León, Guanajuato. Especialistas de organismos internacionais, a Secretaria de Economia e consultores do setor concordaram que o México precisa mudar fundamentalmente o seu modelo de gestão da água, repensar o financiamento e acelerar a adoção tecnológica, incluindo a inteligência artificial, para evitar o colapso hídrico que várias regiões do país já enfrentam.
Mario Fernando Loria, executivo principal da CAF–Banco de Desenvolvimento da América Latina, advertiu que o investimento em água "não pode centrar-se apenas em infraestrutura". Embora seja a parte mais dispendiosa, disse, os projetos devem incorporar sustentabilidade social, ambiental e institucional, com soluções feitas "à medida" para cada região.
Loria recordou que 70 milhões de pessoas no México não têm acesso seguro à água, de acordo com dados das Nações Unidas. Perante este panorama, assinalou que a CAF adquiriu um compromisso para aumentar o seu investimento anual até 1.000 milhões de dólares por ano na América Latina para reduzir as lacunas de acesso.
Francisco Núñez Escudero, responsável pelo Setor da Água na Secretaria de Economia, criticou que no México se continue a avaliar o investimento "apenas a partir da despesa", quando o fundamental é medir benefícios sociais, económicos e financeiros.
Assegurou que a dependência impulsiona políticas para adaptar as soluções a cada localidade, promover a inovação e ajustar o quadro legal para que os governos priorizem tecnologias feitas no México, o que além disso geraria emprego e permitiria adaptar os sistemas às condições do país. "Há equipamentos que funcionam na Ásia ou em Espanha, mas não necessariamente no México", apontou.
Núñez assinalou que o país deve transitar para modelos de captação distribuída, similar à transição energética para a geração distribuída, para reduzir riscos e aproveitar melhor a chuva que hoje termina no mar sem uso.
Por sua parte, José Eduardo Mestre, consultor e ex-funcionário internacional em temas hídricos, sublinhou que o México deve deixar para trás "a ideia de que tudo deve ser financiado pelo governo federal" e construir modelos autossustentáveis, onde a água "pague a água", como indicam a lei e os padrões internacionais.
Expôs que em diferentes países já se emprega inteligência artificial (IA) para otimizar estações de tratamento de água potável e de tratamento, melhorar balanços hídricos, reduzir contaminantes e monitorizar em tempo real sistemas complexos. O México —disse— não pode ficar para trás e deve impulsionar mais investigação e desenvolvimento tecnológico nacional.
Também advertiu que a gratuidade generalizada do serviço é insustentável: cidades como Guadalajara ou a Cidade do México pagam tarifas muito abaixo do custo real. Sem ajustes, afirmou, não haverá recursos para manutenção nem expansão.


