Ritmo de formação de talentos verdes ainda não acompanha a demanda Getty Images/Arte As habilidades verdes, ou seja, aqueles voltadas para práticas sustentáveis, estão se tornando competências essenciais para os negócios. E, com isso, a procura por profissionais com esse conhecimento também aumentou. Segundo a rede social profissional LinkedIn, o ritmo de formação de talentos verdes, porém, ainda não acompanha a demanda. Nos últimos dois anos, a contratação de profissionais com habilidades sustentáveis cresceu 8% globalmente, enquanto a oferta desses profissionais aumentou apenas 4,3%. No Brasil, o crescimento é ainda maior, com taxa de contratações verdes subindo de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025. No mesmo período, a concentração de talentos verdes (proporção de profissionais com habilidades verdes na força de trabalho total) passou de 12,3% para 15,3%, sendo que só de 2024 para este ano, o crescimento da oferta desses profissionais foi de 6,7%, segundo os dados do LinkedIn. A demanda por essas habilidades tem crescido no mundo inteiro em uma taxa quase que o dobro das ofertas de trabalhos que não solicitam as habilidades verdes. E no Brasil, esse crescimento ainda é maior, mais agressivo do que a gente vê no resto do mundo. Por outro lado, a gente vê que a oferta de profissionais ou o crescimento das habilidades não tem acompanhado a mesma demanda Mas o que são as habilidades verdes? Plihal esclarece que há diferença entre empregos e habilidades verdes. Os empregos verdes são aqueles realmente focados na missão de preservar o meio ambiente, cuidar dos recursos ou evitar desastres ecológicos. “Esses eram os empregos verdes, aqueles que estão diretamente relacionados à contenção de um processo de degradação que a gente está vivendo. E agora, a gente passa a ver que eles foram muito importantes, até pela formação dessa conscientização, e começam a extrapolar e permear para diferentes funções”, diz ela. As empresas passaram a desejar profissionais com habilidades verdes, ou seja, que tenham uma consciência e desenvolvam uma otimização pesando em sustentabilidade, agregando esse olhar à sua função. Isso é o que a gente chama de habilidade verde. Eu não deixo de ter o meu hard skill [técnicas específicas do profissional], mas eu tenho uma especialização ou uma orientação de como eu faço isso de uma maneira mais sustentável Os dados do LinkedIn mostram que pela primeira vez, mais da metade das contratações verdes (53%) são para cargos que não eram tradicionalmente associados à sustentabilidade. A gestão da cadeia de suprimentos, por exemplo, a princípio, é um processo de compras. Mas, agora, além disso, são desejadas também habilidades específicas pensadas em sustentabilidade, como para rastreabilidade dos insumos e ter a certeza de que a empresa está produzindo de forma que respeite o meio ambiente. “É uma conversa que sai do departamento exclusivamente de sustentabilidade e permeia para organizações”. Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil Divulgação Outro caso é a área de desenvolvimento de software. Empresas estão procurando desenvolvedores que tenham habilidade de fazer um código verde. Ou seja, um código otimizado que consuma menos energia, que processe muito mais rápido e que exija menos CPU (Unidade Central de Processamento), por exemplo. Segundo a especialista, esta é uma janela de oportunidade para aqueles que estão querendo se diferenciar no mercado. A escassez de talentos faz com que profissionais com habilidades voltadas à sustentabilidade sejam contratados a uma taxa 47% superior à da média da força de trabalho. Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell, empresa do setor de celulose, confirma essa tendência. “Esses profissionais que têm um conhecimento técnico dentro de sustentabilidade, dentro desta parte de ESG, não ficam desempregados, praticamente. Você está conversando com um candidato, ele está participando de outros processos. Se você não é ágil na tomada de decisão, acaba perdendo um candidato que pode ser bom porque o mercado vem exigindo muito das empresas”, diz. Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell Divulgação/Acervo Bracell Setor de tecnologia lidera contratações com habilidades sustentáveis O levantamento do LinkedIn aponta ainda que entre 2021 e 2025, o setor de tecnologia liderou o crescimento de contratações com habilidades sustentáveis, com média anual de 11,2%. Em 2025, 14,7% dos profissionais desse setor ao redor do mundo já possuíam pelo menos uma habilidade verde. A busca por sustentabilidade também impulsionou a valorização de competências específicas, e gestão de energia foi a habilidade com crescimento mais rápido, com aumento de 17,4% no número de profissionais que adicionaram essa competência aos seus perfis, impulsionada pelo avanço das energias renováveis e pelas demandas geradas pela inteligência artificial. No contexto da IA, profissionais com esse perfil vêm adicionando cada vez mais competências verdes ligadas à eficiência, manutenção e sustentabilidade industrial. As que mais cresceram globalmente entre talentos de IA foram: Eficiência Operacional (+579%), Manutenção e Reparo (+190%), Gestão do Ciclo de Vida do Produto (+152%) e Otimização de Processos (+132%). Já as habilidades verdes mais demandadas no Brasil neste ano estão: Mitigação de Riscos Eficiência Operacional Gestão Integrada da Cadeia de Suprimentos Estratégia de Sustentabilidade Impactos das Mudanças Climáticas Os setores com maior participação de contratações verdes no Brasil em 2025 foram: Agricultura, Pecuária e Silvicultura: 37,9% Construção Civil: 36,2% Petróleo, Gás e Mineração: 33,3% Serviços Públicos (Utilities): 29,7% Manufatura: 24,8% Por que faltam profissionais com habilidades verdes? Os dados mostram que profissionais relatam preocupação com a falta de experiência como barreira para migrar para cargos sustentáveis. Embora 56% das empresas digam oferecer treinamentos abrangentes em habilidades verdes, 30% dos trabalhadores afirmam não ter as competências necessárias para ocupar essas funções, e 44% relatam não receber esse tipo de treinamento em seus empregos atuais. Plihal diz que o que falta ainda é comunicação entre os tomadores de decisão, como board e CEOs, e os profissionais na ponta, que mostram interesse nestas habilidades. “Como eu desenvolvo essas habilidades? Como é que converto esse desejo e aspiração em habilidade concreta que aplicar no meu dia-a-dia de trabalho?”, questiona. Para ela, o desafio é como viabilizar o desenvolvimento dessas habilidades para que eles aconteçam de forma estruturada e escalável, chegando a todos que tenham interesse nisso. “Existe ainda esse gap de: ‘eu quero, não sei aonde eu procuro’, ‘eu também gostaria, mas não sei onde eu desenvolvo’. Como é que eu conecto essas duas pontas? O que a gente acredita é que é através dessa conversa entre governo, empresa e mercado que a gente vai conseguir endereçar.” Já Pereira afirma que antigamente, por exemplo, cargos como engenharia ambiental eram direcionados para uma área de qualidade ambiental ou segurança do trabalho. “Como passar dos tempos, as pessoas foram achando essas áreas menos atrativas e deixaram de olhar para essa profissão”, diz. “Deixou-se de fazer cursos relacionados à sustentabilidade, e as pessoas passaram a fazer outros cursos. E agora, o mercado traz uma outra realidade, onde há uma escassez de profissionais preparados, qualificados para assumir essas posições que o mercado vem oferecendo, dado o cenário do mundo e a importância de ter empresas e ambientes mais sustentáveis”, afirma. Jovens estão de olho nas habilidades verdes Larissa Freire Justo apostou na engenharia ambiental Divulgação/Acervo Bracell Larissa Freire Justo, 31 anos, foi uma das profissionais jovens que decidiu apostar na área. Formada em engenharia ambiental, ela entrou na Bracell pelo Programa de Trainee, em 2020, na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Foi efetivada como pesquisadora de desenvolvimento de madeira e meio ambiente e, depois, assumiu a coordenação de meio ambiente industrial, sendo responsável pela gestão e conformidade ambiental da fábrica de Lençóis Paulista, Terminal Intermodal de Pederneiras e Porto de Santos. Justo diz sentir o aumento de interesse por profissionais com conhecimentos verdes. “A demanda tem crescido cada vez mais. Eu vejo muita diferença de quando eu entrei na faculdade, no meu primeiro ano, em que eu via veteranos do quinto ano com um pouco de dificuldade de se alocar no mercado. Já era uma realidade totalmente diferente quando eu me formei, cinco anos depois. As pessoas queriam engenheiros ambientais para estágio, para entrar em vagas efetivas na indústria. Isso já era mais aberto”, afirma. Para ela, o conhecimento técnico com a experiência prática, que programas de entrada como estágio e treinee oferecem, fazem diferença. “Eles trazem muito a visibilidade para nós, a formação prática, porque você tem contato com a empresa inteira, faz job rotation, e aliado a esse conhecimento técnico que você tem que aplicar na prática, é um diferencial.” Neste período, Justo continuou a se especializar. Pela Bracell, ela fez um mestrado em economia circular, além de cursos e treinamentos externos. Para Pereira, pessoas que apostam mais nesta parte técnica levam vantagem. “A sustentabilidade é técnica. Quando você pensa em crédito de carbono, em questões de resíduos e tratamento de água, são áreas técnicas, que exige um conhecimento técnico”, diz. “Tenho percebido no mercado que as pessoas que não tem área técnica tem buscado reforçar um pouco essa base”. Mais Lidas Ritmo de formação de talentos verdes ainda não acompanha a demanda Getty Images/Arte As habilidades verdes, ou seja, aqueles voltadas para práticas sustentáveis, estão se tornando competências essenciais para os negócios. E, com isso, a procura por profissionais com esse conhecimento também aumentou. Segundo a rede social profissional LinkedIn, o ritmo de formação de talentos verdes, porém, ainda não acompanha a demanda. Nos últimos dois anos, a contratação de profissionais com habilidades sustentáveis cresceu 8% globalmente, enquanto a oferta desses profissionais aumentou apenas 4,3%. No Brasil, o crescimento é ainda maior, com taxa de contratações verdes subindo de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025. No mesmo período, a concentração de talentos verdes (proporção de profissionais com habilidades verdes na força de trabalho total) passou de 12,3% para 15,3%, sendo que só de 2024 para este ano, o crescimento da oferta desses profissionais foi de 6,7%, segundo os dados do LinkedIn. A demanda por essas habilidades tem crescido no mundo inteiro em uma taxa quase que o dobro das ofertas de trabalhos que não solicitam as habilidades verdes. E no Brasil, esse crescimento ainda é maior, mais agressivo do que a gente vê no resto do mundo. Por outro lado, a gente vê que a oferta de profissionais ou o crescimento das habilidades não tem acompanhado a mesma demanda Mas o que são as habilidades verdes? Plihal esclarece que há diferença entre empregos e habilidades verdes. Os empregos verdes são aqueles realmente focados na missão de preservar o meio ambiente, cuidar dos recursos ou evitar desastres ecológicos. “Esses eram os empregos verdes, aqueles que estão diretamente relacionados à contenção de um processo de degradação que a gente está vivendo. E agora, a gente passa a ver que eles foram muito importantes, até pela formação dessa conscientização, e começam a extrapolar e permear para diferentes funções”, diz ela. As empresas passaram a desejar profissionais com habilidades verdes, ou seja, que tenham uma consciência e desenvolvam uma otimização pesando em sustentabilidade, agregando esse olhar à sua função. Isso é o que a gente chama de habilidade verde. Eu não deixo de ter o meu hard skill [técnicas específicas do profissional], mas eu tenho uma especialização ou uma orientação de como eu faço isso de uma maneira mais sustentável Os dados do LinkedIn mostram que pela primeira vez, mais da metade das contratações verdes (53%) são para cargos que não eram tradicionalmente associados à sustentabilidade. A gestão da cadeia de suprimentos, por exemplo, a princípio, é um processo de compras. Mas, agora, além disso, são desejadas também habilidades específicas pensadas em sustentabilidade, como para rastreabilidade dos insumos e ter a certeza de que a empresa está produzindo de forma que respeite o meio ambiente. “É uma conversa que sai do departamento exclusivamente de sustentabilidade e permeia para organizações”. Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil Divulgação Outro caso é a área de desenvolvimento de software. Empresas estão procurando desenvolvedores que tenham habilidade de fazer um código verde. Ou seja, um código otimizado que consuma menos energia, que processe muito mais rápido e que exija menos CPU (Unidade Central de Processamento), por exemplo. Segundo a especialista, esta é uma janela de oportunidade para aqueles que estão querendo se diferenciar no mercado. A escassez de talentos faz com que profissionais com habilidades voltadas à sustentabilidade sejam contratados a uma taxa 47% superior à da média da força de trabalho. Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell, empresa do setor de celulose, confirma essa tendência. “Esses profissionais que têm um conhecimento técnico dentro de sustentabilidade, dentro desta parte de ESG, não ficam desempregados, praticamente. Você está conversando com um candidato, ele está participando de outros processos. Se você não é ágil na tomada de decisão, acaba perdendo um candidato que pode ser bom porque o mercado vem exigindo muito das empresas”, diz. Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell Divulgação/Acervo Bracell Setor de tecnologia lidera contratações com habilidades sustentáveis O levantamento do LinkedIn aponta ainda que entre 2021 e 2025, o setor de tecnologia liderou o crescimento de contratações com habilidades sustentáveis, com média anual de 11,2%. Em 2025, 14,7% dos profissionais desse setor ao redor do mundo já possuíam pelo menos uma habilidade verde. A busca por sustentabilidade também impulsionou a valorização de competências específicas, e gestão de energia foi a habilidade com crescimento mais rápido, com aumento de 17,4% no número de profissionais que adicionaram essa competência aos seus perfis, impulsionada pelo avanço das energias renováveis e pelas demandas geradas pela inteligência artificial. No contexto da IA, profissionais com esse perfil vêm adicionando cada vez mais competências verdes ligadas à eficiência, manutenção e sustentabilidade industrial. As que mais cresceram globalmente entre talentos de IA foram: Eficiência Operacional (+579%), Manutenção e Reparo (+190%), Gestão do Ciclo de Vida do Produto (+152%) e Otimização de Processos (+132%). Já as habilidades verdes mais demandadas no Brasil neste ano estão: Mitigação de Riscos Eficiência Operacional Gestão Integrada da Cadeia de Suprimentos Estratégia de Sustentabilidade Impactos das Mudanças Climáticas Os setores com maior participação de contratações verdes no Brasil em 2025 foram: Agricultura, Pecuária e Silvicultura: 37,9% Construção Civil: 36,2% Petróleo, Gás e Mineração: 33,3% Serviços Públicos (Utilities): 29,7% Manufatura: 24,8% Por que faltam profissionais com habilidades verdes? Os dados mostram que profissionais relatam preocupação com a falta de experiência como barreira para migrar para cargos sustentáveis. Embora 56% das empresas digam oferecer treinamentos abrangentes em habilidades verdes, 30% dos trabalhadores afirmam não ter as competências necessárias para ocupar essas funções, e 44% relatam não receber esse tipo de treinamento em seus empregos atuais. Plihal diz que o que falta ainda é comunicação entre os tomadores de decisão, como board e CEOs, e os profissionais na ponta, que mostram interesse nestas habilidades. “Como eu desenvolvo essas habilidades? Como é que converto esse desejo e aspiração em habilidade concreta que aplicar no meu dia-a-dia de trabalho?”, questiona. Para ela, o desafio é como viabilizar o desenvolvimento dessas habilidades para que eles aconteçam de forma estruturada e escalável, chegando a todos que tenham interesse nisso. “Existe ainda esse gap de: ‘eu quero, não sei aonde eu procuro’, ‘eu também gostaria, mas não sei onde eu desenvolvo’. Como é que eu conecto essas duas pontas? O que a gente acredita é que é através dessa conversa entre governo, empresa e mercado que a gente vai conseguir endereçar.” Já Pereira afirma que antigamente, por exemplo, cargos como engenharia ambiental eram direcionados para uma área de qualidade ambiental ou segurança do trabalho. “Como passar dos tempos, as pessoas foram achando essas áreas menos atrativas e deixaram de olhar para essa profissão”, diz. “Deixou-se de fazer cursos relacionados à sustentabilidade, e as pessoas passaram a fazer outros cursos. E agora, o mercado traz uma outra realidade, onde há uma escassez de profissionais preparados, qualificados para assumir essas posições que o mercado vem oferecendo, dado o cenário do mundo e a importância de ter empresas e ambientes mais sustentáveis”, afirma. Jovens estão de olho nas habilidades verdes Larissa Freire Justo apostou na engenharia ambiental Divulgação/Acervo Bracell Larissa Freire Justo, 31 anos, foi uma das profissionais jovens que decidiu apostar na área. Formada em engenharia ambiental, ela entrou na Bracell pelo Programa de Trainee, em 2020, na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Foi efetivada como pesquisadora de desenvolvimento de madeira e meio ambiente e, depois, assumiu a coordenação de meio ambiente industrial, sendo responsável pela gestão e conformidade ambiental da fábrica de Lençóis Paulista, Terminal Intermodal de Pederneiras e Porto de Santos. Justo diz sentir o aumento de interesse por profissionais com conhecimentos verdes. “A demanda tem crescido cada vez mais. Eu vejo muita diferença de quando eu entrei na faculdade, no meu primeiro ano, em que eu via veteranos do quinto ano com um pouco de dificuldade de se alocar no mercado. Já era uma realidade totalmente diferente quando eu me formei, cinco anos depois. As pessoas queriam engenheiros ambientais para estágio, para entrar em vagas efetivas na indústria. Isso já era mais aberto”, afirma. Para ela, o conhecimento técnico com a experiência prática, que programas de entrada como estágio e treinee oferecem, fazem diferença. “Eles trazem muito a visibilidade para nós, a formação prática, porque você tem contato com a empresa inteira, faz job rotation, e aliado a esse conhecimento técnico que você tem que aplicar na prática, é um diferencial.” Neste período, Justo continuou a se especializar. Pela Bracell, ela fez um mestrado em economia circular, além de cursos e treinamentos externos. Para Pereira, pessoas que apostam mais nesta parte técnica levam vantagem. “A sustentabilidade é técnica. Quando você pensa em crédito de carbono, em questões de resíduos e tratamento de água, são áreas técnicas, que exige um conhecimento técnico”, diz. “Tenho percebido no mercado que as pessoas que não tem área técnica tem buscado reforçar um pouco essa base”. Mais Lidas
Estudo do LinkedIn: demanda por profissionais com habilidades verdes é quase dobro da oferta
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Ritmo de formação de talentos verdes ainda não acompanha a demanda — Foto: Getty Images/Arte
As habilidades verdes, ou seja, aqueles voltadas para práticas sustentáveis, estão se tornando competências essenciais para os negócios. E, com isso, a procura por profissionais com esse conhecimento também aumentou.
Segundo a rede social profissional LinkedIn, o ritmo de formação de talentos verdes, porém, ainda não acompanha a demanda. Nos últimos dois anos, a contratação de profissionais com habilidades sustentáveis cresceu 8% globalmente, enquanto a oferta desses profissionais aumentou apenas 4,3%.
No Brasil, o crescimento é ainda maior, com taxa de contratações verdes subindo de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025. No mesmo período, a concentração de talentos verdes (proporção de profissionais com habilidades verdes na força de trabalho total) passou de 12,3% para 15,3%, sendo que só de 2024 para este ano, o crescimento da oferta desses profissionais foi de 6,7%, segundo os dados do LinkedIn.
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A demanda por essas habilidades tem crescido no mundo inteiro em uma taxa quase que o dobro das ofertas de trabalhos que não solicitam as habilidades verdes. E no Brasil, esse crescimento ainda é maior, mais agressivo do que a gente vê no resto do mundo. Por outro lado, a gente vê que a oferta de profissionais ou o crescimento das habilidades não tem acompanhado a mesma demanda
— Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil
Mas o que são as habilidades verdes?
Plihal esclarece que há diferença entre empregos e habilidades verdes. Os empregos verdes são aqueles realmente focados na missão de preservar o meio ambiente, cuidar dos recursos ou evitar desastres ecológicos. “Esses eram os empregos verdes, aqueles que estão diretamente relacionados à contenção de um processo de degradação que a gente está vivendo. E agora, a gente passa a ver que eles foram muito importantes, até pela formação dessa conscientização, e começam a extrapolar e permear para diferentes funções”, diz ela.
As empresas passaram a desejar profissionais com habilidades verdes, ou seja, que tenham uma consciência e desenvolvam uma otimização pesando em sustentabilidade, agregando esse olhar à sua função.
Isso é o que a gente chama de habilidade verde. Eu não deixo de ter o meu hard skill [técnicas específicas do profissional], mas eu tenho uma especialização ou uma orientação de como eu faço isso de uma maneira mais sustentável
— Ana Claudia Plihal
Os dados do LinkedIn mostram que pela primeira vez, mais da metade das contratações verdes (53%) são para cargos que não eram tradicionalmente associados à sustentabilidade. A gestão da cadeia de suprimentos, por exemplo, a princípio, é um processo de compras. Mas, agora, além disso, são desejadas também habilidades específicas pensadas em sustentabilidade, como para rastreabilidade dos insumos e ter a certeza de que a empresa está produzindo de forma que respeite o meio ambiente. “É uma conversa que sai do departamento exclusivamente de sustentabilidade e permeia para organizações”.
Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil — Foto: Divulgação
Outro caso é a área de desenvolvimento de software. Empresas estão procurando desenvolvedores que tenham habilidade de fazer um código verde. Ou seja, um código otimizado que consuma menos energia, que processe muito mais rápido e que exija menos CPU (Unidade Central de Processamento), por exemplo.
Segundo a especialista, esta é uma janela de oportunidade para aqueles que estão querendo se diferenciar no mercado. A escassez de talentos faz com que profissionais com habilidades voltadas à sustentabilidade sejam contratados a uma taxa 47% superior à da média da força de trabalho.
Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell, empresa do setor de celulose, confirma essa tendência. “Esses profissionais que têm um conhecimento técnico dentro de sustentabilidade, dentro desta parte de ESG, não ficam desempregados, praticamente. Você está conversando com um candidato, ele está participando de outros processos. Se você não é ágil na tomada de decisão, acaba perdendo um candidato que pode ser bom porque o mercado vem exigindo muito das empresas”, diz.
Marcela Fagundes Pereira, gerente de Recursos Humanos da Bracell — Foto: Divulgação/Acervo Bracell
Setor de tecnologia lidera contratações com habilidades sustentáveis
O levantamento do LinkedIn aponta ainda que entre 2021 e 2025, o setor de tecnologia liderou o crescimento de contratações com habilidades sustentáveis, com média anual de 11,2%. Em 2025, 14,7% dos profissionais desse setor ao redor do mundo já possuíam pelo menos uma habilidade verde.
A busca por sustentabilidade também impulsionou a valorização de competências específicas, e gestão de energia foi a habilidade com crescimento mais rápido, com aumento de 17,4% no número de profissionais que adicionaram essa competência aos seus perfis, impulsionada pelo avanço das energias renováveis e pelas demandas geradas pela inteligência artificial.
No contexto da IA, profissionais com esse perfil vêm adicionando cada vez mais competências verdes ligadas à eficiência, manutenção e sustentabilidade industrial. As que mais cresceram globalmente entre talentos de IA foram: Eficiência Operacional (+579%), Manutenção e Reparo (+190%), Gestão do Ciclo de Vida do Produto (+152%) e Otimização de Processos (+132%).
Já as habilidades verdes mais demandadas no Brasil neste ano estão:
Mitigação de Riscos
Eficiência Operacional
Gestão Integrada da Cadeia de Suprimentos
Estratégia de Sustentabilidade
Impactos das Mudanças Climáticas
Os setores com maior participação de contratações verdes no Brasil em 2025 foram:
Agricultura, Pecuária e Silvicultura: 37,9%
Construção Civil: 36,2%
Petróleo, Gás e Mineração: 33,3%
Serviços Públicos (Utilities): 29,7%
Manufatura: 24,8%
Por que faltam profissionais com habilidades verdes?
Os dados mostram que profissionais relatam preocupação com a falta de experiência como barreira para migrar para cargos sustentáveis. Embora 56% das empresas digam oferecer treinamentos abrangentes em habilidades verdes, 30% dos trabalhadores afirmam não ter as competências necessárias para ocupar essas funções, e 44% relatam não receber esse tipo de treinamento em seus empregos atuais.
Plihal diz que o que falta ainda é comunicação entre os tomadores de decisão, como board e CEOs, e os profissionais na ponta, que mostram interesse nestas habilidades. “Como eu desenvolvo essas habilidades? Como é que converto esse desejo e aspiração em habilidade concreta que aplicar no meu dia-a-dia de trabalho?”, questiona. Para ela, o desafio é como viabilizar o desenvolvimento dessas habilidades para que eles aconteçam de forma estruturada e escalável, chegando a todos que tenham interesse nisso.
“Existe ainda esse gap de: ‘eu quero, não sei aonde eu procuro’, ‘eu também gostaria, mas não sei onde eu desenvolvo’. Como é que eu conecto essas duas pontas? O que a gente acredita é que é através dessa conversa entre governo, empresa e mercado que a gente vai conseguir endereçar.”
Já Pereira afirma que antigamente, por exemplo, cargos como engenharia ambiental eram direcionados para uma área de qualidade ambiental ou segurança do trabalho. “Como passar dos tempos, as pessoas foram achando essas áreas menos atrativas e deixaram de olhar para essa profissão”, diz. “Deixou-se de fazer cursos relacionados à sustentabilidade, e as pessoas passaram a fazer outros cursos. E agora, o mercado traz uma outra realidade, onde há uma escassez de profissionais preparados, qualificados para assumir essas posições que o mercado vem oferecendo, dado o cenário do mundo e a importância de ter empresas e ambientes mais sustentáveis”, afirma.
Larissa Freire Justo, 31 anos, foi uma das profissionais jovens que decidiu apostar na área. Formada em engenharia ambiental, ela entrou na Bracell pelo Programa de Trainee, em 2020, na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Foi efetivada como pesquisadora de desenvolvimento de madeira e meio ambiente e, depois, assumiu a coordenação de meio ambiente industrial, sendo responsável pela gestão e conformidade ambiental da fábrica de Lençóis Paulista, Terminal Intermodal de Pederneiras e Porto de Santos.
Justo diz sentir o aumento de interesse por profissionais com conhecimentos verdes. “A demanda tem crescido cada vez mais. Eu vejo muita diferença de quando eu entrei na faculdade, no meu primeiro ano, em que eu via veteranos do quinto ano com um pouco de dificuldade de se alocar no mercado. Já era uma realidade totalmente diferente quando eu me formei, cinco anos depois. As pessoas queriam engenheiros ambientais para estágio, para entrar em vagas efetivas na indústria. Isso já era mais aberto”, afirma.
Para ela, o conhecimento técnico com a experiência prática, que programas de entrada como estágio e treinee oferecem, fazem diferença. “Eles trazem muito a visibilidade para nós, a formação prática, porque você tem contato com a empresa inteira, faz job rotation, e aliado a esse conhecimento técnico que você tem que aplicar na prática, é um diferencial.”
Neste período, Justo continuou a se especializar. Pela Bracell, ela fez um mestrado em economia circular, além de cursos e treinamentos externos.
Para Pereira, pessoas que apostam mais nesta parte técnica levam vantagem. “A sustentabilidade é técnica. Quando você pensa em crédito de carbono, em questões de resíduos e tratamento de água, são áreas técnicas, que exige um conhecimento técnico”, diz. “Tenho percebido no mercado que as pessoas que não tem área técnica tem buscado reforçar um pouco essa base”.
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