Uma caixa de Ozempic, fabricada pela Novo Nordisk, em uma farmácia em Londres BBC News fonte Hollie Adams/Reuters/ArquivoUma caixa de Ozempic, fabricada pe Uma caixa de Ozempic, fabricada pela Novo Nordisk, em uma farmácia em Londres BBC News fonte Hollie Adams/Reuters/ArquivoUma caixa de Ozempic, fabricada pe

Por que 'Ozempic brasileiro' pode demorar e queda de patente não deve derrubar preços

2026/03/10 19:05
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Uma caixa de Ozempic, fabricada pela Novo Nordisk, em uma farmácia em Londres — Foto: BBC News fonte Uma caixa de Ozempic, fabricada pela Novo Nordisk, em uma farmácia em Londres — Foto: BBC News fonte

A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, cairá em 20 de março no Brasil. Mas a expectativa de comprar a caneta emagrecedora por um preço mais baixo não deve se concretizar neste mês, devido a dificuldades regulatórias e industriais.

A esses fatores somam-se os planos da Novo Nordisk, criadora do Ozempic, para se manter relevante no Brasil, seu oitavo maior mercado no mundo. A farmacêutica dinamarquesa passará a produzir em Minas Gerais suas canetas, hoje importadas.

A farmacêutica ainda avalia recorrer da decisão judicial que negou a extensão de sua patente, solicitada sob a justificativa de compensar os anos levados para conceder o registro — no Brasil, o prazo de 20 anos começa a contar a partir do pedido, e não da concessão.

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Após derrotas no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o laboratório pode levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, porém, consideram improvável uma vitória, já que a medida poderia afetar não apenas o Ozempic, mas toda legislação de patentes do país.

De toda forma, é um cenário que pode resultar em um nível de concorrência ainda limitado entre as empresas brasileiras, o que levaria à prática de preços não muito abaixo do que já é visto hoje, segundo analistas do setor.

Entenda a seguir os entraves para a produção do "Ozempic brasileiro" — como a versão similar tem sido chamada —, um dos pivôs do mercado das canetas emagrecedoras, que viu seu faturamento dobrar no ano passado e movimentou cerca de R$ 12 bilhões no Brasil.

1. Anvisa ainda não autorizou a produção

As aprovações para a produção da semaglutida no Brasil devem começar a ser concedidas nas próximas semanas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a falta de regulação às vésperas da queda da patente pode levar a atrasos nos lançamentos.

Ao todo, 14 pedidos para a produção de semaglutida são avaliados pela agência reguladora, que concederá no máximo três autorizações por semestre — um trabalho, portanto, que deve se estender até meados de 2028.

A EMS, maior farmacêutica do país e uma das primeiras que receberá o aval, diz que suas canetas chegarão às farmácias, na melhor das previsões, três meses após a obtenção do registro. A empresa, portanto, espera iniciar as vendas no segundo semestre.

A estimativa do Itaú BBA, setor do banco voltado a investidores, que tem se debruçado sobre este mercado, é de que o lançamento só aconteça em agosto.

"Só faremos qualquer produção após sair o registro. Podemos nos antecipar, mas só com a compra de matéria-prima", diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.

"Um medicamento de menor complexidade poderíamos colocar no mercado em 30 ou 45 dias após a queda de patente, mas este a gente acredita que em menos de 90 dias não é possível."

A previsão se ancora na experiência de ter produzido as primeiras canetas emagrecedoras brasileiras — a Olire e a Lirux, cujo princípio ativo é a liraglutida, o mesmo usado no Saxenda e no Victoza, da Novo Nordisk.

Mas o lançamento pode atrasar caso surjam intercorrências, principalmente ligadas à importação de insumos e à distribuição para as farmácias, uma dificuldade constante em um país de dimensões continentais.

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2. Desconto obrigatório é de apenas 20%

O segundo motivo que pode dificultar a chegada breve de um Ozempic mais barato é que nenhuma das canetas brasileiras será genérica, categoria que impõe aos laboratórios a obrigação de oferecer um desconto de ao menos 35% em relação ao medicamento de referência.

Os registros submetidos à Anvisa são, em sua maioria, de produtos similares. Essa classe permite que a farmacêutica conceda um desconto mais baixo, de cerca de 20%.

Ambos têm o mesmo princípio ativo. A diferença é que o genérico não tem marca comercial e é identificado pelo nome da substância, enquanto o similar tem nome próprio e embalagem personalizada.

As versões brasileiras, que ainda não tiveram seus nomes divulgados, poderão, portanto, ser vendidas a partir de R$ 1.039,76, considerando que o Ozempic hoje sai por R$ 1.299,70.

Não é incomum achar a caneta da Novo Nordisk por R$ 999, mas isso se deve a um desconto do laboratório, que pode ser reduzido sem aviso nem justificativa, diferentemente do preço de tabela, que não pode ter altas sem autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

Para estabelecer os preços tanto de similares quanto de genéricos, vale lembrar, são levados em consideração os preços máximos de tabela do medicamento original.

Após a queda da patente, a Novo Nordisk pode oferecer descontos maiores na tentativa de frear os concorrentes brasileiros, que, por sua vez, também poderiam baixar mais ainda os preços para se manterem competitivos.

A farmacêutica anunciou na semana passada promoções para o Wegovy: a caneta com a dose inicial será oferecida gratuitamente na compra de outra unidade com dosagem mais alta, usada posteriormente pelo paciente após a adaptação ao medicamento.

À BBC News Brasil, no entanto, nenhum dos executivos desses laboratórios quis detalhar como a queda das patentes impactará a concorrência e, consequentemente, os preços.

A EMS diz que não quer fazer promessas e só saberá o valor cobrado quando produzir sua caneta em larga escala. Já a empresa dinamarquesa afirma que reagirá às mudanças do mercado, mas apenas quando elas acontecerem.

Um estudo do Itaú BBA estima que a queda de preços poderá ser de 50% em cinco anos, mas, por hora, não deve ultrapassar os 30% — cenário no qual as canetas seriam vendidas por cerca de R$ 900.

"Esse é um cálculo feito com base nas conversas que a gente teve com as farmacêuticas", diz Rodrigo Gastim, especialista em consumo do Itaú BBA, que assina um estudo recente sobre as canetas emagrecedoras ao lado de Vinicius Figueiredo, do time de saúde, e Gustavo Troyano, da área de alimentação.

"No começo, a gente assume uma premissa de queda de preço menor, porque são poucos produtos e são similares. As empresas vão tentar segurar o preço. Daqui a alguns anos, quando houver mais competição, é provável que a queda seja maior."

O histórico da liraglutida, princípio ativo da geração anterior das canetas emagrecedoras, pode dar bases para projeções relacionadas à semaglutida.

Oito meses após o lançamento dos similares, três canetas de 6 mg/mL são vendidas por R$ 845,12 na versão da EMS (chamada Olire) e por R$ 1.058,13 na da Novo Nordisk (Saxenda). Foi uma baixa de 20%1 — pouco acima dos 20% obrigatórios.

Isso quando considerados os preços de tabela. Na prática, com os descontos oferecidos pelos laboratórios — concedidos mediante o fornecimento de uma série de dados do paciente usados em estratégias comerciais e de marketing —, o cenário pode mudar, tanto para melhor quanto para pior.

Hoje, o desconto chega a quase 30%: o produto da EMS sai por R$ 633, e o da Novo Nordisk, por R$ 899. A diferença, porém, só aumentou nos últimos dias, após uma política de vendas mais agressiva às vésperas de quedas de patentes no setor. Por meses, ficou em torno de 15%.

Mesmo assim, a concorrência chacoalhou o mercado. Em agosto do ano passado, mês em que os similares foram lançados, a Novo Nordisk perdeu 36,36% de seu mercado de liraglutida para a EMS.

Devido ao desabastecimento, a EMS sofreu quedas bruscas nos meses seguintes, chegando a responder por apenas 0,34% das vendas de liraglutida em novembro, mas o laboratório brasileiro se estabilizou e, em janeiro, somou um quarto das vendas.

Os dados foram obtidos pela BBC News Brasil com a Close Up, uma multinacional dedicada à produção de relatórios sobre o mercado farmacêutico. Eles levam em consideração os três produtos da Novo Nordisk (Saxenda, Victoza e Xultophy) e os dois da EMS (Olire e Lirux).

3. Fabricar as canetas exige investimento bilionário

A terceira razão pela qual a queda de preços deve ser baixa a princípio é a dificuldade de produzir as canetas emagrecedoras.

As fábricas desses medicamentos, cuja construção pode custar bilhões de reais, enfrentam exigências mais rigorosas do que as que produzem comprimidos, cápsulas ou soluções líquidas não injetáveis.

Além de cuidados com envase e monitoramento ambiental e microbiológico, para garantir a esterilidade de lote a lote, as canetas passam por uma série de testes para que possam ser transportadas em condições mais adversas do que as do laboratório sem perder qualidade. O transporte, aliás, é um desafio à parte, por exigir refrigeração.

Poucos laboratórios são aptos para esse tipo de produção no Brasil. Entre as exceções estão a Biomm e a EMS, que diz ter investido R$ 1,2 bilhão na construção de sua planta fabril em Hortolândia, a 100 km da capital paulista.

A Biomm solicitou à Anvisa autorização para produzir suas canetas, mas não quis detalhar seus planos à reportagem. A Novo Nordisk está construindo uma fábrica em Montes Claros, no interior de Minas Gerais, com investimento de R$ 6,4 bilhões, mas ainda não produz canetas emagrecedoras no Brasil.

Há, ainda, custos além da produção: é preciso contratar representantes de vendas, realizar conferências médicas e visitar consultórios para fazer propaganda dos produtos. Afinal, como eles só podem ser vendidas com prescrição, são os médicos, em última instância, que decidem qual produto seu paciente vai comprar.

A experiência da EMS com a liraglutida é ilustrativa. Cerca de 35% dos profissionais que receitaram seus medicamentos Olire e Lirux no ano passado nunca tinham prescrito qualquer outro tipo de caneta emagrecedora, segundo a Close-Up.

É nesta etapa da cadeia de vendas, aliás, que as empresas brasileiras têm vantagens em relação às estrangeiras, afirma Filipe Campos, líder de análise de mercado na Close-Up.

"Muitas multinacionais priorizaram o mercado hospitalar e tiraram o pé das farmácias, então as brasileiras ganharam espaço, porque elas têm uma força de visitação de médicos mais forte", diz Campos.

"É um investimento alto, desde a contratação de representantes de vendas até a compra de ferramentas de análise de dados."

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4. Concorrência nacional será baixa a princípio

Ao passo que muitos laboratórios brasileiros estão interessados nas canetas emagrecedoras, poucos serão capazes de produzi-las, e a Novo Nordisk planeja contra-atacar e começar a produzi-las no Brasil, tornando-se mais competitiva para enfrentar a concorrência após a queda de suas duas patentes.

"A gente não tem confirmação de qual medicamento específico vai ser produzido e quando, mas a fábrica está se transformando para produzir qualquer um desta classe — tanto os que estão no mercado quanto os que estão por vir", diz Leonardo Bia, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade da Novo Nordisk no Brasil, que importa suas canetas.

A maioria dos laboratórios brasileiros, por sua vez, deve se unir a empresas estrangeiras. É o caso do Aché, da Hypera e da Cimed, que alardeou a ideia de produzir suas canetas no Brasil, mas desistiu devido ao custo.

Em geral, as parcerias são com farmacêuticas da Ásia, principalmente as indianas, conhecidas por produzir insumos a custos competitivos.

São duas alternativas: importar o medicamento já pronto e reembalá-lo para a revenda no Brasil — prática conhecida como licenciamento — ou contratar um laboratório estrangeiro para terceirizar a produção de uma versão própria.

Ambas as opções, no entanto, implicam importar as canetas, o que pode submeter essas empresas a impostos capazes de comprometer sua competitividade. A taxação dos insumos para produção nacional está em discussão.

Há ainda as farmacêuticas que nem sequer quiseram entrar na competição. É o caso da Eurofarma, que havia pedido à Anvisa autorização para produzir semaglutida, mas desistiu da ideia ainda no ano passado.

A decisão veio após uma parceria com a Novo Nordisk, que não teve valores revelados, na qual a companhia brasileira distribui parte dos medicamentos da dinamarquesa pelo país.

Paciente aplicando caneta emagrecedora, que em sua versão mais potente (Mounjaro) pode levar à perda de 22,5% do peso corporal — Foto: BBC News fonte Paciente aplicando caneta emagrecedora, que em sua versão mais potente (Mounjaro) pode levar à perda de 22,5% do peso corporal — Foto: BBC News fonte

5. Mounjaro e venda ilegal já pressionam o mercado antes da queda da patente

Em janeiro, os três principais medicamentos à base de semaglutida da Novo Nordisk — Ozempic, Wegovy e o comprimido Rybelsus — somaram R$ 453,2 milhões em vendas. No mesmo mês, o Mounjaro, sozinho, vendeu quase o dobro e rendeu R$ 850 milhões ao laboratório americano Eli Lilly, segundo a Close-Up.

Há menos de um ano, o segmento das canetas emagrecedoras era quase todo dominado pela Novo Nordisk — em junho de 2025, quando o Mounjaro ainda não tinha se espalhado pelo Brasil, a companhia dinamarquesa vendeu R$ 679,8 milhões apenas com a semaglutida.

Essa variação ilustra como o mercado tem se tornado cada vez mais volátil a partir do lançamento de novos fármacos, cada vez mais potentes, que derrubam as gerações anteriores.

A liraglutida, pioneira nessa classe, pode levar à redução de até 8% do peso corporal. Revolucionária quando lançada, logo ela foi ultrapassada pela semaglutida, que elevou esse patamar para cerca de 15%, hoje já obsoleto se comparado à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

A patente da tirzepatida só deve cair em 2036, mas nem por isso a corrida por novos medicamentos não deve parar. A aposta mais nova da Eli Lilly, a retatrutida, ainda em fase de testes e prevista para ser lançada no Brasil no início de 2027, promete levar a perda de até 25% do peso corporal.

A disputa também deve se ampliar com os fármacos orais, que ganham espaço como alternativa não só para quem evita injeções, mas também para pacientes que buscam opções mais baratas, já que eles são mais simples de fabricar e transportar.

O Rybelsus, único disponível no Brasil, custa R$ 565, quase metade dos R$ 999 cobrados pelo Ozempic ou pelo Wegovy em suas dosagens mais baixas.

Embora seja menos conhecido, o Rybelsus já responde por cerca de 20% das vendas de semaglutida da Novo Nordisk.

A menor adesão é, em parte, atribuída à potência mais limitada do remédio, que leva à redução de 5% do peso corporal. Mas este é um desafio que a indústria já trabalha para superar — o comprimido Orforglipron, que a Eli Lilly planeja lançar em 2027, é três vezes mais potente.

Além disso, a competição se estende à venda ilegal, cada vez mais popular no Brasil. É difícil estimar o tamanho desse mercado, segundo os executivos e analistas, mas ele virou alvo da Polícia Federal.

A Eli Lilly estima que milhões de canetas ilegais de tirzepatida já possam ter sido vendidas no Brasil — vindas do Paraguai, onde não há respeito à patente, ou de farmácias de manipulação.

A manipulação é permitida para atender a um paciente específico, ajustando uma dose não disponível comercialmente ou modificando a composição para evitar determinado efeito colateral, por exemplo. Mas o que se tem visto é a produção em massa nessas farmácias, algo ilegal e já na mira da Polícia Federal.

"Cerca de 181 quilos de tirzepatida foram importados por empresas brasileiras para manipulação no ano passado. A gente usa cinco miligramas para fazer um Mounjaro, em média. Isso equivaleria, então, a 36,2 milhões de doses ilegais. Todos os laboratórios precisam trabalhar juntos contra isso", diz o presidente da companhia no Brasil, Daniel Binette.

Laboratório brasileiro já visa mercado americano

O valor empenhado na produção de canetas emagrecedoras pode ser tamanho que a EMS, por exemplo, diz que precisará investir no mercado estrangeiro para atingir seu ponto de equilíbrio financeiro — o chamado "break-even point".

Mesmo assim, a fábrica só deve se pagar em 2030, segundo o vice-presidente do laboratório, Marcus Sanchez. A venda de Olire e Linux (liraglutida) para os Estados Unidos, a partir de 2027, é primordial para isso, com faturamento esperado de US$ 60 milhões, ele diz.

Mas o cenário é instável. Apesar de concentrar metade do mercado mundial das canetas emagrecedoras e ser um alvo fértil para as exportações, os Estados Unidos têm imposto sobretaxas ao Brasil, o que pode pôr o plano da EMS em risco.

Com isso, a expectativa recai ainda sobre a semaglutida, cuja patente cai em 2032 nos EUA. Será um período, em tese, mais tranquilo para as negociações, visto que o mandato atual do presidente Donald Trump — que não pode se reeleger — já terá terminado.

"Fomos 'first to file' nos Estados Unidos, como eles chamam a primeira empresa a protocolar um pedido de medicamento similar. Isso nos concede prioridade para vender nossa semaglutida seis meses antes da queda da patente. É uma legislação que existe lá", afirma Sanchez.

Apesar de ter os EUA como alvo principal, a EMS já pensa em alternativas. Uma delas é o Leste Europeu, onde espera vender 5 milhões de euros (ou R$ 30,9 milhões) em canetas de liraglutida por meio de uma filial na Sérvia, a Galenika, ainda este ano.

"Chegamos tarde para jogar no restante da Europa, embora a gente vá bater na porta das empresas desses países para oferecer nosso produto para revenda", diz Sanchez. "Nossa ideia é passar de US$ 400 milhões por ano de faturamento lá."

Crescimento do mercado sustenta interesse industrial, apesar das dificuldades

Apesar das dificuldades, as canetas emagrecedoras têm crescido exponencialmente no Brasil. No ano passado, a venda dobrou em relação ao ano anterior, segundo a Close-Up.

Em janeiro de 2026, houve um crescimento de 34% nas vendas em relação à média mensal registrada em 2025, um indicativo de que haverá mais crescimento — segundo o Itaú BBA, este ano deve terminar com faturamento de R$ 24,6 bilhões.

Até 2030, o faturamento deve ser de R$ 50,8 bilhões, diz Rodrigo Gastim, do Itaú, que conta ter feito a estimativa a partir das vendas dos anos anteriores e da ampliação do uso dos fármacos para o tratamento de outras patologias, como as cardiológicas, algo já em estudo.

Há ainda o interesse estético, ele diz. "Temos uma população obesa ou com sobrepeso relevante, mas este não é o único público. Somos o segundo país que mais realiza procedimentos estéticos no mundo, então o interesse inclui o uso eventual, de quem quer perder alguns quilos para o verão, por exemplo."

Gráficos por Carlos Serrano e Daniel Arce-Lopez, da equipe de jornalismo visual da BBC News Brasil

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