O que se pode fazer quando o seu trabalho depende do clima? Bernarda Mauricio, produtora de tomates mazahuas, sabe que as geadas e as chuvas intensas são um mau sinal para as culturas. Apesar do clima frio ter arruinado as suas plantas em mais de uma ocasião, nunca se rendeu.
"Construímos estufas, quisemos plantar tomate. Em novembro começou a cair a geada e levou tudo. Depois voltámos a germinar plantas em março e caiu-nos uma geada também".
Apesar dos seus companheiros lhe dizerem que não ia colher nada, não se deu por vencida. Atualmente faz parte do programa Pequeno produtor, um programa da Walmart que ajuda agricultores mexicanos a fazerem parte dos seus fornecedores.
Mas, este não é o único caso, porque o programa beneficiou 1.800 comunidades, devido ao facto de os habitantes terem sido capacitados com práticas de agricultura generativa em mais de 70.000 hectares.
Apesar dos apoios aos empresários do setor agrícola, os trabalhadores do campo expressam que é necessária maior divulgação sobre a contribuição que têm na economia. "No campo sofre-se muito, há coisas boas, mas também más. É um desafio enorme trabalhar a terra que amamos sem a danificar", comenta Emiliano Rodríguez, produtor citrícola de Tamaulipas.
Durante o painel "Do campo para a sua casa: histórias que inspiram", os produtores relataram as suas experiências.
O baixo pagamento que os agricultores têm e a falta de crescimento profissional e económico leva-os a buscar outras oportunidades, seja na cidade mais próxima ou migrar para os Estados Unidos, o que provoca uma diminuição de participação no campo.
Isto aconteceu com a família de Ricardo Ortega, presidente da organização María de la Asunción, em que os seus irmãos e os seus pais migraram para o sonho americano, mas após 12 anos de estadia, sempre se manteve a nostalgia e a vontade de regressar ao México.
Até que um dia, a sua mãe convenceu-o a regressar, mas como iriam gerar rendimentos? Esta inquietação de Ricardo foi acalmada por ela que lhe disse que poderiam montar um negócio e começaram a cultivar tomate.
No entanto, houve três anos de perda e a situação não melhorava, até que ingressaram no programa de Pequeno produtor, no qual atualmente continuam ativos.
Por outro lado, a falta de talento jovem tornou-se uma situação complicada, já que as novas gerações não veem viável ficar no campo, pelo que optam por ir para as grandes cidades em busca de melhores oportunidades.
Para erradicar isto, Eloy Castañon, presidente da União de produtores de hortaliças de Matamoros, Coahuila e Anayensi Muñoz, produtora de abacate, incutiram nos seus filhos o gosto pelas culturas.
"O meu filho tem 24 anos e anda comigo na parcela. Os filhos são os que vão ficar e por isso há que incutir-lhes que no campo mexicano sim há opções boas, sim há futuro", comenta Eloy Castañón.
Sara Martínez, produtora de limão em Oaxaca, lidera um grupo formado unicamente por homens. Apesar de o caminho não ter sido fácil, comenta que o machismo continua presente neste setor.
"Sou a única mulher no grupo, todos são homens. Começámos em 2015. A verdade é que foi muito difícil e não conseguimos encontrar um comprador. Foi super difícil e no caminho alguns desanimaram e saíram do grupo".
Atualmente encontra-se dentro do programa da Walmart, no qual recebeu formação sobre como gerir melhor o campo e também o tema administrativo, graças a isto, beneficiam-se entre 50 a 60 famílias da sua comunidade.
Da mesma forma, Anayensi Muñoz comenta que se dedica ao campo, enquanto o seu marido se encarrega da parte administrativa. A sua participação no negócio gerou uma mudança, já que anteriormente produziam-se quatro toneladas de abacate por ano e agora chegam às 16 toneladas anuais.


