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, que mostrou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da disputa presidencial.
O levantamento indica Lula com 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Segundo analistas, o encurtamento da distância foi lido por parte do mercado como um sinal positivo para os ativos domésticos.
Entre as ações de maior peso no índice, a Petrobras registrou ganhos de 3,01% (ON) e 1,95% (PN), em um dia de valorização do Brent em Londres e após a divulgação do relatório trimestral de produção. A Vale também ajudou a sustentar o avanço do índice, em alta de 3,49%.
No setor financeiro, o Bradesco ganhou 2,96% (PN), enquanto o Itaú avançou 1,96% (PN) e o BTG Pactual registrou alta mais modesta, de 0,17% (ON).
Entre as maiores altas do dia, destaque para Suzano, que saltou 13,32%, seguida pela TIM, com ganho de 7,85%. Do lado oposto, Totvs figurou entre as principais quedas, recuando 1,75%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,18% frente ao real, cotado a R$ 5,19, no menor valor desde maio de 2024, impactado pelo payroll acima do esperado.
No cenário internacional, repercutem os dados de emprego dos Estados Unidos acima do esperado. O payroll mostrou a criação de 130 mil vagas em janeiro, praticamente o dobro da mediana das estimativas do mercado (67 mil), enquanto a taxa de desemprego recuou de 4,4% para 4,3%, quando a expectativa era de estabilidade.
A combinação reforçou a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido e reduziu a chance de cortes imediatos de juros pelo Federal Reserve (Fed).
No CME Group, a probabilidade de redução da taxa já em março, que havia alcançado cerca de 20% após números fracos do ADP e do Jolts na semana passada, foi praticamente zerada. Mais de 90% dos investidores voltaram a apostar na manutenção do juro na reunião do Fomc marcada para o dia 18.
No campo político, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma resolução para reverter as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre o Canadá. O placar ficou em 219 a 211, com apoio de parlamentares republicanos, e o texto agora segue para o Senado.
A medida tenta encerrar a emergência nacional usada como base para a adoção das tarifas, ainda que tenha efeito prático limitado. O movimento foi visto como um sinal de desconforto dentro do próprio partido em meio à proximidade das eleições de meio de mandato.
Em resposta, Trump reagiu em sua rede social e ameaçou punir politicamente os republicanos que votarem contra a manutenção das tarifas. O presidente voltou a defender que a política comercial garantiu segurança ao país e, recentemente, chegou a falar em impor taxas de até 100% sobre produtos canadenses diante da aproximação entre Ottawa e Pequim.
No Brasil, o mercado segue de olho no fluxo estrangeiro, que segue dando sustentação aos ativos. Entraram cerca de US$ 30 bilhões na B3 apenas em janeiro e nos primeiros dias de fevereiro, valor que já supera todo o ingresso de capital externo registrado ao longo de 2025, de US$ 25,4 bilhões.
Durante o evento CEO Conference, do BTG Pactual, André Esteves, sócio e presidente do conselho de administração do BTG, avaliou que o processo eleitoral perdeu peso na formação de preços dos ativos. Para ele, a entrada expressiva de recursos na bolsa indica que as decisões de investimento estão mais ligadas às perspectivas estruturais do país do que às incertezas de curto prazo.
No mesmo encontro, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, acabou chancelando a leitura de parte do mercado de que o ciclo de flexibilização pode começar com um corte de 50 pontos-base na Selic. Segundo ele, declarações recentes não tinham a intenção de alterar a interpretação predominante dos investidores.
Em Brasília, a Polícia Federal pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli após identificar menções ao seu nome no celular de Daniel Vorcaro. O magistrado é relator das investigações envolvendo o Banco Master.
Diante do novo elemento, a PF encaminhou relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Toffoli afirma que a solicitação está baseada em ilações.
As Bolsas da Europa operam majoritariamente em alta, impulsionadas pela temporada de balanços. Resultados de empresas como Siemens, AB InBev e Hermès sustentam o apetite por risco.
Com isso, dados fracos do Reino Unido perdem peso, como o PIB do quarto trimestre abaixo do esperado e a queda inesperada da produção industrial.
Na Ásia, os índices fecharam mistos, com o mercado de olho nos dados de emprego dos EUA e em recordes locais. O Kospi atingiu patamar recorde com apoio das fabricantes de chips, enquanto o Nikkei renovou máximas acima de 58 mil pontos em meio ao otimismo pós-Takaichi.
Na China, Xangai encerrou a sessão em leve alta de 0,05% e Shenzhen recuou 0,86%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,86% e em Taiwan, o Taiex subiu 1,61%.
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta quinta-feira (12), com o mercado reavaliando as apostas para a trajetória dos juros pelo Fed após o payroll vir acima do esperado.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o principal evento previsto é a divulgação dos pedidos de seguro-desemprego, indicador acompanhado de perto por oferecer sinais quase imediatos sobre a temperatura do mercado de trabalho e, por consequência, sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Na agenda das autoridades do Fed, a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, fala às 9h, enquanto o diretor Stephen Miran participa de um evento à noite. Qualquer sinalização sobre juros tende a mexer com as expectativas em um momento em que o mercado recalibra as apostas para o início do ciclo de cortes após o payroll acima do esperado.
No Reino Unido, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% em dezembro na comparação mensal, número em linha com o que os analistas projetavam. O dado ajuda a aliviar temores de desaceleração mais intensa, mas não altera de forma relevante a leitura de uma economia que avança em ritmo moderado.
As commodities energéticas voltam ao radar. O petróleo sente o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, após o Pentágono determinar novas movimentações militares. O receio de interrupções na oferta mantém os agentes atentos e adiciona volatilidade aos preços.
No Brasil, o foco recai sobre o setor de serviços, com a divulgação dos números de dezembro. A atividade é peça central para avaliar o fôlego da economia e seus impactos sobre inflação e política monetária.
A estimativa do BTG Pactual aponta para expansão de 4,6% na comparação anual, acelerando frente ao avanço de 2,5% observado em novembro. Por outro lado, o volume de serviços prestados às famílias deve mostrar estabilidade.
No noticiário corporativo, as atenções se voltam para a Vale. Amparada por preços do minério de ferro acima das projeções ao longo de 2025, a companhia deve reportar Ebitda proforma de aproximadamente US$ 4,65 bilhões no quarto trimestre, alta de 12,9% na comparação anual.
A receita líquida é estimada em US$ 10,76 bilhões, avanço de 6,32%. Para o lucro líquido atribuível, as projeções compiladas apontam cerca de US$ 2,277 bilhões, revertendo o prejuízo de US$ 694 milhões observado no mesmo período do ano anterior.
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