Ajuste fiscal para estabilizar trajetória do endividamento será de 1,5 ponto percentual, segundo Natalie VictalAjuste fiscal para estabilizar trajetória do endividamento será de 1,5 ponto percentual, segundo Natalie Victal

Há “esgotamento da sociedade” sobre alta de tributo, diz economista

2025/12/07 17:00
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A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, 36 anos, disse que há um “esgotamento da sociedade” sobre a alta de tributos. A agenda de revisão de gastos “nunca foi tão urgente”, segundo ela. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregará uma dívida pública maior do que quando assumiu mesmo com a queda do deficit primário.

A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) subiu para 78,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em outubro. Aumentou 7 pontos percentuais no governo Lula e se aproximou de R$ 10 trilhões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta 5ª feira (4.dez.2025) que o deficit primário acumulado nos 4 anos do governo Lula será 70% inferior ao registrado no mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A economista-chefe afirmou que, apesar da queda do deficit primário, o endividamento do país segue subindo.

Natalie defendeu que seria necessário, pelo menos, um superavit primário anual de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) para estabilizar a trajetória de alta do endividamento. Segundo ela, o ajuste fiscal seria de 1,5 ponto percentual para atingir o objetivo mínimo.

Natalie avalia que a situação fiscal é “muito frágil”. Disse que houve uma recomposição da receita público como proporção do PIB, mas há pressões para gastos de todos os poderes e dos entes da Federação.

A economista-chefe disse que uma agenda “séria” de revisão de gastos públicos ficará para 2027, porque o ano de 2026 deverá ter um aumento do impulso fiscal por causa das eleições.

“Mesmo se tivesse que pagar mais imposto, a gente precisaria discutir o gasto obrigatório, mas dado que a gente já teve uma recomposição de receita importante, se torna mais urgente a gente debater o gasto obrigatório”, disse.

A economista concedeu entrevista ao Poder360, gravada em 27 de novembro de 2025. Ela é formada em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem especialização na Universidade de Nottinghan, na Inglaterra, e mestrado na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Natalie atuou na Kyros Investimentos, na Garde Asset Management e está há mais de 3 anos como economista-chefe da SulAmérica Investimentos, gestora com 29 anos de experiência e mais de R$ 88 bilhões sob administração.

Assista à íntegra da entrevista (1h00):

POLÍTICA MONETÁRIA

A taxa básica, a Selic, deve permanecer em 15% ao ano, segundo a Natalie Victal, até em março de 2026. Se houver revisão, seria para ainda mais tarde. Apesar do consenso de que a economia brasileira está desacelerando, os dados recentes ainda têm movimentos mistos. Indicadores de crédito mais fortes e a resiliência do mercado de trabalho sugerem que a atividade ainda segue aquecida, o que reduz a urgência de afrouxamento monetário.

Na avaliação da gestora, o PIB deve crescer 2,2% em 2026. O resultado do próximo ano será influenciado pelo impulso fiscal típico de anos eleitorais, fenômeno que se repete no país independentemente da orientação política dos governos.

A política fiscal expansionista do governo federal, demais poderes e entes Federais deve atrasar o ciclo de corte de juros e manter a inflação em níveis mais altos.

Natalie declarou que a meta a ser perseguida é de 3%, e não os 4,5% do teto da banda. Ela defendeu que mirar no limite superior pode levar a uma inflação sistematicamente acima do tolerado, punindo especialmente as famílias de renda mais baixa.

“A inflação descontrolada aumenta a desigualdade. O Bolsa Família só é possível a partir do momento que o poder de compra da moeda é controlado”, disse a economista-chefe.

Leia abaixo trechos da entrevista:

  • impulso fiscal em 2026“Esse PIB em 2% resulta numa taxa de desemprego mais baixa do que o contrafactual, ainda abaixo da taxa de desemprego natural, que não gera risco de pressão inflacionária. […] A desinflação que o Banco Central vai processar vai ser uma desinflação mais lenta, então isso acaba provocando uma diminuição da taxa Selic um pouco mais lenta do que poderia ser”;
  • ano eleitoral“Vemos pressão fiscal ou parafiscal vindo de onde a gente não espera. No que eu consigo mapear é um PIB de 2%, que provoca essa Selic um pouco aumentada e uma inflação que é um pouco mais alta do que ela poderia ser”;
  • inflação ainda pressionada“A gente vê a inflação de serviços à deriva num patamar alto, na casa de 6%. Isso não é compatível com a meta nem de 4,5% se fosse. […] Se a gente tiver alguma mudança de ventos, e essas mudanças de ventos acontecem muito frequentemente, a inflação fica bem acima dos 4,5% que a gente está projetando atualmente para 2025”;
  • meta de inflação a 3%“Se você está mirando no topo [da meta] você vai entregar uma inflação ainda mais alta para a população e eu acho que vale lembrar que a inflação é o imposto mais cruel que existe, porque quem paga mais é quem vai no supermercado e tem a parcela da sua renda bastante comprometida”;
  • início do corte de juros“Lembrando que é um ‘período bastante prolongado’. Esse advérbio faz um pouco de diferença. A gente acredita que o Banco Central vai começar a cortar juros em março […] Hoje, se a gente tivesse que revisar, seria para cortar depois de março e não antes”;
  • autonomia do Banco Central“É importante que a gente tenha uma autoridade monetária olhando para o médio e longo prazo, porque se ela olha para o médio e longo prazo e tem credibilidade, essa credibilidade faz com que esse remédio seja cada dia menos amargo”;
  • pressão do governo“Numa democracia é normal que o contraditório existe de uma maneira educada. […] O que a gente não deveria viver como sociedade são críticas à pessoa física dos diretores, ao presidente, aos técnicos do Banco Central que […] tentam fazer um trabalho sério de é zelar pelo poder de compra da nossa moeda”;
  • juros nos EUA“Não estamos projetando mais corte em dezembro, porque os dados que foram divulgados, na nossa opinião, são dados que não dão conforto para os [diretores] neutros [do Fed].
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