Quando fundou a Turbi em 2017, Daniel Prado queria provar que uma locadora de veículos não precisava ter pátios gigantescos ou milhares de funcionários. Ele se Quando fundou a Turbi em 2017, Daniel Prado queria provar que uma locadora de veículos não precisava ter pátios gigantescos ou milhares de funcionários. Ele se

Leasing, SaaS, estacionamento sem gente: a Turbi quer ser menos locadora

2026/02/24 12:36
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Quando fundou a Turbi em 2017, Daniel Prado queria provar que uma locadora de veículos não precisava ter pátios gigantescos ou milhares de funcionários.

Ele se inspirou no Nubank: o banco de David Vélez colocou as agências bancárias no caminho da obsolescência. 

No caso da Turbi, a ideia principal era que o cliente seria mais recorrente se pudesse alugar o veículo estacionado mais próximo dele naquele momento – e não sendo obrigado a ir a alguma loja de locadoras tradicionais.  

A coisa prosperou. Depois de levantar R$ 242 milhões em equity e mais de R$ 1 bilhão em dívida com gestoras como Domo.VC, ARC Capital (do ex-Credit Suisse Sergio Machado), e a Capsur (de Mário Ermírio de Moraes Filho e Carlos Simonsen), a Turbi faturou R$ 400 milhões com cerca de 7 mil carros em 2025, tornando-se a quarta maior do setor, depois da Localiza, Movida e Unidas.

Agora, no entanto, Prado não acredita mais que o rent a car será o único protagonista do seu negócio.

“Por algum tempo enxergamos a Localiza como nosso concorrente direto, mas hoje entendemos que nosso benchmark são empresas como Uber, Google e outras que estão liderando a transformação em mobilidade,” Prado disse ao Brazil Journal.

Para convencer os investidores de que a Turbi pode mirar alto, a empresa está apostando em novas verticais. 

A primeira é a fintech Trato, que acaba de ser lançada e será comandada pelo diretor de RI da Turbi, Eduardo Portelada.

 A ideia é criar um modelo de leasing no Brasil – algo que não acontece devido ao alto risco que os bancos têm na hora de apreender o carro quando o cliente deixa de pagar as parcelas do financiamento. 

“Hoje um banco dá o financiamento, e na hora de confiscar o carro o cliente esconde o carro na casa da sogra, por exemplo, e fica impossível dele achar o carro no processo de busca e apreensão,” disse Prado. 

A ideia do fundador é usar a tecnologia que a Turbi coloca em seus carros para evitar esse risco. Todos os veículos da Turbi têm um hardware que envia informações do veículo para uma central (incluindo, claro, sua localização) e permite à Turbi bloquear o carro à distância em caso de não pagamento. 

A Turbi pretende equipar todos os carros financiados pela Trato com este hardware – deixando claro no contrato que, caso atrase os pagamentos, o cliente perderá o ativo. Segundo o fundador, tudo calcado no Marco Legal das Garantias.  

“O processo de apreensão ainda é muito moroso. Acreditamos que podemos resolver isso, pois nós conhecemos o ativo melhor do que os bancos, então isso diminui muito o risco para nós,” disse Prado.

Para dar o pontapé inicial na Trato, a Turbi vai levantar um FIDC de R$ 50 milhões nos próximos meses. Prado diz que já há uma série de interessados em investir na tese. “É um mercado de R$ 200 bilhões por ano e que ainda tem muita ineficiência,” disse o fundador. 

Mas a Turbi não pretende usar a tecnologia de monitoramento só dentro de casa – também vai passar a oferecê-la aos bancos por meio de um SaaS, para reduzir as perdas com os financiamentos.

Segundo Prado, já há conversas com bancos para um projeto-piloto. Como a companhia tem um custo de hardware de cerca de R$ 700 por veículo, o modelo de cobranças para os bancos será entre R$ 39 e R$ 49 mensais. “Isso vai deixar uma margem relevante para nós depois do payback do hardware,” disse.

O CEO disse que esses projetos já estão sendo apresentados no roadshow que a empresa está fazendo com investidores para uma nova rodada; o Santander foi contratado como assessor financeiro no fim do ano passado.

Mas a Turbi sabe que não pode deixar o negócio de rent a car de lado – ainda mais durante as negociações da nova rodada. Segundo Prado, a empresa prevê comprar 5 mil carros este ano e chegar a um faturamento de R$ 700 milhões – uma alta de 75% em relação a 2025. 

Mas com o crescimento de sua frota, a empresa também se deparou com um problema: as vagas alugadas em estacionamentos privados estavam gerando um custo alto.

Para tentar reduzir esses gastos, a Turbi vai lançar um projeto-piloto de estacionamento na Avenida Rebouças – sem funcionários e com câmeras que conseguem identificar sinistros nos carros sem os clientes precisarem fotografar.

Se der certo, a ideia é expandir para mais lugares ainda este ano. 

“Já estamos testando essa tecnologia em algumas de nossas vagas, e a ideia é reduzir ainda mais os custos e, quem sabe, podemos oferecer essa tecnologia para outros estacionamentos,” disse Prado.

A Turbi encerrou 2025 com uma margem EBITDA de 56% – para efeito de comparação, Localiza e Movida registraram margens acima dos 70%. 

Mas, segundo Prado, a margem da Turbi hoje é 20 pontos percentuais maior do que Localiza, Movida e Unidas reportaram em seus primeiros resultados públicos ao mercado – e quando suas frotas eram menores.

“Já somos a locadora mais eficiente do mercado. Se comparar as margens da Localiza ou Movida quando eles tinham nossa frota, somos duas vezes mais eficientes dado a escala,” disse o fundador.

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