A Superintendência de Indústria e Comércio da Colômbia (SIC) ordenou a suspensão permanente das operações da World Foundation e Tools for Humanity, as entidades por trás da Worldcoin. A resolução, numerada 78798 e emitida em 3 de outubro de 2025, responde a violações relacionadas à coleta e tratamento de dados biométricos no país.
De acordo com a SIC, ambas as empresas obtiveram digitalizações de íris de cidadãos colombianos usando dispositivos conhecidos como Orbs, sem obter consentimento válido e informado. Os dados coletados foram supostamente usados para treinar sistemas de inteligência artificial, uma atividade que a autoridade determinou como não conforme com as leis nacionais de privacidade. A resolução também determina a exclusão de todas as bases de dados biométricos criadas desde 2024, incluindo códigos de íris criptografados e informações armazenadas em servidores locais ou internacionais.
A decisão segue as conclusões da Delegação da SIC para Proteção de Dados Pessoais, que identificou falhas nos protocolos de segurança das empresas e no controle de transferências de dados para fora da Colômbia. A agência enfatizou que o direito ao habeas data, uma proteção constitucional, deve prevalecer sobre qualquer interesse tecnológico estrangeiro.
O caso começou em agosto de 2024, após surgirem relatos sobre estabelecimentos oferecendo pagamentos em criptomoeda em troca de digitalizações de íris. Alguns usuários receberam até 100.000 pesos colombianos por participar, uma prática que levantou questões sobre privacidade e consentimento informado.
Após a resolução, a World Foundation emitiu uma declaração discordando da decisão e afirmando que planeia recorrer. A empresa manteve que não armazena informações biométricas e que a participação na Worldcoin permanece opcional e separada da verificação de dados.
A SIC reiterou que qualquer projeto internacional que processe dados de cidadãos colombianos deve cumprir integralmente a legislação local, independentemente do seu modelo de negócio ou tecnologia empregada.


