Mendonça cita caso em que capitão de barco do ex-banqueiro foi coagido por grupo descrito como “7 milicianos”Mendonça cita caso em que capitão de barco do ex-banqueiro foi coagido por grupo descrito como “7 milicianos”

Milicianos ameaçaram família de ex-funcionário de Vorcaro, diz Mendonça

2026/03/14 05:44
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O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça afirmou nesta 6ª feira (13.mar.2026) que um ex-funcionário ligado ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi ameaçado de morte junto com familiares por integrantes de “A Turma”, grupo de WhatsApp de Vorcaro com funcionários. Segundo a Polícia Federal, o grupo era usado para articular intimidações a pessoas e organizações que contrariavam interesses do banco.

A referência consta em decisão do ministro ao analisar um recurso relacionado às investigações conduzidas pela PF e mencionadas em documentos enviados à CPMI do INSS.

Segundo Mendonça, a autoridade policial identificou atos concretos de ameaça e intimidação praticados por integrantes do grupo investigado. O caso citado envolve Luis Felipe Woyceichoski, descrito como capitão de embarcação pertencente a Vorcaro.

De acordo com relatório policial citado na decisão, o ex-funcionário foi procurado por pessoas associadas ao grupo e coagido sob ameaça de morte. “A autoridade policial identificou e comprovou a prática de atos de ameaças concretas”, afirmou o ministro.

Conforme o relatório, o episódio foi descrito pelo próprio Woyceichoski como uma abordagem feita por “7 milicianos”, que ameaçaram não apenas ele, mas também sua família.

PF CITA MENSAGENS

A decisão do ministro cita elementos da investigação da PF que apontam para a atuação de um grupo organizado associado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo o documento, os investigadores identificaram episódios de intimidação, monitoramento de pessoas, pagamentos a integrantes do grupo e posse de armas de fogo.

Entre os casos citados está o de Luis Felipe Woyceichoski, descrito como ex-funcionário de Vorcaro e capitão de uma embarcação pertencente ao empresário. De acordo com o relatório policial mencionado no voto, ele teria sido procurado por integrantes do grupo e ameaçado de morte junto com familiares.

O ministro também menciona mensagens trocadas entre Vorcaro e Phillipi Mourão, nas quais aparece a referência à inclusão até de um policial federal no grupo responsável pelas intimidações. Segundo a investigação, Vorcaro teria sugerido a presença de um policial ao afirmar que “polícia às vezes não vai intimidar tanto”.

O voto ainda cita indícios de pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão ao grupo. Os valores seriam intermediados por Fabiano Zettel e posteriormente distribuídos entre integrantes de “A Turma”. As mensagens analisadas pela PF indicam que Mourão dividia os valores entre membros da estrutura.

De acordo com a PF, foram apreendidas armas de fogo e munições com investigados associados ao grupo, incluindo pistolas, carabina e espingarda. Para os investigadores, isso reforça a caracterização de uma estrutura organizada e armada.

VOTO DE MENDONÇA

O episódio foi citado pelo ministro ao rebater argumentos apresentados no recurso analisado pelo STF. Segundo Mendonça, a existência de episódios de intimidação e ameaça reforça a avaliação das autoridades responsáveis pela investigação sobre a gravidade das atividades atribuídas ao grupo. Eis a íntegra (PDF – 323 kB).

O ministro também afirmou que as evidências reunidas pela polícia indicam condutas que vão além de meras alegações, com registros de diálogos e elementos considerados relevantes para a apuração.

Em seu voto, Mendonça também diz que:

  • ainda há 8 celulares de Daniel Vorcaro a serem analisados;
  • a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” e que um ex-funcionário de Vorcaro e sua família foram ameaçados de morte;
  • o grupo chamado de “A Turma”, responsável por intimidar adversários do empresário, “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”;
  • foi encontrada com Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário (morto em 6 de março), uma arma em situação ilegal.

Esta reportagem foi produzida pela trainee em Jornalismo do Poder360 Thiago Annunziato sob a supervisão da editora-assistente Mayara Morales.

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