Uma LLC do Wyoming gerou uma resposta contundente de Charles Hoskinson após pedir a um tribunal de Nova Iorque que reconhecesse a sua reivindicação sobre cerca de 3,8 milhões de Bitcoin dormentes.
Charles Hoskinson afirmou que o processo equivalia ao argumento de que a inatividade prolongada poderia retirar aos proprietários as suas criptomoedas, resumindo a teoria como: "Se guardar dinheiro no seu cofre durante demasiado tempo, iremos atrás dele." O fundador da Cardano também criticou os advogados por detrás do caso, argumentando que tais reivindicações não devem ser tratadas como trabalho jurídico normal.

O caso, apresentado no Supremo Tribunal de Nova Iorque, centra-se num demandante que usa o nome Noah Doe. De acordo com a queixa, o demandante afirma ter desenvolvido um algoritmo que identifica carteiras Bitcoin que não movimentaram fundos durante pelo menos cinco ou seis anos.
De acordo com o processo, o demandante sinalizou mais de 42.000 carteiras e apresentou relatórios de propriedade achada junto do Departamento de Polícia de Nova Iorque. A queixa refere ainda que o demandante tentou alertar os possíveis proprietários das carteiras através de comunicados de imprensa, avisos públicos, publicações em websites e mensagens OP_RETURN colocadas na blockchain do Bitcoin.
Após remover as carteiras que posteriormente mostraram atividade, o demandante alega que 39.069 carteiras permanecem abandonadas. O processo pede ao tribunal que aplique a lei de propriedade abandonada e conceda a propriedade dessas carteiras ao demandante.
A queixa afirma que as carteiras detêm cerca de 3,8 milhões de Bitcoin. Com base no preço de mercado do Bitcoin, o valor total poderá atingir centenas de milhares de milhões de dólares, embora o processo não alegue que o demandante controla as chaves privadas necessárias para movimentar as moedas.
A crítica de Hoskinson centra-se na ideia de que uma carteira Bitcoin silenciosa pode ser tratada como propriedade abandonada. Na sua perspetiva, o processo colide com uma das ideias centrais do Bitcoin, que permite aos proprietários deter ativos sem bancos, corretores ou atividade regular em conta.
Ao contrário das contas bancárias, as carteiras Bitcoin não requerem verificações de manutenção ou utilização periódica. Um titular de carteira com chaves privadas pode deixar as moedas intocadas durante anos, mantendo ainda assim o controlo.
A queixa não afirma que a LLC do Wyoming ou Noah Doe tem acesso a quaisquer chaves privadas. Este detalhe é relevante porque as transações de Bitcoin requerem assinaturas criptográficas válidas antes de as moedas poderem ser movimentadas.
Um tribunal poderia emitir uma decisão sobre a propriedade legal, mas a rede Bitcoin não movimentaria moedas sem as chaves necessárias. Por esse motivo, o caso poderá enfrentar limitações práticas mesmo que o demandante obtenha alguma forma de reconhecimento legal.
O processo atraiu atenção porque o cold storage a longo prazo continua a ser uma prática comum de segurança do Bitcoin. Muitos detentores movem fundos para carteiras offline e deixam-nos intocados para reduzir os riscos de pirataria informática e de custódia.
A reação de Hoskinson demonstra a preocupação de que os tribunais possam ser solicitados a tratar a inatividade como prova de abandono, mesmo quando os proprietários podem simplesmente estar a proteger os seus ativos. O caso da LLC do Wyoming, tal como descrito na queixa, coloca agora esse conflito perante um tribunal de Nova Iorque.
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