O exército dos Estados Unidos confirmou que está a operar ativamente um nó de Bitcoin e a utilizar a rede para testes de cibersegurança, marcando uma mudança notável na forma como o governo vê a tecnologia Blockchain para além das finanças.
O almirante Samuel Paparo, comandante do Comando Indo-Pacífico dos EUA (INDOPACOM), revelou o desenvolvimento durante uma recente audiência no Comité de Serviços Armados do Senado, afirmando que o exército está a executar um nó ativo na rede Bitcoin e a realizar "testes operacionais" para reforçar as capacidades de defesa da rede.

A audiência completa foi transmitida em direto no YouTube, onde Paparo disse: "Não estamos a minerar Bitcoin. Estamos a utilizá-lo para monitorizar, e estamos a realizar uma série de testes operacionais para proteger redes utilizando o protocolo Bitcoin."
Segundo Paparo, a iniciativa centra-se no BTC como ferramenta de ciência da computação e segurança, e não como ativo monetário. Os testes exploram como a arquitetura subjacente da rede, nomeadamente a sua criptografia, arquitetura Blockchain e mecanismo de prova de trabalho, pode ser aplicada para proteger sistemas sensíveis.
Paparo disse aos legisladores que esta funcionalidade pode ser utilizada para aumentar o custo para os adversários que realizam ciberataques, potencialmente reforçando a dissuasão na guerra digital.
O exército está a utilizar um nó de Bitcoin para realizar testes de cibersegurança e obter acesso direto à rede BTC sem recorrer a um serviço de terceiros. Segundo Paparo, a natureza descentralizada do Bitcoin torna-o uma ferramenta de segurança valiosa, e explicou o interesse do exército ao Congresso.
"A nossa investigação sobre o Bitcoin é enquanto ferramenta de ciência da computação. É a combinação de criptografia, uma Blockchain e prova de trabalho. E o Bitcoin demonstra um potencial incrível como ferramenta de ciência da computação que, através dos protocolos de prova de trabalho, impõe efetivamente mais custos do que apenas a proteção algorítmica das redes e a nossa capacidade operacional."
Há dois anos, Paparo criticou as criptomoedas numa audiência separada no Senado e afirmou que os ativos cripto são uma porta de entrada para a proliferação, o terrorismo e o tráfico ilícito. Disse que países como a Coreia do Norte e traficantes ilegais de armas utilizam criptomoedas "fora dos olhos da lei".
No entanto, agora é a favor do BTC e afirma que "tudo o que apoia todos os instrumentos de poder nacional para os Estados Unidos da América é positivo".
Paparo confirmou ainda que a investigação do INDOPACOM se centra na arquitetura de ciência da computação do BTC e não no seu preço, após o senador Tommy Tuberville (R-AL) ter questionado se a liderança dos EUA no Bitcoin coloca o país à frente da China no Indo-Pacífico.
De acordo com dados do BitcoinTreasuries.NET, a China detém cerca de 190.000 BTC (14,88 mil milhões de dólares) após ter confiscado a maior parte durante a operação contra a fraude PlusToken em 2019. E mesmo que Pequim nunca tenha divulgado a totalidade das suas reservas, esse saldo coloca a China numa posição forte no Ecossistema BTC.
Em comparação com a China, os EUA detêm as maiores reservas de Bitcoin a nível mundial e controlam uma grande percentagem do hashrate global de Bitcoin.
No mês passado, de acordo com o noticiado pela Cryptopolitan, os senadores Bill Cassidy e Cynthia Lummis apresentaram a Lei Mined in America para expandir a produção doméstica de hardware de mineração de BTC. O projeto de lei visa também tornar lei a Reserva estratégica de Bitcoin estabelecida pelo presidente Donald Trump.
O testemunho de Paparo desencadeou uma forte subida na atividade do BTC, com os preços a ultrapassarem os $77.000 a 22 de abril e o Índice de Medo e Ganância do Bitcoin a atingir um máximo de três meses.
A oferta de BTC apertou ainda mais à medida que empresas como a Strategy de Michael Saylor compraram 34.164 BTC por mais de 2,5 mil milhões de dólares. O investidor bilionário Anthony Scaramucci chegou mesmo a afirmar que a capitalização de mercado da moeda poderia atingir 21 biliões de dólares. Isso significa que cada Bitcoin poderia valer cerca de 1 milhão de dólares.
Paparo elogiou também a Lei GENIUS do presidente Trump e chamou-lhe "um grande passo em frente que nos move nessa direção" de manutenção da dominância global do dólar.
O Gabinete de Cibersegurança e Proteção de Infraestruturas Críticas (OCCIP) do Departamento do Tesouro dos EUA lançou também uma nova iniciativa para combater ciberataques. As empresas podem agora partilhar detalhes sobre ameaças com o governo para melhores contramedidas.
As ameaças externas, como o envolvimento da Coreia do Norte em criptomoedas, estão também entre as razões pelas quais o exército dos EUA continua a testar redes descentralizadas para fins de segurança. O Grupo Lazarus desviou 600 milhões de dólares através de vários exploits cripto apenas em abril de 2026, o que torna esta nova iniciativa militar ainda mais urgente.
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