A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de retirar a sobretaxa de 40% sobre uma série de produtos agrícolas brasileiros fez com que US$ 15,7 bilhões em exportações ficassem isentos da tarifa adicional. O volume corresponde a 37,1% das vendas brasileiras aos EUA em 2024, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). Leia a íntegra da nota (PDF – 398 kB).
Já o volume submetido à tarifa cheia de 50% equivale a 32,7% do total exportado pelo Brasil aos norte-americanos no mesmo ano.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que as mudanças aumentam a competitividade dos produtos brasileiros e indicam disposição dos EUA para avançar em negociações que incluam pautas industriais.
“Setores muito relevantes, como máquinas e equipamentos, móveis e calçados, que tinham os EUA como principais clientes externos, ainda não entraram na lista de exceções. O aumento das isenções é um sinal muito positivo de que temos espaço para remover as barreiras para outros produtos industriais. Esse é nosso foco agora”, declara.
Segundo a CNI, 62,9% das exportações brasileiras aos EUA continuam sujeitas a algum tipo de tarifa. Eis a situação:
O governo norte-americano anunciou na 5ª feira (20.nov.2025) a suspensão das tarifas extras de 40% sobre 249 itens, como carne bovina, café, frutas tropicais, suco de laranja, castanha de caju e especiarias. O comunicado foi assinado por Trump e divulgado no site da Casa Branca.
O documento menciona a conversa do republicano com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 6 de outubro e diz que houve “progresso inicial nas negociações” com o Brasil, mas que ainda há tratativas a serem feitas.
“Após considerar as informações e recomendações que me foram fornecidas por funcionários e o andamento das negociações com o governo do Brasil, entre outros fatores, determinei que é necessário e apropriado modificar o escopo dos produtos sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14323”, afirma o novo decreto.
A medida também tem motivação interna: consumidores norte-americanos reclamaram da alta nos preços de alimentos, como bananas e carne moída, depois da adoção do tarifaço.
Trump teme impactos eleitorais. Sua aprovação segue baixa. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na 3ª feira (18.nov) mostra que a taxa caiu para 38% diante da insatisfação dos norte-americanos com o custo de vida.


