A PF (Polícia Federal) cumpriu 4 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia nesta 3ª feira (17.fev.2026) após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Autorizada após representação da PGR (Procuradoria-Geral da República), a operação integra investigação sobre possíveis vazamentos de dados de autoridades na Receita Federal.
A ação tem como pano de fundo uma apuração interna no STF sobre possível quebra de sigilo fiscal de ministros da Corte e de parentes atribuída à Receita Federal e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares como o monitoramento de alvos por tornozeleira eletrônica, o afastamento do exercício de função pública, o cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país.
Conforme apurou o Poder360, o ministro Alexandre de Moraes abriu um inquérito sobre o caso e determinou que Fisco e Coaf apresentassem explicações sobre quem acessou informações fiscais de magistrados e de seus familiares e quando isso foi feito. Esse tipo de acesso fica registrado nos sistemas por senha.
O inquérito considera a possibilidade de medidas adicionais caso as respostas não sejam consideradas suficientes, como perícia em computadores usados para consultar os dados e até quebra de sigilo telemático de autoridades.
Nas semanas anteriores à abertura do inquérito, dados pessoais de autoridades passaram a aparecer em reportagens. No caso de Moraes, foi citado o contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos. O texto afirma que, embora o contrato não traga dados sigilosos, detalhes sobre o funcionamento financeiro do escritório poderiam ter sido extraídos de bases acessíveis ao Coaf ou à Receita Federal.
No caso do ministro Dias Toffoli, informações sobre negócios da família envolveriam operações financeiras às quais, em regra, só se chega por meio desses 2 órgãos. O secretário do Fisco é Robinson Barreirinhas, subordinado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Já o Coaf é comandado por Ricardo Andrade Saadi, delegado da PF, e ligado administrativamente ao Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo.

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