Uma força-tarefa de aplicação da lei dos EUA apreendeu centenas de sites de investimento falsos e levantou o sigilo de mandados contra dois suspeitos ligados a um complexo de golpes online de cripto na Birmânia.
O Departamento de Estado dos EUA está a oferecer 10 milhões de dólares a quem ajude a desmantelar os centros de fraude Tai Chang na Birmânia — uma recompensa que sinaliza a seriedade com que Washington está a tratar o problema da fraude industrializada no Sudeste Asiático.
Este anúncio surgiu a par de uma ação abrangente realizada na quinta-feira pela Força-Tarefa contra Centros de Fraude dos EUA, que afirmou ter congelado mais de 700 milhões de dólares em cripto ligados a golpes online de investimento direcionados a vítimas americanas.
Os fundos foram bloqueados através de uma combinação de cooperação voluntária das exchanges de cripto e de processos legais formais.
O alcance da operação foi além do congelamento de ativos. As autoridades derrubaram mais de 500 sites de investimento fraudulentos que tinham sido utilizados para atrair vítimas a depositar criptomoedas. Os visitantes que tentam aceder a esses domínios deparam-se agora com um aviso de apreensão governamental.
Um canal do Telegram foi também apreendido. Segundo os relatos, tinha sido utilizado para recrutar candidatos a emprego desprevenidos para um centro de golpes online de cripto a operar no Camboja — uma tática comum no Sudeste Asiático, onde os traficantes se fazem passar por empregadores para atrair trabalhadores para trabalho forçado em complexos de fraude.
Dois cidadãos chineses, Huang Xingshan e Jiang Wen Jie, foram identificados em queixas-crime e mandados de detenção levantados no âmbito da operação. O par é acusado de gerir um esquema de fraude de investimento em cripto no complexo Shunda, na Birmânia. Esse complexo foi apreendido pelo Exército de Libertação Nacional Karen em novembro de 2025.
Exchanges e empresas de Blockchain unem-se ao combateOs EUA não agiram sozinhos na quinta-feira. A polícia de Singapura conduziu uma operação paralela com a duração de um mês, de meados de março a meados de abril, em colaboração com a Coinbase, Gemini, Coinhako, Independent Reserve e as empresas de análise de Blockchain TRM Labs e Chainalysis.
Esse esforço evitou mais de 2,86 milhões de dólares em perdas potenciais e incluiu mais de 90 intervenções diretas com vítimas de golpes online — algumas por telefone, outras presencialmente.
A disponibilidade das principais plataformas de cripto para cooperar com as autoridades marca uma mudança na forma como estes casos estão a ser tratados. As transações na Blockchain são rastreáveis, e essa transparência está a ser cada vez mais utilizada contra os próprios criminosos que dependem da cripto pela sua rapidez e anonimato.
Perdas que ascendem aos milhares de milhõesÉ difícil exagerar a dimensão do problema. O FBI recebeu mais de um milhão de queixas de cibercrime só em 2025, com perdas totais reportadas a ultrapassar os 20 mil milhões de dólares.
Os 701 milhões de dólares congelados na quinta-feira, embora sejam um valor significativo, representam uma fração do que já foi perdido.
Imagem de destaque da Meta, gráfico do TradingView


