O BC (Banco Central) voltou a demonstrar “cautela” quanto ao ambiente econômico dentro e fora do Brasil para definir a taxa básica de juros e controlar a inflação. O Copom (Comitê de Política Monetária) não sinalizou quando iniciará o ciclo de corte da Selic.
Na última reunião de 2025, nesta 4ª feira (10.dez.2025), o colegiado manteve por unanimidade o juro-base em 15% ao ano e reforçou ser necessário que a política monetária permaneça em “patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”. Eis a íntegra (PDF – 55 kB) do comunicado.
Foi a 4ª reunião seguida com a taxa em 15% ao ano. O argumento é uma forma de justificar a manutenção da Selic no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano –a taxa ficou neste nível de 1º de junho a 19 de julho de 2006. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava na reta final de seu 1º mandato naquele ano.
Agentes financeiros esperavam essa decisão. O Poder360 obteve as estimativas de 12 instituições financeiras e consultorias sobre o percentual da taxa básica de juros. Foram unânimes em relação à manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião desta semana.
O comunicado do Copom afirma que a decisão se deu por 2 motivos:
Leia o infográfico da trajetória da Selic:
Leonardo Costa, economista do ASA, avalia que a decisão de manter a Selic neste patamar prepara terreno para o início do ciclo de queda só em março de 2026. “No balanço final, trata-se de um comunicado neutro para levemente hawkish [em referência ao tom rigoroso], com potencial de esvaziar parte da aposta do mercado de corte já na reunião de janeiro de 2026. Mantemos nossa projeção de primeiro corte apenas em março de 2026, com redução de 0,50%”, declarou.
O Copom é formado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e 8 diretores da autoridade monetária. O presidente Lula indicou 7 das 9 cadeiras que ocupam o comitê. Nenhum dos nomeados pelo atual governo votou para cortar a Selic em 2025.
O objetivo do Banco Central é levar a inflação para o centro da meta, que é de 3% ao ano. Há, entretanto, margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, o que dá uma possibilidade de a taxa atingir até 4,5% sem descumprir a regra.
Nesta 4ª feira (10.dez), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa anualizada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou de 4,68% para 4,46%. A inflação voltou, portanto, a ficar dentro do intervalo permitido pela meta.
Os analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central projetam que a inflação terminará 2025 a 4,4%, o que é 0,1 ponto percentual abaixo do teto da meta.
Em julho, a autoridade monetária afirmou que a inflação voltaria a ficar abaixo de 4,5% no 1º trimestre de 2026. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse acreditar que a taxa ficará dentro do patamar permitido em dezembro deste ano.
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