As reservas de ouro detidas pelos bancos centrais do mundo ultrapassaram um limiar crítico no início de 2026. Pela primeira vez, o valor coletivo das reservas soberanas de ouro — aproximadamente 4 biliões de dólares — ultrapassa agora os 3,9 biliões de dólares em títulos do Tesouro dos EUA detidos por governos estrangeiros.
Esta mudança representa a alteração mais consequente na composição das reservas globais desde que o dólar substituiu a libra esterlina britânica há décadas.
A escala das compras de ouro pelos bancos centrais tem sido consistente e crescente. Em 2025, os bancos centrais compraram coletivamente 863 toneladas de ouro. Isso marca o terceiro ano consecutivo acima das 1.000 toneladas quando se consideram as compras não reportadas estimadas pelo World Gold Council.
A Polónia adicionou 20 toneladas apenas em fevereiro. O banco central da China manteve compras durante mais de 15 meses consecutivos.
Entretanto, as participações globais em ETF de ouro atingiram um máximo histórico de 4.171 toneladas, refletindo uma ampla participação institucional para além dos compradores soberanos.
Como observou o analista Shanaka Perera nas redes sociais: "A compra não é especulativa. É estrutural. São bancos centrais a substituir o ativo que pode ser congelado pelo ativo que não pode."
O catalisador para esta mudança remonta a fevereiro de 2022. Nesse mês, os Estados Unidos e a Europa imobilizaram aproximadamente 300 mil milhões de dólares em reservas do banco central russo detidas em instituições financeiras ocidentais. A mensagem aos bancos centrais não alinhados foi direta — as reservas detidas em obrigações estrangeiras acarretam risco político.
O ouro é atualmente negociado a 4.676 dólares, abaixo dos 5.608 dólares em janeiro. O declínio deve-se em grande parte à mecânica de mercado de curto prazo impulsionada pela guerra.
O conflito do Irão empurrou o petróleo acima dos 140 dólares, impulsionando a inflação e mantendo as taxas da Reserva Federal dos EUA entre 3,50 e 3,75 por cento. Os rendimentos reais mais elevados tornaram temporariamente o dólar mais atrativo em relação ao ouro.
O mesmo conflito que está a pressionar a influência estratégica dos EUA no Estreito de Ormuz está, pelo menos no curto prazo, a apoiar a força do dólar através de canais inflacionários. O ouro encontra-se, portanto, apanhado entre as pressões de taxas de curto prazo e as tendências de diversificação de reservas a longo prazo.
As principais instituições financeiras não revisaram as suas perspetivas otimistas. O JPMorgan e o Wells Fargo projetam metas entre 6.100 e 6.300 dólares. O Goldman Sachs prevê 5.400 dólares até ao final do ano. Os compradores institucionais parecem estar a acumular durante a queda em vez de sair das posições.
O contexto mais amplo permanece inalterado. O ouro não pode ser congelado por ordem executiva, não é liquidado através do SWIFT e não requer um custodiante estrangeiro.
Essa combinação de propriedades, em vez de qualquer tese especulativa, continua a impulsionar a procura soberana. A marca dos 4 biliões de dólares reflete um reequilíbrio medido e contínuo da estratégia de reserva global — uma tonelada de cada vez.
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