A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na noite de 2ª feira (8.dez.2025), em 2º turno, o projeto que regulamenta o serviço de mototáxi, incluindo serviços feitos por aplicativos. O placar foi de 32 votos a favor, 16 contrários e uma abstenção. A proposta agora segue para análise do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que poderá sancioná-la ou vetá-la parcialmente.
Relatado pelo vereador Paulo Frange (MDB), o PL 1487/2025 estabelece regras para condutores, plataformas e veículos, além de definir áreas e condições proibidas para operação. A proposta foi construída pela Subcomissão de Mototáxi da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica e contou com participação de representantes do setor em audiências públicas. Eis a íntegra do projeto (PDF – 6 MB).
A votação encerra um processo marcado por disputas políticas, mudanças de última hora e pressão do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que determinou que a Prefeitura estabelecesse regras até 11 de dezembro, prazo que expira nesta semana.
Uber e 99 já anunciaram intenção de retomar o serviço na 5ª feira (11.dez.2025).
O texto sofreu alterações ao longo do dia, depois de críticas de vereadores, empresas e entidades.
Entre as principais mudanças aprovadas estão:
O projeto mantém obrigações já aprovadas em 1º turno, como:
Além de atender às normas federais de segurança, as motos deverão ter:
As empresas só poderão operar com condutores e veículos previamente certificados pela Prefeitura.
O mototáxi não poderá circular:
A Prefeitura definirá áreas específicas para embarque e desembarque em estações e terminais.
O debate foi tenso ao longo do dia. Vereadores reclamaram da falta de tempo para examinar versões atualizadas do texto, algumas emendas foram apresentadas no fim da tarde.
A vereadora Renata Falzoni (PSB) afirmou que o projeto “cria dificuldades para que o próprio serviço aconteça” e votou contra. O Psol tentou adiar a votação, alegando que o texto não estava maduro.
O vereador Nabil Bonduki (PT) disse que o prefeito “empurrou com a barriga durante um ano” e defendeu que Nunes poderia regulamentar por decreto antes de enviar um projeto mais robusto à Câmara.
A Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) manifestou oposição ao projeto de lei.
“É inconstitucional, pois cria um conjunto de restrições que, na prática, inviabiliza a operação do serviço na cidade de São Paulo ao impor limitações ao condutor, à moto e aos locais de uso”, declarou.
A entidade diz que o texto busca impedir o funcionamento do serviço ao estabelecer a necessidade de credenciamento prévio para empresas e motociclistas, sem definir um prazo máximo para a conclusão da análise pela prefeitura. Segundo a associação, isso abriria brecha para que nenhum aplicativo ou condutor fosse autorizado.
A Amobitec também sustenta que algumas das exigências, como a adoção de placa vermelha, ultrapassam a competência dos municípios.
Frange, por sua vez, rebateu críticas e afirmou que empresas que começarem a operar no dia 11 sem credenciamento estarão na clandestinidade.
“O Município tem a prerrogativa absoluta de legislar sobre questões locais, sobre o uso do nosso viário, sobre a dinâmica de mobilidade da cidade que envolve desde o corredor de ônibus até a atividade do mototaxista. Isso é garantido pela Constituição Federal”, afirmou.


