Roupa Getty Images Será que a moda do amanhã pode brotar de um frasco de cultura? A pergunta, que hoje parece experimental, ganhou novo fôlego após cientistas demonstrarem que bactérias são capazes de fabricar fibras têxteis já tingidas, dispensando corantes químicos e matérias-primas derivadas do petróleo. O estudo, publicado na revista Trends in Biotechnology na quarta-feira (12), aponta um avanço que promete reduzir emissões, consumo de energia e impactos ambientais associados à indústria da moda. A pesquisa foi conduzida por San Yup Lee, do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia, em parceria com colegas de outras instituições. Segundo o especialista, parte dos processos atuais “gera muitos gases de efeito estufa, degrada a qualidade da água e polui o solo”. Além disso, a fabricação e o tingimento dos tecidos costumam ocorrer em etapas separadas, exigindo altos volumes de produtos químicos. Uma paleta inteira criada por microrganismos O grupo apostou na celulose bacteriana — fibras produzidas durante a fermentação — como alternativa aos polímeros sintéticos. Para isso, utilizou duas espécies com funções complementares: a Komagataeibacter xylinus, responsável pela produção das fibras, e uma linhagem modificada de Escherichia coli, programada para gerar pigmentos naturais. As violaceínas permitiram cores que vão do verde ao roxo; já os carotenoides viabilizaram tons de vermelho, laranja e amarelo. O experimento, porém, não funcionou de imediato. De acordo com Lee, “ou a produção de celulose era muito menor do que o esperado, ou nunca coloria”. As bactérias, inicialmente, inibiam o desenvolvimento umas das outras. Para contornar o problema, a equipe criou dois métodos distintos: um “cocultivo diferido” para tons frios — no qual a fibra é produzida primeiro e, horas depois, pigmentada — e um “cultivo sequencial” para tons quentes, com as cores adicionadas após a purificação da celulose. Os pesquisadores obtiveram lâminas de celulose em sete tonalidades — roxo, azul-marinho, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Em testes de resistência, as amostras foram submetidas a lavagens, calor, alvejante e substâncias ácidas e alcalinas. A maioria manteve suas cores, e, segundo o estudo, os pigmentos de violaceína tiveram desempenho superior ao de corantes sintéticos em ensaios de lavagem. Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não está pronta para ser produzida em escala industrial. A estimativa da equipe é que tecidos fabricados inteiramente por bactérias possam chegar ao mercado em cerca de cinco anos. “Nosso trabalho não vai mudar toda a indústria têxtil agora, mas propusemos uma direção ecologicamente correta”, afirmou Lee em comunicado. Ele reforçou que a inovação carrega um apelo ético: “É nosso dever tornar o mundo um lugar melhor e permitir que nossos filhos vivam vidas mais felizes. Vamos ser gentis com o meio ambiente.” Mais Lidas Roupa Getty Images Será que a moda do amanhã pode brotar de um frasco de cultura? A pergunta, que hoje parece experimental, ganhou novo fôlego após cientistas demonstrarem que bactérias são capazes de fabricar fibras têxteis já tingidas, dispensando corantes químicos e matérias-primas derivadas do petróleo. O estudo, publicado na revista Trends in Biotechnology na quarta-feira (12), aponta um avanço que promete reduzir emissões, consumo de energia e impactos ambientais associados à indústria da moda. A pesquisa foi conduzida por San Yup Lee, do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia, em parceria com colegas de outras instituições. Segundo o especialista, parte dos processos atuais “gera muitos gases de efeito estufa, degrada a qualidade da água e polui o solo”. Além disso, a fabricação e o tingimento dos tecidos costumam ocorrer em etapas separadas, exigindo altos volumes de produtos químicos. Uma paleta inteira criada por microrganismos O grupo apostou na celulose bacteriana — fibras produzidas durante a fermentação — como alternativa aos polímeros sintéticos. Para isso, utilizou duas espécies com funções complementares: a Komagataeibacter xylinus, responsável pela produção das fibras, e uma linhagem modificada de Escherichia coli, programada para gerar pigmentos naturais. As violaceínas permitiram cores que vão do verde ao roxo; já os carotenoides viabilizaram tons de vermelho, laranja e amarelo. O experimento, porém, não funcionou de imediato. De acordo com Lee, “ou a produção de celulose era muito menor do que o esperado, ou nunca coloria”. As bactérias, inicialmente, inibiam o desenvolvimento umas das outras. Para contornar o problema, a equipe criou dois métodos distintos: um “cocultivo diferido” para tons frios — no qual a fibra é produzida primeiro e, horas depois, pigmentada — e um “cultivo sequencial” para tons quentes, com as cores adicionadas após a purificação da celulose. Os pesquisadores obtiveram lâminas de celulose em sete tonalidades — roxo, azul-marinho, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Em testes de resistência, as amostras foram submetidas a lavagens, calor, alvejante e substâncias ácidas e alcalinas. A maioria manteve suas cores, e, segundo o estudo, os pigmentos de violaceína tiveram desempenho superior ao de corantes sintéticos em ensaios de lavagem. Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não está pronta para ser produzida em escala industrial. A estimativa da equipe é que tecidos fabricados inteiramente por bactérias possam chegar ao mercado em cerca de cinco anos. “Nosso trabalho não vai mudar toda a indústria têxtil agora, mas propusemos uma direção ecologicamente correta”, afirmou Lee em comunicado. Ele reforçou que a inovação carrega um apelo ético: “É nosso dever tornar o mundo um lugar melhor e permitir que nossos filhos vivam vidas mais felizes. Vamos ser gentis com o meio ambiente.” Mais Lidas
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Roupa — Foto: Getty Images
Será que a moda do amanhã pode brotar de um frasco de cultura? A pergunta, que hoje parece experimental, ganhou novo fôlego após cientistas demonstrarem que bactérias são capazes de fabricar fibras têxteis já tingidas, dispensando corantes químicos e matérias-primas derivadas do petróleo. O estudo, publicado na revista Trends in Biotechnology na quarta-feira (12), aponta um avanço que promete reduzir emissões, consumo de energia e impactos ambientais associados à indústria da moda.
A pesquisa foi conduzida por San Yup Lee, do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia, em parceria com colegas de outras instituições. Segundo o especialista, parte dos processos atuais “gera muitos gases de efeito estufa, degrada a qualidade da água e polui o solo”. Além disso, a fabricação e o tingimento dos tecidos costumam ocorrer em etapas separadas, exigindo altos volumes de produtos químicos.
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Uma paleta inteira criada por microrganismos
O grupo apostou na celulose bacteriana — fibras produzidas durante a fermentação — como alternativa aos polímeros sintéticos. Para isso, utilizou duas espécies com funções complementares: a Komagataeibacter xylinus, responsável pela produção das fibras, e uma linhagem modificada de Escherichia coli, programada para gerar pigmentos naturais. As violaceínas permitiram cores que vão do verde ao roxo; já os carotenoides viabilizaram tons de vermelho, laranja e amarelo.
O experimento, porém, não funcionou de imediato. De acordo com Lee, “ou a produção de celulose era muito menor do que o esperado, ou nunca coloria”. As bactérias, inicialmente, inibiam o desenvolvimento umas das outras. Para contornar o problema, a equipe criou dois métodos distintos: um “cocultivo diferido” para tons frios — no qual a fibra é produzida primeiro e, horas depois, pigmentada — e um “cultivo sequencial” para tons quentes, com as cores adicionadas após a purificação da celulose.
Os pesquisadores obtiveram lâminas de celulose em sete tonalidades — roxo, azul-marinho, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Em testes de resistência, as amostras foram submetidas a lavagens, calor, alvejante e substâncias ácidas e alcalinas. A maioria manteve suas cores, e, segundo o estudo, os pigmentos de violaceína tiveram desempenho superior ao de corantes sintéticos em ensaios de lavagem.
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não está pronta para ser produzida em escala industrial. A estimativa da equipe é que tecidos fabricados inteiramente por bactérias possam chegar ao mercado em cerca de cinco anos. “Nosso trabalho não vai mudar toda a indústria têxtil agora, mas propusemos uma direção ecologicamente correta”, afirmou Lee em comunicado. Ele reforçou que a inovação carrega um apelo ético: “É nosso dever tornar o mundo um lugar melhor e permitir que nossos filhos vivam vidas mais felizes. Vamos ser gentis com o meio ambiente.”
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