O empresário Jeff Bezos, fundador da Amaozn, está em conversas iniciais para levantar cerca de US$ 100 bilhões para um novo fundo voltado à aquisição de empresas industriais, com um objetivo ambicioso: acelerar a automação da manufatura usando inteligência artificial, segundo o The Wall Street Journal (WSJ).
O fundador da Amazon tem se reunido com alguns dos maiores gestores de recursos do mundo para estruturar o projeto. Nos últimos meses, Bezos passou pelo Oriente Médio, onde apresentou a iniciativa a representantes de fundos soberanos. Mais recentemente, esteve em Singapura em busca de novos investidores, de acordo com pessoas a par das negociações.
Descrito a potenciais cotistas como um “veículo de transformação da manufatura”, o fundo pretende comprar empresas de setores estratégicos, como semicondutores, defesa e aeroespacial. Pelo tamanho pretendido, o projeto colocaria Bezos no mesmo patamar de iniciativas como o Vision Fund, do SoftBank, também de US$ 100 bilhões, embora com foco em tecnologia.
A estratégia está diretamente ligada ao Project Prometheus, startup de IA da qual Bezos se tornou co-CEO no ano passado. A empresa desenvolve modelos capazes de entender e simular o mundo físico, uma fronteira da inteligência artificial que vem atraindo volumes crescentes de capital.
A ideia de Bezos é aplicar essa tecnologia nas empresas adquiridas pelo fundo para elevar produtividade e margens, em um movimento semelhante ao que fundos de investimento já vêm fazendo em áreas como contabilidade e gestão imobiliária.
Segundo fontes ouvidas pelo WSJ, o Project Prometheus discute uma rodada de financiamento que pode chegar a US$ 6 bilhões. Recentemente, a empresa nomeou Dave Limp, CEO da Blue Origin, para seu conselho. Bezos fundou a empresa espacial em 2000 e segue investindo bilhões de dólares por ano no negócio.
Enquanto grande parte da corrida da IA tem sido dominada por grandes modelos de linguagem, cresce o fluxo de investimentos em soluções voltadas à robótica, engenharia e manufatura, áreas que exigem sistemas capazes de lidar com espaço físico, materiais e forças mecânicas.
Nesse contexto, Bezos se junta a outros nomes veteranos do Vale do Silício. Travis Kalanick, ex-CEO do Uber, relançou sua startup Atoms com foco em manufatura inteligente, enquanto Elon Musk tem reforçado para investidores os planos da Tesla de desenvolver robôs humanoides.
A liderança no Project Prometheus marca o primeiro cargo executivo formal de Bezos em uma empresa de tecnologia desde que deixou o comando da Amazon, em 2021 — onde segue como chairman.
A Prometheus pretende inicialmente vender software de simulação e design de engenharia. Entre as aplicações estão a previsão do comportamento de materiais sob estresse ou a simulação do fluxo de ar em asas de aviões, segundo documentos apresentados a investidores.
Bezos divide o cargo de CEO com Vik Bajaj, professor da Faculdade de Medicina de Stanford e cofundador da Verily, braço de ciências da vida do Google. A startup também recrutou talentos vindos de laboratórios como OpenAI e Google DeepMind e levantou US$ 6,2 bilhões no ano passado.
O WSJ apurou ainda que o JPMorgan Chase mantém conversas preliminares para apoiar a iniciativa por meio de sua recém-criada Iniciativa de Segurança e Resiliência, um fundo de US$ 10 bilhões lançado em dezembro. Para liderar o projeto, o banco contratou Todd Combs, ex-gestor da Berkshire Hathaway.



