Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de vivenciar diferentes formas de liderar, em contextos diversos, com equipes plurais e desafios únicos. E, como líder, tenho refletido com cada vez mais frequência sobre os sinais que indicam que algo mudou na forma como enxergamos e exercemos a liderança. Não é exagero dizer que estamos atravessando uma crise silenciosa, mas profunda, sobre o que significa liderar hoje e, principalmente, no futuro. De um lado, temos jovens profissionais, especialmente da Geração Z, que desejam ser líderes que transformam o mundo do trabalho, mas que muitas vezes querem "chegar lá" rápido demais, sem o tempo natural de amadurecimento que a liderança exige. Do outro, profissionais 50+ que - já mais do que na hora - estão voltando a ser valorizados pelas empresas, por sua experiência, resiliência e capacidade de formar times consistentes. E no meio do caminho, uma geração inteira tentando se encontrar em modelos que já não funcionam mais. O ponto é que existe, sim, uma ruptura sobre o conceito de liderança. E talvez ela não seja apenas do mundo do trabalho, mas de todo um modelo de relação com o poder, com a autoridade e com o outro. Liderar virou sinônimo de ascensão de carreira, mas nem toda jornada profissional precisa, necessariamente, passar pela gestão de pessoas. Ser gestor exige um nível de entrega, escuta e responsabilidade que vai muito além da descrição do cargo. E nesse contexto, a liderança verdadeira é menos sobre protagonismo e mais sobre propósito. Não se trata de chegar ao topo da pirâmide, mas de conseguir inspirar, formar e mobilizar pessoas em direção a um objetivo comum. É sobre vocação e preparo. E preparo exige tempo. A verdade é que liderar não é uma habilidade que se aprende em um curso rápido de um final de semana. É uma competência que se constrói com vivência, com experiências reais, com erros e aprendizados. Quando empresas promovem jovens talentos às pressas, sem que eles tenham passado por posições de base, estão tirando deles uma das coisas mais valiosas do desenvolvimento profissional: a chance de construir repertório humano, exercitar a escuta ativa e desenvolver visão sistêmica sobre pessoas e processos. E aqui entra mais um ingrediente dessa discussão: a Inteligência Artificial. A IA pode acelerar processos, otimizar tarefas e aumentar a eficiência. Mas ela não substitui o fator humano que está no centro da liderança. Dominar IA não nos torna melhores líderes automaticamente. Liderança continua sendo sobre relações, sobre conexão, sobre compreender e desenvolver equipes. O risco que corremos é termos uma geração tecnicamente brilhante, mas pouco preparada para lidar com a complexidade das relações humanas. Pessoas que dominam ferramentas, mas ainda precisam aprender a cultivar empatia, escuta ativa e colaboração verdadeira. Se não formarmos bons líderes, a tecnologia não será suficiente para sustentar o futuro do trabalho. Por isso, a pergunta que lanço é: quem são os líderes que estamos formando hoje? Estamos tão preocupados com a cultura de IA nas empresas, mas esquecemos de perguntar quem são as pessoas que vão conduzir essas transformações. A liderança do futuro não será técnica apenas. Será relacional, sensível e, acima de tudo, autêntica. Liderança não pode ser encarada com distanciamento ou frieza. É uma escolha corajosa, que exige disposição para se vulnerabilizar, tomar decisões disruptivas e, muitas vezes, errar tentando acertar. Liderar é um ato de generosidade. E só vale a pena se houver um real propósito de transformar pessoas e negócios. Meu desejo é que o futuro da liderança seja mais ousado e, acima de tudo, mais humano. Que saibamos valorizar tanto o brilho da juventude quanto a sabedoria da maturidade. E que, no encontro dessas potências, possamos construir lideranças menos solitárias e mais conectadas com o que realmente importa: as relações. *Ana Moises é diretora de soluções de marketing do LinkedIn Mais Lidas Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de vivenciar diferentes formas de liderar, em contextos diversos, com equipes plurais e desafios únicos. E, como líder, tenho refletido com cada vez mais frequência sobre os sinais que indicam que algo mudou na forma como enxergamos e exercemos a liderança. Não é exagero dizer que estamos atravessando uma crise silenciosa, mas profunda, sobre o que significa liderar hoje e, principalmente, no futuro. De um lado, temos jovens profissionais, especialmente da Geração Z, que desejam ser líderes que transformam o mundo do trabalho, mas que muitas vezes querem "chegar lá" rápido demais, sem o tempo natural de amadurecimento que a liderança exige. Do outro, profissionais 50+ que - já mais do que na hora - estão voltando a ser valorizados pelas empresas, por sua experiência, resiliência e capacidade de formar times consistentes. E no meio do caminho, uma geração inteira tentando se encontrar em modelos que já não funcionam mais. O ponto é que existe, sim, uma ruptura sobre o conceito de liderança. E talvez ela não seja apenas do mundo do trabalho, mas de todo um modelo de relação com o poder, com a autoridade e com o outro. Liderar virou sinônimo de ascensão de carreira, mas nem toda jornada profissional precisa, necessariamente, passar pela gestão de pessoas. Ser gestor exige um nível de entrega, escuta e responsabilidade que vai muito além da descrição do cargo. E nesse contexto, a liderança verdadeira é menos sobre protagonismo e mais sobre propósito. Não se trata de chegar ao topo da pirâmide, mas de conseguir inspirar, formar e mobilizar pessoas em direção a um objetivo comum. É sobre vocação e preparo. E preparo exige tempo. A verdade é que liderar não é uma habilidade que se aprende em um curso rápido de um final de semana. É uma competência que se constrói com vivência, com experiências reais, com erros e aprendizados. Quando empresas promovem jovens talentos às pressas, sem que eles tenham passado por posições de base, estão tirando deles uma das coisas mais valiosas do desenvolvimento profissional: a chance de construir repertório humano, exercitar a escuta ativa e desenvolver visão sistêmica sobre pessoas e processos. E aqui entra mais um ingrediente dessa discussão: a Inteligência Artificial. A IA pode acelerar processos, otimizar tarefas e aumentar a eficiência. Mas ela não substitui o fator humano que está no centro da liderança. Dominar IA não nos torna melhores líderes automaticamente. Liderança continua sendo sobre relações, sobre conexão, sobre compreender e desenvolver equipes. O risco que corremos é termos uma geração tecnicamente brilhante, mas pouco preparada para lidar com a complexidade das relações humanas. Pessoas que dominam ferramentas, mas ainda precisam aprender a cultivar empatia, escuta ativa e colaboração verdadeira. Se não formarmos bons líderes, a tecnologia não será suficiente para sustentar o futuro do trabalho. Por isso, a pergunta que lanço é: quem são os líderes que estamos formando hoje? Estamos tão preocupados com a cultura de IA nas empresas, mas esquecemos de perguntar quem são as pessoas que vão conduzir essas transformações. A liderança do futuro não será técnica apenas. Será relacional, sensível e, acima de tudo, autêntica. Liderança não pode ser encarada com distanciamento ou frieza. É uma escolha corajosa, que exige disposição para se vulnerabilizar, tomar decisões disruptivas e, muitas vezes, errar tentando acertar. Liderar é um ato de generosidade. E só vale a pena se houver um real propósito de transformar pessoas e negócios. Meu desejo é que o futuro da liderança seja mais ousado e, acima de tudo, mais humano. Que saibamos valorizar tanto o brilho da juventude quanto a sabedoria da maturidade. E que, no encontro dessas potências, possamos construir lideranças menos solitárias e mais conectadas com o que realmente importa: as relações. *Ana Moises é diretora de soluções de marketing do LinkedIn Mais Lidas

Liderança é mais sobre propósito e menos sobre protagonismo: quem são os líderes que estamos formando hoje?

2025/12/05 17:01
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Liderança não pode ser encarada com distanciamento ou frieza. É uma escolha corajosa, que exige disposição para se vulnerabilizar, tomar decisões disruptivas e, muitas vezes, errar tentando acertar
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