O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão de sexta-feira (13) em queda de 0,69%, aos 186.464,30 pontos, pressionado pelo movimento de realização de lucros e ajuste de posições antes do feriado prolongado de Carnaval.
Analistas apontam que o avanço recente do mercado brasileiro tem sido impulsionado principalmente pela expectativa de corte da taxa básica de juros e pelo fluxo de capital estrangeiro.
Entre os destaques do Ibovespa, a Vale liderou as perdas do dia após divulgar seu balanço trimestral, com queda de 2,47%. A Petrobras também fechou no campo negativo, registrando queda de 0,59% (PN) e de 0,23% (ON).
No setor financeiro, o desempenho foi majoritariamente negativo. O Itaú recuou 0,97%, enquanto o Banco do Brasil caiu 2,31%. A exceção foi o BTG Pactual, que registrou alta, de 1,86%.
Entre as maiores altas do pregão estiveram Eneva, com avanço de 8,06%, e Usiminas, que subiu 4,81%. Na ponta oposta, a Raízen figurou entre as maiores quedas do dia, com recuo de 5,97%.
No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,57% frente ao real, cotado a R$ 5,23, em meio a ajustes técnicos e realização de lucros antes do feriado de Carnaval.
No cenário internacional, a atenção está voltada para a divulgação da ata da última reunião do Fomc, em busca de sinais mais claros sobre o ritmo da política monetária. E nesta sexta-feira (20), a expectativa é sobre o PIB do quarto trimestre e do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed).
No front geopolítico, as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem no radar. Após a segunda rodada de conversas, a agência Reuters informou que Teerã apresentará propostas detalhadas nas próximas semanas para reduzir divergências sobre seu programa nuclear. Em entrevista à Fox News, o vice-presidente JD Vance afirmou que houve progresso, mas que o Irã ainda resiste a algumas das “linhas vermelhas” estabelecidas pelo presidente Donald Trump.
Também avançaram as tratativas envolvendo Ucrânia e Rússia. Negociadores dos dois países se reuniram em Genebra, em rodada mediada pelos Estados Unidos, sob pressão de Trump para que Kiev acelere um eventual acordo com Moscou.
Na América Latina, o Congresso votou pela destituição do presidente interino José Jerí, sob acusações de corrupção, abrindo nova fase de instabilidade política às vésperas da eleição presidencial de abril.
No Brasil, a B3 retoma as negociações às 13h nesta Quarta-Feira de Cinzas, após o feriado de Carnaval. O foco do mercado doméstico se volta para a divulgação do IBC-Br de dezembro, indicador considerado prévia do PIB.
Na política, a crise envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (17) uma operação para investigar o suposto vazamento de informações fiscais de ministros da Corte e de seus familiares, em ação autorizada pelo próprio STF após pedido da Procuradoria-Geral da República.
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, além da aplicação de medidas cautelares, como afastamento de função pública, uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaportes e proibição de deixar o país.
Segundo apuração d’O Globo, a investigação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após o acesso e a divulgação irregular de dados fiscais da advogada Viviane Barci, esposa do ministro, relacionados a contrato com o Banco Master. Quatro servidores públicos são suspeitos de envolvimento no acesso e na divulgação ilegal dos documentos.
As Bolsas da Europa operam em alta, acompanhando o movimento positivo da véspera, com suporte de balanços corporativos de empresas como BAE Systems e Glencore.
O avanço também é sustentado por sinais de possível distensão das tensões no Oriente Médio e por dados econômicos que reforçam as expectativas de corte de juros no Reino Unido.
Na Ásia, os índices fecharam majoritariamente em alta, em sessão marcada por liquidez reduzida devido ao feriado do Ano Novo Lunar. China continental, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul permaneceram fechadas, com os mercados chineses previstos para retomar as negociações apenas em 23 de fevereiro. O viés positivo acompanhou a leve recuperação das ações de tecnologia em Nova York na véspera.
O índice Nikkei do Japão fechou em alta de 1%, interrompendo uma sequência de três dias de queda. O país registrou déficit comercial de 1,15 trilhão de ienes (US$ 7,5 bilhões) em janeiro, abaixo da expectativa de 2,14 trilhões de ienes.
O resultado foi impulsionado pelo avanço de 16,8% das exportações na comparação anual, com a demanda na Ásia compensando a redução das vendas aos Estados Unidos.
A China manteve-se como principal destino das exportações japonesas, mesmo em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim. Já os embarques para os Estados Unidos recuaram 5% com a imposição das tarifas comerciais.
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta quarta-feira (18) após sessões marcadas por volatilidade no setor de tecnologia.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, a agenda econômica destaca os pedidos de bens duráveis em dezembro (10h), a construção de novas casas (10h30), produção e vendas na indústria em janeiro (11h15), além da ata do Fomc às 16h e estoques de petróleo da API, às 18h30.
O mercado também acompanha o discurso de Michelle Bowman (Fed) às 15h, de Kashkari, Austan Goolsbee e Mary Daly na quinta-feira (19) e de Raphael Bostic, na sexta-feira (20).
Nesta terça-feira, Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco, afirmou que a inflação precisa cair de forma sustentada antes que o ciclo de flexibilização seja retomado. Segundo ela, o índice ainda permanece acima da meta de 2% e esse patamar prolongado tem gerado desconforto na população.
Daly também citou incertezas relacionadas ao avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho e avaliou que restariam cerca de 75 pontos-base de cortes até que a taxa atinja o nível considerado neutro.
No campo político, a Suprema Corte dos Estados Unidos agendou audiências para os dias 20, 23, 24 e 25 sobre a legalidade das tarifas recíprocas impostas por Donald Trump a diversos países, classificando as sessões como “dias de decisão”.
No Brasil, a agenda desta semana mais curta traz a divulgação do tradicional Boletim Focus, com atualização das projeções econômicas. Às 14h30, o Banco Central divulgará os dados semanais do fluxo cambial.
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma cúpula sobre inteligência artificial enquanto na sexta (20)será recebido pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em uma visita de Estado.
Entre os temas previstos estão a defesa de uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas, com a intenção de Brasil e Índia ampliarem espaço no Conselho de Segurança, além de discussões sobre a situação na Faixa de Gaza. Ambos os países não integram o Conselho da Paz proposto por Donald Trump, apesar de terem sido convidados.
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