O recurso de inteligência artificial generativa do Google reduziu em 20,6% o tráfego enviado a sites jornalísticos, segundo estudo divulgado pela Folha de S.Paulo nesta 6ª feira (28.nov.2025). O mecanismo, chamado AI Overviews, responde diretamente às consultas dos usuários, diminuindo a necessidade de clicar em links externos.
O levantamento foi encaminhado ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por organizações como a Foxglove, o Instituto de Defesa do Consumidor e o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio. As instituições pedem investigação sobre o uso não autorizado de conteúdo jornalístico para treinar e alimentar os modelos de IA.
Segundo a Folha, a queda no tráfego está ligada ao fenômeno conhecido como “zero clique”. Na prática, o usuário tem sua dúvida respondida no próprio buscador e não acessa as páginas dos veículos de comunicação.
Com as respostas criadas pela IA, os links de notícias ficam mais abaixo na página e recebem menos interação. O estudo afirma que 35,3% das buscas por temas jornalísticos no Brasil já exibem respostas produzidas por IA.
As organizações relatam ao Cade que a versão de IA do buscador teria sido treinada com dados de sites jornalísticos sem autorização e sem remuneração. De acordo com o estudo, os resumos exibidos no topo da busca reproduzem informações extraídas das reportagens originais.
Stella Caram, diretora jurídica da Foxglove, disse à Folha que a tendência é de agravamento: “Com o avanço do Google AI Overviews, cada vez mais resultados vão aparecer nesse modelo, empurrando links de veículos de notícias para posições mais baixas.”
Segundo a Folha, o Google afirmou que não comentaria o estudo diretamente, mas publicou nota em seu blog. A empresa disse que o volume total de cliques orgânicos “permaneceu estável” em relação ao ano anterior e que os “cliques de qualidade”, aqueles em que o usuário permanece mais tempo na página, aumentaram depois da adoção da IA.
A companhia declarou ainda que veículos podem optar para que seus conteúdos não sejam usados no treinamento dos modelos, mas isso também retira essas páginas dos resultados gerais da busca.
O relatório enviado ao Cade em 11 de novembro serviu como subsídio ao inquérito que analisa se o Google se beneficiou economicamente de conteúdo jornalístico sem remuneração às empresas de mídia. A Folha destaca que o Google concentra 90% do mercado de buscas no Brasil, o que amplia o impacto da mudança no comportamento do usuário provocada pela introdução da IA na plataforma.


