O mercado global de criptomoedas iniciou a semana com forte contraste entre movimentos internacionais e decisões tomadas no Brasil. Enquanto a Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin no mundo, anunciou mais uma compra significativa da criptomoeda, empresas brasileiras mantiveram posições estáveis e não ampliaram suas reservas. Esse descompasso ficou evidente após a divulgação de novos dados sobre expansão de portfólios e operações de tesouraria.
A Strategy adquiriu 592 Bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 39,8 milhões, segundo a Foresight News. Assim, suas participações totais passaram a 717.722 BTC, com custo acumulado acima de US$ 54,56 bilhões e preço médio próximo de US$ 76.020 por unidade. A companhia segue executando a estratégia que muitos analistas classificam como o maior DCA da história do Bitcoin, iniciada há mais de seis anos sob a liderança de Michael Saylor.
Desde 2020, a Strategy elevou ano após ano os aportes destinados ao ativo digital, criando uma curva de acumulação rara no mercado corporativo. O plano inclui compras anuais que variaram de US$ 276 milhões, em 2022, até mais de US$ 22,4 bilhões, em 2025. Neste ano, os aportes já superam US$ 4,1 bilhões, mantendo a tendência de expansão. Com essa política agressiva, a empresa passou a controlar cerca de 3,4% de todo o suprimento de Bitcoin.
A nova compra acontece em um momento em que o Bitcoin opera abaixo do preço médio de aquisição da Strategy, o que reforça a leitura de que a companhia mantém forte convicção no ativo como reserva de valor no longo prazo. Mesmo sem confirmação de reversão no curto prazo, o movimento acrescenta pressão ao debate sobre o papel de grandes empresas na sustentação do mercado.
Enquanto isso, no Brasil, a postura corporativa seguiu caminho diferente. A OranjeBTC (B3: OBTC3), maior empresa de tesouraria de Bitcoin da América Latina, informou à CVM que não ampliou suas reservas de BTC em 2026. A empresa manteve sua posição em 3.722,3 BTC, apesar de o Bitcoin negociar quase 50% abaixo de sua máxima histórica.
A companhia focou em operações de recompra de ações, reforçando sua política iniciada em 2025. Entre os dias 9 e 15 de fevereiro, a OranjeBTC recomprou 20 mil ações, pagando preço médio de R$ 6,53. O movimento elevou indicadores de desempenho, como o índice de BTC por ação, que chegou a 2,294 satoshis, e o BTC Yield, que alcançou 2,53%.
A diretoria apontou que as recompras acontecem para capturar valor diante da diferença entre o preço de mercado das ações e o mNAV, indicador que calcula o valor patrimonial com base nas reservas de Bitcoin. Mesmo assim, a empresa enfrenta desafios significativos. Desde sua estreia na B3, as ações caíram mais de 72%, passando de R$ 24 para R$ 6,66, reflexo da combinação entre volatilidade do mercado cripto e baixa liquidez no mercado local.
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