O delegado-geral da PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina), Ulisses Gabriel, anunciou que deixará o cargo na corporação para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado.
O nome do policial ganhou projeção nacional nas últimas semanas diante do caso da morte do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis. O delegado virou alvo de uma investigação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) que questiona sua conduta na condução do processo.
Em nota publicada no Instagram, Ulisses disse que está se afastando do cargo para respeitar o prazo de desincompatibilização da Lei Eleitoral, que determina, no caso do delegado, a saída da corporação pelo menos 6 meses antes do pleito.
“Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado de polícia e 3 anos e 2 meses como delegado-geral, escolhido pelo Governador Jorginho, vou me dedicar a uma nova empreitada, agora como pré-candidato a Deputado Estadual pelo PL”, escreveu Ulisses.
Além de citar o governador Jorginho Mello (PL), que comanda o partido no Estado, o delegado listou operações, investigações, ocorrências e números da sua passagem no comando da PCSC. Ele não informou a data exata em que deixará a corporação.
O MPSC abriu, em 10 de fevereiro, um procedimento preparatório para investigar a conduta do delegado no caso. A ação ainda não é um inquérito, mas avalia se há elementos para a abertura de um processo contra Ulisses.
O órgão recebeu representações questionando possível abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
A principal suspeita é que Ulisses teria divulgado informações do caso que estariam sob sigilo, conduta que configuraria beneficiamento por informação privilegiada ou risco à segurança da sociedade e do Estado.
Procurado pelo Poder360, o delegado disse não ter sido notificado sobre o procedimento. “Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação”.
O delegado-geral entende que a decisão decorre de declarações dadas em conversa com jornalistas, nas quais as informações recebidas e divulgadas em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público.


