Você sabe de onde vem a internet? Se respondeu de satélites no espaço, se enganou. Hoje em dia, mais de 95% de todos os dados da internet vem de cerca de 500 cabos submarinos de fibra óptica, instalados como cabos telegráficos do século XIX sob os oceanos. O problema é que essa infraestrutura enfrenta cada vez mais ameaças. Em artigo publicado na Bloomberg, James Stavridis, almirante aposentado da Marinha dos Estados Unidos, ex-comandante supremo aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e vice-presidente de assuntos globais do Carlyle Group, apontou os cabos podem ser vulneráveis ​​a desastres naturais, tanto no fundo do oceano, onde terremotos podem perturbá-los, quanto na superfície, onde se conectam à infraestrutura terrestre. Outros perigos, segundo ele, “são terroristas, anarquistas, luditas que odeiam a internet e outros agitadores aleatórios”. “Embora esses atores não consigam atingir os cabos submarinos, podem tentar interromper as conexões na linha d'água ou usar ferramentas cibernéticas para prejudicar as operações dos cabos”, escreveu. E não é só isso. Stavridis salientou que o que realmente preocupa os planejadores geopolíticos é a capacidade de atores nacionais — Rússia, China, Estados Unidos e muitas potências europeias — de usar submarinos ou navios de superfície para atacar os cabos. “Isso pode ser feito de forma tão simples quanto arrastar uma âncora ou uma ferramenta submarina especialmente projetada sobre os cabos, ou por meio de ataques com submarinos”, indicou. “Uma operação desse tipo poderia causar enormes transtornos em toda a internet global, enfraquecer as redes de transporte, interromper as comunicações entre as nações e prejudicar a defesa nacional e regional.” Nos Estados Unidos, um projeto de lei bipartidário para lidar com essa questão está em análise no Senado. Esse projeto, segundo Stavridis, exige um relatório ao Congresso em seis meses, especificamente sobre os esforços de sabotagem chineses e russos. Também prevê sanções contra as partes estrangeiras responsáveis ​​pelos ataques e determina que os EUA forneçam mais recursos para a proteção e o reparo dos cabos. “Esse é um bom ponto de partida, mas está longe de ser suficiente dada a escala das potenciais perturbações econômicas e militares”, observou o almirante aposentado. Sobre o que os Estados Unidos deveriam fazer para liderar um esforço global para manter a internet segura contra desastres naturais, terrorismo e ataques de Estado, ele indicou, em primeiro lugar, utilizar a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) para catalisar a ação internacional. Outra recomendação é a criação de uma coalizão militar internacional. “A aliança fundamental óbvia seria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A parceria transatlântica conta com mais de mil navios de guerra de grande porte e realiza rotineiramente exercícios de treinamento e operações importantes”, apontou Stavridis, acrescentando que essa coalizão ainda poderia incluir marinhas do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália, de Singapura e outras nações dispostas a participar. Sua terceira indicação é a aposta em tecnologia, para ser incorporada em todo o ecossistema de cabos submarinos. O trabalho poderia ser financiado por um consórcio internacional de nações, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por meio de impostos pagos por entidades comerciais. Algumas medidas a serem consideradas incluem o uso de materiais avançados para melhor proteção física dos cabos de fibra óptica; a adição de muitos outros cabos de reserva, mantidos offline em locais secretos e que possam ser ativados quando necessário; a melhoria do fluxo de grandes quantidades de dados para tornar os cabos desnecessários, talvez por meio de sistemas baseados em satélite; e o reforço dos pontos vulneráveis ​​em terra com forças de segurança maiores e barreiras físicas mais robustas. “Por fim, a iniciativa deve incluir sanções ou retaliações significativas contra qualquer nação, empresa ou grupo terrorista que ataque os cabos. Tanto a Rússia quanto a China foram acusadas, com fundamentos críveis, de fazê-lo — elas devem ser avisadas de que isso não será tolerado e que sofrerão sanções econômicas. Quaisquer ações ofensivas por parte de atores nacionais devem ser amplamente divulgadas: com fotos, vídeos e informações documentadas”, argumentou o autor do artigo. E ele finalizou: “Proteger o fluxo de dados em cabos submarinos é crucial para as forças armadas, empresas e praticamente todos nós. O projeto de lei no Senado é necessário, mas está longe de ser suficiente. Uma abordagem internacional mais ampla é imprescindível”. Mais Lidas Você sabe de onde vem a internet? Se respondeu de satélites no espaço, se enganou. Hoje em dia, mais de 95% de todos os dados da internet vem de cerca de 500 cabos submarinos de fibra óptica, instalados como cabos telegráficos do século XIX sob os oceanos. O problema é que essa infraestrutura enfrenta cada vez mais ameaças. Em artigo publicado na Bloomberg, James Stavridis, almirante aposentado da Marinha dos Estados Unidos, ex-comandante supremo aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e vice-presidente de assuntos globais do Carlyle Group, apontou os cabos podem ser vulneráveis ​​a desastres naturais, tanto no fundo do oceano, onde terremotos podem perturbá-los, quanto na superfície, onde se conectam à infraestrutura terrestre. Outros perigos, segundo ele, “são terroristas, anarquistas, luditas que odeiam a internet e outros agitadores aleatórios”. “Embora esses atores não consigam atingir os cabos submarinos, podem tentar interromper as conexões na linha d'água ou usar ferramentas cibernéticas para prejudicar as operações dos cabos”, escreveu. E não é só isso. Stavridis salientou que o que realmente preocupa os planejadores geopolíticos é a capacidade de atores nacionais — Rússia, China, Estados Unidos e muitas potências europeias — de usar submarinos ou navios de superfície para atacar os cabos. “Isso pode ser feito de forma tão simples quanto arrastar uma âncora ou uma ferramenta submarina especialmente projetada sobre os cabos, ou por meio de ataques com submarinos”, indicou. “Uma operação desse tipo poderia causar enormes transtornos em toda a internet global, enfraquecer as redes de transporte, interromper as comunicações entre as nações e prejudicar a defesa nacional e regional.” Nos Estados Unidos, um projeto de lei bipartidário para lidar com essa questão está em análise no Senado. Esse projeto, segundo Stavridis, exige um relatório ao Congresso em seis meses, especificamente sobre os esforços de sabotagem chineses e russos. Também prevê sanções contra as partes estrangeiras responsáveis ​​pelos ataques e determina que os EUA forneçam mais recursos para a proteção e o reparo dos cabos. “Esse é um bom ponto de partida, mas está longe de ser suficiente dada a escala das potenciais perturbações econômicas e militares”, observou o almirante aposentado. Sobre o que os Estados Unidos deveriam fazer para liderar um esforço global para manter a internet segura contra desastres naturais, terrorismo e ataques de Estado, ele indicou, em primeiro lugar, utilizar a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) para catalisar a ação internacional. Outra recomendação é a criação de uma coalizão militar internacional. “A aliança fundamental óbvia seria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A parceria transatlântica conta com mais de mil navios de guerra de grande porte e realiza rotineiramente exercícios de treinamento e operações importantes”, apontou Stavridis, acrescentando que essa coalizão ainda poderia incluir marinhas do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália, de Singapura e outras nações dispostas a participar. Sua terceira indicação é a aposta em tecnologia, para ser incorporada em todo o ecossistema de cabos submarinos. O trabalho poderia ser financiado por um consórcio internacional de nações, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por meio de impostos pagos por entidades comerciais. Algumas medidas a serem consideradas incluem o uso de materiais avançados para melhor proteção física dos cabos de fibra óptica; a adição de muitos outros cabos de reserva, mantidos offline em locais secretos e que possam ser ativados quando necessário; a melhoria do fluxo de grandes quantidades de dados para tornar os cabos desnecessários, talvez por meio de sistemas baseados em satélite; e o reforço dos pontos vulneráveis ​​em terra com forças de segurança maiores e barreiras físicas mais robustas. “Por fim, a iniciativa deve incluir sanções ou retaliações significativas contra qualquer nação, empresa ou grupo terrorista que ataque os cabos. Tanto a Rússia quanto a China foram acusadas, com fundamentos críveis, de fazê-lo — elas devem ser avisadas de que isso não será tolerado e que sofrerão sanções econômicas. Quaisquer ações ofensivas por parte de atores nacionais devem ser amplamente divulgadas: com fotos, vídeos e informações documentadas”, argumentou o autor do artigo. E ele finalizou: “Proteger o fluxo de dados em cabos submarinos é crucial para as forças armadas, empresas e praticamente todos nós. O projeto de lei no Senado é necessário, mas está longe de ser suficiente. Uma abordagem internacional mais ampla é imprescindível”. Mais Lidas

Desastres naturais e ataques terroristas: saiba porque espinha dorsal da internet está em risco

2025/11/27 02:54
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Mais de 95% de todos os dados da internet vem de cerca de 500 cabos submarinos de fibra óptica, instalados como cabos telegráficos do século XIX sob os oceanos
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