Os fluxos globais de petróleo demorarão quatro meses a regressar a 80 por cento dos níveis habituais caso a guerra no Médio Oriente termine amanhã, e não voltarão à plena capacidade antes do primeiro ou segundo trimestre de 2027, afirmou o ministro da indústria dos EAU, Sultan Al Jaber.
Os danos causados pelos ataques iranianos às instalações da Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), de capitais públicos, da qual Al Jaber é diretor-geral, ainda estão a ser avaliados, com algumas operações previstas para retomar totalmente em poucas semanas, enquanto outras exigirão meses de reparação, disse ontem.
Al Jaber classificou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irão, em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel, como "a perturbação de abastecimento mais grave de que há registo".
Mais de mil milhões de barris de crude foram retirados do mercado desde o início das hostilidades, a 28 de fevereiro, um número que aumenta cerca de cem milhões de barris por semana, referiu o ministro durante uma intervenção virtual perante o Atlantic Council, em Washington.
O preço do crude Brent subiu 40 por cento face aos valores anteriores ao conflito, os preços dos combustíveis avançaram 30 por cento, os dos fertilizantes 50 por cento e as tarifas aéreas aumentaram 25 por cento, disse Al Jaber.
"Isto não é apenas um problema económico; na verdade, cria um precedente perigoso", afirmou. "Quando se aceita que um único país pode tomar como refém a via navegável mais importante do mundo, a liberdade de navegação tal como a conhecemos simplesmente acaba."
"Se não defendermos este princípio hoje, passaremos a próxima década a lidar com as consequências", acrescentou Al Jaber.
O conflito está a transformar a questão da segurança energética, que deixa de ser uma questão de volumes de produção para passar a ser uma questão de "rotas, acesso, armazenamento e redundância".
Os esforços dos EAU para encontrar alternativas ao Estreito de Ormuz incluem um segundo oleoduto Oeste-Leste até Fujairah, no Golfo de Omã, que deverá duplicar a capacidade nessa rota de exportação.
Al Jaber disse que as obras no oleoduto estão quase 50 por cento concluídas e foram aceleradas para entrega no próximo ano.
Um mundo com necessidades energéticas crescentes, que precisa de mais energia para acomodar o crescimento populacional e a expansão da inteligência artificial, manterá a procura de petróleo "bem acima dos 100 milhões de barris [por dia] até à década de 2040", previu Al Jaber.
Mas a indústria do petróleo e gás está "perigosamente subinvestida", disse.
A capacidade excedentária global ronda os 3 milhões de barris por dia, quando deveria estar "mais perto dos cinco".
"E em apenas dois meses, o mundo consumiu cerca de 250 milhões de barris das reservas", disse Al Jaber. "Temos entre 30 a 35 dias de cobertura efetiva. Precisamos de pelo menos duplicar isso."
O ministro enquadrou a decisão do seu país de abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) como uma "escolha estratégica soberana" que confere maior flexibilidade para investir, produzir e exportar.
"O mundo precisa de mais daquilo que os EAU produzem, e isso são barris de baixo custo e baixo carbono", disse.
"Ao mesmo tempo, nós nos EAU precisamos de mais energia para avançar à velocidade da nossa ambição", acrescentou Al Jaber, apontando para a IA, a manufatura avançada e outras novas indústrias.
Descreveu a relação entre os EAU e os EUA como "cada vez mais integrada, mais ambiciosa e mais consequente a cada ano."
A Adnoc, diretamente e através de subsidiárias como o braço de investimento no exterior XRG, já alocou mais de 85 mil milhões de dólares em 19 estados.
"Os EAU e os Estados Unidos não são apenas parceiros comerciais: somos co-investidores na economia do próximo século."


