A ação do Grupo Pão de Açúcar mergulhou mais 18% hoje depois que a Fitch rebaixou a varejista de A para CCC, com o mercado cada vez menos confiante na sustentabilidade da companhia.
Em um mês, a empresa já perdeu quase 35% de seu valor. Em dezembro, o GPA contratou a Alvarez & Marsal para o que disse ser uma reestruturação operacional.
Mas desde então, os títulos de renda fixa da companhia começaram a derreter no secundário, e hoje negociam acima de CDI + 20%, com o mercado apostando cada vez mais que uma reestruturação da dívida é iminente.
Ontem à noite, o GPA também anunciou ter pedido uma cautelar para bloquear as ações do GPA detidas pelo Casino, bem como os recursos provenientes de uma eventual venda dos papéis.
No meio do furacão, o simples fato da empresa pedir a cautelar jogou mais gasolina no fogo.
Segundo a companhia, o objetivo da cautelar é tentar garantir um recebimento mais ágil de recursos caso o GPA vença um processo de arbitragem contra o Casino, relacionado a uma disputa sobre recolhimento de impostos entre 2007 e 2013.
“A impressão que fica é que o GPA não tem uma estratégia para conversar com os credores,” disse um portfolio manager de uma grande gestora que tem créditos da empresa. “Uma coisa que todos esperávamos fosse por um caminho amigável está indo por um caminho ruim.”
A dúvida no mercado é se a reestruturação liderada pelo CEO Alexandre Santoro será suficiente para interromper uma queima de caixa que já dura mais de quatro anos. O GPA está com uma base acionária completamente nova, e sofreu diversas trocas em seu management nos últimos dois anos.
Num fato relevante, o GPA disse continuar “comprometido” com o plano de redução de despesas e investimentos e também com a venda de ativos não estratégicos para gerar baixa.
A companhia busca ainda renegociar cerca R$ 1,5 bilhão em dívidas que vencem neste ano – a maior parte delas, até junho.
A Fitch já havia rebaixado o rating do GPA em novembro de AA para A, além de ter colocado a nota em observação negativa – o que indicava que poderia haver novas reduções caso a empresa não conseguisse equilibrar o fluxo de caixa.
O maior credor do Pão de Açúcar é o Itaú, que tem em torno de R$ 800 milhões a receber em junho em duas tranches, uma do banco e outra da Itaú Asset, segundo pessoas que conhecem os números da empresa.
O Itaú fornece produtos e serviços para o Pão de Açúcar, como adquirência, gestão da tesouraria e de contas a pagar e a coleta de numerário.
No fechamento de hoje, o GPA valia R$ 1,3 bi na Bolsa.
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