O dólar fechou esta terça-feira (9) em alta de 0,28%, a R$ 5,43. O movimento foi marcado por forte sensibilidade às notícias sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus possíveis efeitos na disputa presidencial de 2026.
Pela manhã, a moeda atingiu a máxima de R$ 5,4958. Operadores associaram o avanço à declaração do senador de que sua candidatura é “irreversível”, contrariando menções anteriores de que poderia recuar.
Segundo analistas, a permanência do senador na disputa pode elevar a fragmentação dentro do campo da direita, abrindo espaço para mudanças nas projeções eleitorais. Esse tipo de incerteza tende a aumentar a volatilidade do câmbio.
A pressão sobre o dólar perdeu força à tarde após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautar a votação do chamado “projeto da dosimetria”, que prevê redução de penas ligadas aos eventos de 8 de janeiro.
A eventual aprovação pode alterar o ambiente político ao beneficiar Jair Bolsonaro, abrindo espaço para articulações que levem à retirada da pré-candidatura de Flávio. Parte do mercado vê essa possibilidade como um fator que reduziria a fragmentação à direita e fortaleceria a posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na disputa presidencial.
No exterior, o índice DXY — que compara o dólar com seis moedas fortes — operou em leve alta no fim da tarde, em torno de 99,200 pontos. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
O iene recuou cerca de 0,60% depois de declarações do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, indicando ajuste gradual na taxa de juros.
Moedas de países emergentes mostraram perda de força, influenciadas pela queda do minério de ferro e do petróleo. O peso mexicano foi a exceção.
A quarta-feira será marcada por decisões simultâneas de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos — evento conhecido no mercado como “super quarta”.
No Brasil, a expectativa majoritária é de manutenção da Selic em 15% ao ano. Investidores acompanharão possíveis ajustes no comunicado e nas projeções de inflação, avaliando sinais sobre um eventual ciclo de corte de juros a partir de janeiro de 2026.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve anunciar novo corte de 25 pontos-base na taxa básica. A atenção estará voltada para o “gráfico de pontos”, que revela as projeções dos dirigentes do Fed, além das declarações do presidente Jerome Powell sobre a trajetória futura dos juros.
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