A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta 3ª feira (9.dez.2025) a abertura de consulta pública para o orçamento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) de 2026. A proposta estima despesas totais de R$ 52,7 bilhões, alta de 7,1% sobre 2025 (R$ 49,2 bilhões). Eis a íntegra do voto da diretora relatora Agnes da Costa (PDF – 652 kB).
Desse total, R$ 47,8 bilhões (90,7%) serão pagos diretamente pelos consumidores nas tarifas via CDE-Uso, encargo que representa cerca de 12% da conta de luz. A cifra representa um aumento anual de 15,4%.
A CDE é o principal fundo setorial do setor elétrico. Reúne os recursos que financiam políticas públicas, como:
As sugestões serão recebidas de 10 de dezembro de 2025 a 26 de janeiro de 2026, por meio do site da agência. A reguladora pretende aprovar a versão final do orçamento em fevereiro.
A reguladora afirma que o crescimento do orçamento está concentrado em 2 itens:
Há também aumentos nos descontos tarifários concedidos a empreendimentos eólicos, solares e de biomassa no uso das redes de transmissão e distribuição.
Por outro lado, o orçamento da CCC (Conta de Consumo de Combustíveis), que reembolsa geradores térmicos em sistemas isolados, cai cerca de R$ 1,1 bilhão. A principal razão é a integração de Roraima ao SIN (Sistema Interligado Nacional), que reduz o gasto com combustíveis fósseis na região.
O impacto final nas tarifas depende de cada distribuidora. As estimativas preliminares mostram efeitos diferentes entre as regiões do país depois das mudanças recentes na legislação do setor elétrico, que alteraram a forma como os custos da CDE são divididos.
Para 2026, a Aneel projeta que o impacto tarifário para consumidores cativos (aqueles que compram energia diretamente da distribuidora local) varia de acordo com a região:
Esses percentuais se referem apenas ao efeito da CDE. O impacto total das tarifas será calculado nos reajustes de cada distribuidora ao longo do ano.
A Lei 15.269/2025 instituiu um teto para os subsídios do setor elétrico a partir de 2027.
A medida será baseada no orçamento homologado de 2025, e não no valor de 2026, como inicialmente defendido pelo MME (Ministério de Minas e Energia). Será corrigido apenas pela inflação.


