Pesquisador constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar Tânia Rêgo/Agência Brasil Para muitos, checar o celular provavelmente se tornou um reflexo inconsciente, semelhante a respirar ou piscar. Consultar o aparelho com muita frequência pode começar a comprometer habilidades cognitivas, segundo as informações, que são do The Washington Post. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, e pela Universidade Keimyung, na Coreia do Sul, checar o celular cerca de 110 vezes por dia pode indicar um uso problemático ou de alto risco. Ao longo de oito anos de pesquisa envolvendo adolescentes e jovens adultos, Larry Rosen, professor de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia, Dominguez Hills, observou que os participantes verificavam ou desbloqueavam seus smartphones entre 50 e mais de 100 vezes por dia, em média a cada 10 a 20 minutos enquanto estavam acordados. Para isso, ele analisou os dados disponíveis nos celulares. Tanto dispositivos Android quanto iOS permitem que os usuários verifiquem o número de desbloqueios em suas configurações. Com isso, ele constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar. “Os celulares e as mídias digitais são reforçadores para o nosso cérebro, ativando o mesmo circuito de recompensa que as drogas e o álcool. Os celulares criam um ciclo de hábito compulsivo em que checamos sem pensar e sentimos abstinência quando não checamos ou não temos acesso ao celular”, apontou Anna Lembke, professora de psiquiatria e medicina da dependência na Faculdade de Medicina da Universidade Stanford. Segundo uma pesquisa realizada pela YouGov, em maio, sobre o uso de celulares, quando perguntados onde guardam seus aparelhos antes de dormir, 8 em cada 10 americanos disseram que os mantêm em seus quartos, principalmente ao lado da cama. Além disso, segundo o estudo, as pessoas subestimam a frequência com que checam seus celulares. Quando questionadas sobre quantas vezes pegam o aparelho por dia, a maioria respondeu que o faz cerca de 10 vezes. Foco interrompido Um estudo da Universidade de Gestão de Singapura descobriu que interrupções frequentes para verificar dispositivos levam a mais lapsos de atenção e memória. Ao contrário do tempo total gasto em frente à tela, a frequência com que verificamos o smartphone é um indicador muito mais forte de falhas cognitivas diárias. O desbloqueio constante do telefone força o cérebro a alternar rapidamente entre tarefas, prejudicando a capacidade de se concentrar em uma só. Décadas atrás, o cientista da computação Gerald M. Weinberg alertou que trabalhar em várias tarefas simultaneamente e alternar frequentemente entre elas poderia reduzir a produtividade em até 80%. O hábito é generalizado. A YouGov descobriu que mais da metade dos americanos checa o celular várias vezes durante atividades sociais, como refeições com outras pessoas ou encontros com amigos. De acordo com a pesquisa, no ambiente de trabalho, durante uma reunião de 30 minutos, 1 em cada 4 pessoas admitiu ter verificado o celular pelo menos uma vez. Após cada interrupção, pode levar mais de 25 minutos para recuperar o foco, afirmou Gloria Mark, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Irvine. A maioria das pessoas recebe notificações push ao longo do dia, mensagens, e-mails e alertas, muitas delas originárias de plataformas de mídia social. “Nossa necessidade constante de conexão aumenta a bioquímica do cérebro, particularmente os neurotransmissores que produzem ansiedade, como o cortisol, que nos instiga a ‘checar’ mais de 100 vezes por dia”, explicou Rosen. Além dos jovens Especialistas apontam que a vida mudou desde que os smartphones modernos chegaram à sociedade, em 2007, com o lançamento do iPhone da Apple. Hoje, a maioria dos adultos nos EUA possui um desses aparelhos, e 9 em cada 10 usam a internet diariamente, de acordo com um estudo do Pew Research Center. O hábito de checar o telefone atravessa gerações. “Quaisquer diferenças geracionais que tenham sido estudadas quando os smartphones e as redes sociais surgiram são agora praticamente mínimas. Todos nós dependemos das conexões proporcionadas pelos nossos smartphones”, afirmou Rosen. Pesquisadores alemães da Universidade de Heidelberg descobriram que, após apenas 72 horas sem o uso de smartphones, a atividade cerebral começou a refletir padrões tipicamente observados na abstinência de substâncias. A investigação sugere que breves pausas no uso de smartphones podem ajudar a reduzir hábitos problemáticos, reorganizando nossos circuitos de recompensa e tornando-os mais flexíveis. Especialistas também sugerem maneiras simples de quebrar hábitos prejudiciais com dispositivos eletrônicos. “Torne o celular menos estimulante, desativando notificações, excluindo todos os aplicativos, exceto os essenciais, mudando para escala de cinza e desligando o aparelho entre os usos. Também recomendo deixar o celular de lado de vez em quando, apenas para nos lembrarmos de que ainda podemos navegar pelo mundo sem ele”, disse Lembke. “Retome o controle sobre a frequência com que nos conectamos e estabeleça pausas tecnológicas que nós controlamos — e não o nosso celular”, aconselhou Rosen. Mais Lidas Pesquisador constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar Tânia Rêgo/Agência Brasil Para muitos, checar o celular provavelmente se tornou um reflexo inconsciente, semelhante a respirar ou piscar. Consultar o aparelho com muita frequência pode começar a comprometer habilidades cognitivas, segundo as informações, que são do The Washington Post. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, e pela Universidade Keimyung, na Coreia do Sul, checar o celular cerca de 110 vezes por dia pode indicar um uso problemático ou de alto risco. Ao longo de oito anos de pesquisa envolvendo adolescentes e jovens adultos, Larry Rosen, professor de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia, Dominguez Hills, observou que os participantes verificavam ou desbloqueavam seus smartphones entre 50 e mais de 100 vezes por dia, em média a cada 10 a 20 minutos enquanto estavam acordados. Para isso, ele analisou os dados disponíveis nos celulares. Tanto dispositivos Android quanto iOS permitem que os usuários verifiquem o número de desbloqueios em suas configurações. Com isso, ele constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar. “Os celulares e as mídias digitais são reforçadores para o nosso cérebro, ativando o mesmo circuito de recompensa que as drogas e o álcool. Os celulares criam um ciclo de hábito compulsivo em que checamos sem pensar e sentimos abstinência quando não checamos ou não temos acesso ao celular”, apontou Anna Lembke, professora de psiquiatria e medicina da dependência na Faculdade de Medicina da Universidade Stanford. Segundo uma pesquisa realizada pela YouGov, em maio, sobre o uso de celulares, quando perguntados onde guardam seus aparelhos antes de dormir, 8 em cada 10 americanos disseram que os mantêm em seus quartos, principalmente ao lado da cama. Além disso, segundo o estudo, as pessoas subestimam a frequência com que checam seus celulares. Quando questionadas sobre quantas vezes pegam o aparelho por dia, a maioria respondeu que o faz cerca de 10 vezes. Foco interrompido Um estudo da Universidade de Gestão de Singapura descobriu que interrupções frequentes para verificar dispositivos levam a mais lapsos de atenção e memória. Ao contrário do tempo total gasto em frente à tela, a frequência com que verificamos o smartphone é um indicador muito mais forte de falhas cognitivas diárias. O desbloqueio constante do telefone força o cérebro a alternar rapidamente entre tarefas, prejudicando a capacidade de se concentrar em uma só. Décadas atrás, o cientista da computação Gerald M. Weinberg alertou que trabalhar em várias tarefas simultaneamente e alternar frequentemente entre elas poderia reduzir a produtividade em até 80%. O hábito é generalizado. A YouGov descobriu que mais da metade dos americanos checa o celular várias vezes durante atividades sociais, como refeições com outras pessoas ou encontros com amigos. De acordo com a pesquisa, no ambiente de trabalho, durante uma reunião de 30 minutos, 1 em cada 4 pessoas admitiu ter verificado o celular pelo menos uma vez. Após cada interrupção, pode levar mais de 25 minutos para recuperar o foco, afirmou Gloria Mark, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Irvine. A maioria das pessoas recebe notificações push ao longo do dia, mensagens, e-mails e alertas, muitas delas originárias de plataformas de mídia social. “Nossa necessidade constante de conexão aumenta a bioquímica do cérebro, particularmente os neurotransmissores que produzem ansiedade, como o cortisol, que nos instiga a ‘checar’ mais de 100 vezes por dia”, explicou Rosen. Além dos jovens Especialistas apontam que a vida mudou desde que os smartphones modernos chegaram à sociedade, em 2007, com o lançamento do iPhone da Apple. Hoje, a maioria dos adultos nos EUA possui um desses aparelhos, e 9 em cada 10 usam a internet diariamente, de acordo com um estudo do Pew Research Center. O hábito de checar o telefone atravessa gerações. “Quaisquer diferenças geracionais que tenham sido estudadas quando os smartphones e as redes sociais surgiram são agora praticamente mínimas. Todos nós dependemos das conexões proporcionadas pelos nossos smartphones”, afirmou Rosen. Pesquisadores alemães da Universidade de Heidelberg descobriram que, após apenas 72 horas sem o uso de smartphones, a atividade cerebral começou a refletir padrões tipicamente observados na abstinência de substâncias. A investigação sugere que breves pausas no uso de smartphones podem ajudar a reduzir hábitos problemáticos, reorganizando nossos circuitos de recompensa e tornando-os mais flexíveis. Especialistas também sugerem maneiras simples de quebrar hábitos prejudiciais com dispositivos eletrônicos. “Torne o celular menos estimulante, desativando notificações, excluindo todos os aplicativos, exceto os essenciais, mudando para escala de cinza e desligando o aparelho entre os usos. Também recomendo deixar o celular de lado de vez em quando, apenas para nos lembrarmos de que ainda podemos navegar pelo mundo sem ele”, disse Lembke. “Retome o controle sobre a frequência com que nos conectamos e estabeleça pausas tecnológicas que nós controlamos — e não o nosso celular”, aconselhou Rosen. Mais Lidas
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Pesquisador constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Para muitos, checar o celular provavelmente se tornou um reflexo inconsciente, semelhante a respirar ou piscar. Consultar o aparelho com muita frequência pode começar a comprometer habilidades cognitivas, segundo as informações, que são do The Washington Post.
De acordo com um estudo realizado pela Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, e pela Universidade Keimyung, na Coreia do Sul, checar o celular cerca de 110 vezes por dia pode indicar um uso problemático ou de alto risco.
Ao longo de oito anos de pesquisa envolvendo adolescentes e jovens adultos, Larry Rosen, professor de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia, Dominguez Hills, observou que os participantes verificavam ou desbloqueavam seus smartphones entre 50 e mais de 100 vezes por dia, em média a cada 10 a 20 minutos enquanto estavam acordados. Para isso, ele analisou os dados disponíveis nos celulares. Tanto dispositivos Android quanto iOS permitem que os usuários verifiquem o número de desbloqueios em suas configurações.
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Com isso, ele constatou que 66% dos americanos usam o celular nos 10 minutos após acordar.
“Os celulares e as mídias digitais são reforçadores para o nosso cérebro, ativando o mesmo circuito de recompensa que as drogas e o álcool. Os celulares criam um ciclo de hábito compulsivo em que checamos sem pensar e sentimos abstinência quando não checamos ou não temos acesso ao celular”, apontou Anna Lembke, professora de psiquiatria e medicina da dependência na Faculdade de Medicina da Universidade Stanford.
Segundo uma pesquisa realizada pela YouGov, em maio, sobre o uso de celulares, quando perguntados onde guardam seus aparelhos antes de dormir, 8 em cada 10 americanos disseram que os mantêm em seus quartos, principalmente ao lado da cama.
Além disso, segundo o estudo, as pessoas subestimam a frequência com que checam seus celulares. Quando questionadas sobre quantas vezes pegam o aparelho por dia, a maioria respondeu que o faz cerca de 10 vezes.
Foco interrompido
Um estudo da Universidade de Gestão de Singapura descobriu que interrupções frequentes para verificar dispositivos levam a mais lapsos de atenção e memória. Ao contrário do tempo total gasto em frente à tela, a frequência com que verificamos o smartphone é um indicador muito mais forte de falhas cognitivas diárias.
O desbloqueio constante do telefone força o cérebro a alternar rapidamente entre tarefas, prejudicando a capacidade de se concentrar em uma só. Décadas atrás, o cientista da computação Gerald M. Weinberg alertou que trabalhar em várias tarefas simultaneamente e alternar frequentemente entre elas poderia reduzir a produtividade em até 80%.
O hábito é generalizado. A YouGov descobriu que mais da metade dos americanos checa o celular várias vezes durante atividades sociais, como refeições com outras pessoas ou encontros com amigos.
De acordo com a pesquisa, no ambiente de trabalho, durante uma reunião de 30 minutos, 1 em cada 4 pessoas admitiu ter verificado o celular pelo menos uma vez. Após cada interrupção, pode levar mais de 25 minutos para recuperar o foco, afirmou Gloria Mark, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Irvine.
A maioria das pessoas recebe notificações push ao longo do dia, mensagens, e-mails e alertas, muitas delas originárias de plataformas de mídia social. “Nossa necessidade constante de conexão aumenta a bioquímica do cérebro, particularmente os neurotransmissores que produzem ansiedade, como o cortisol, que nos instiga a ‘checar’ mais de 100 vezes por dia”, explicou Rosen.
Além dos jovens
Especialistas apontam que a vida mudou desde que os smartphones modernos chegaram à sociedade, em 2007, com o lançamento do iPhone da Apple. Hoje, a maioria dos adultos nos EUA possui um desses aparelhos, e 9 em cada 10 usam a internet diariamente, de acordo com um estudo do Pew Research Center.
O hábito de checar o telefone atravessa gerações. “Quaisquer diferenças geracionais que tenham sido estudadas quando os smartphones e as redes sociais surgiram são agora praticamente mínimas. Todos nós dependemos das conexões proporcionadas pelos nossos smartphones”, afirmou Rosen.
Pesquisadores alemães da Universidade de Heidelberg descobriram que, após apenas 72 horas sem o uso de smartphones, a atividade cerebral começou a refletir padrões tipicamente observados na abstinência de substâncias. A investigação sugere que breves pausas no uso de smartphones podem ajudar a reduzir hábitos problemáticos, reorganizando nossos circuitos de recompensa e tornando-os mais flexíveis.
Especialistas também sugerem maneiras simples de quebrar hábitos prejudiciais com dispositivos eletrônicos. “Torne o celular menos estimulante, desativando notificações, excluindo todos os aplicativos, exceto os essenciais, mudando para escala de cinza e desligando o aparelho entre os usos. Também recomendo deixar o celular de lado de vez em quando, apenas para nos lembrarmos de que ainda podemos navegar pelo mundo sem ele”, disse Lembke.
“Retome o controle sobre a frequência com que nos conectamos e estabeleça pausas tecnológicas que nós controlamos — e não o nosso celular”, aconselhou Rosen.
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