O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou na 3ª feira (9.dez.2025) que Hugo Motta (Republicanos-PB) “está perdendo as condições de continuar na presidência” da Casa. A declaração foi feita horas antes de o PL da Dosimetria ser aprovado por 291 a 148, em votação na madrugada desta 4ª feira (10.dez).
Lindbergh se disse revoltado com a força usada contra o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), que ocupou a cadeira de Motta por duas horas e meia até ser imobilizado por policiais legislativos. Com o paletó rasgado, o congressista do Psol, junto com as deputadas Célia Xakriabá (Psol-MG) e Sâmia Bomfim (Psol-RJ), mulher de Glauber, fez um boletim de ocorrência para registrar o que chamou de “agressão”.
Dirigindo-se a Motta, Lindbergh declarou: “O que aconteceu hoje é muito grave porque Vossa Excelência foi tolerante com a turma que sequestrou a mesa por 48 horas. Não usou da força, não usou da polícia legislativa. São 2 pesos, duas medidas. Agora, o que Vossa Excelência fez aqui hoje é uma vergonha. Eu pergunto aos senhores, os golpistas que tomaram conta da mesa foram cassados? Alguém foi suspenso? Alguém foi afastado 1 dia sequer? A responsabilidade por essa confusão que aconteceu aqui hoje é do senhor, é da presidência dessa Casa”.
O líder do PT na Câmara disse que é “vergonhoso” o presidente da Casa colocar Glauber na mesma situação que os deputados Carla Zambelli (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), e acusou Motta de “crime de responsabilidade”.
Lindbergh disse: “O senhor está se esquivando, fugindo das suas responsabilidades e coloca alguém como o deputado Glauber para ser cassado. O Glauber foi provocado. Falaram da mãe dele que tinha Alzheimer. O senhor está abraçando definitivamente a pauta do golpismo”.
Mais cedo, na 3ª feira (9.dez), Lindbergh já havia dito a jornalistas que a decisão de pautar o PL da Dosimetria para plenário foi articulada entre Motta, o Partido Liberal e a família Bolsonaro. Relacionou essa movimentação a uma declaração anterior do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que no domingo (7.dez) mencionou existir “um preço” para desistir de uma candidatura ao Planalto: o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estar livre e “nas urnas”. Para o deputado petista, a pauta do projeto representaria o início do pagamento desse “preço” dito pelo filho do ex-chefe do Executivo.
“Vossa excelência, quando assumiu, fez um discurso falando em Ulysses Guimarães. Vossa excelência falou, em referência ao filme ‘Ainda estou aqui’, ‘ainda estamos aqui’. Vossa excelência deveria lembrar que os assassinos de Rubens Paiva e de Vladimir Herzog não foram presos nem julgados. O senhor está querendo relaxar a prisão de generais golpistas, criar uma farsa para interferir num julgamento independente do Supremo Tribunal Federal, que ainda nem acabou”, disse Lindbergh. “Sem anistia. Glauber fica”, afirmou.
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